Guerra entre as igrejas

Cauteloso, em tempo integral, o ministro Gilberto Carvalho, um dos inquilinos mais importantes do Palácio do Planalto, passou por um constrangimento, tendo que rebobinar o que disse, e pedir perdão por uma falha que cometeu com a bancada religiosa do Congresso Nacional, que não abriu mão de uma retratação. Os evangélicos se sentiram indignados com o ministro, que teve de se reunir com eles para retomar os ânimos. Ele precisou negar o que tinha dito, durante o Fórum Social Mundial, que o governo recearia o controle ideológico da classe C. O ministro Gilberto levou para o encontro um recado da presidente Dilma Rousseff, reafirmando, com toda ênfase, que o governo não irá tomar qualquer iniciativa para mudar a legislação sobre o aborto.

 

Não foi apenas o ministro que passou por esse mal-estar, mas também a ministra Eleonora Menicucci, uma defensora da descriminalização do aborto. Sempre tranquilo, o ministro Gilberto Carvalho não concordou com a ideia do deputado Anthony Garotinho (PR-RJ) de que ele assinasse um documento negando as declarações que lhe foram atribuídas. O ministro foi determinado: “O pedido de perdão que eu fiz não foi pelas minhas palavras, mas pelos sentimentos que provocaram”. Carvalho até acrescentou, logo depois, que seria loucura falar na criação de uma rede estatal para enfrentar a mídia evangélica.

 

Como manda quem pode e obedece quem tem juízo, prontamente Gilberto Carvalho traduziu perfeitamente as palavras de sua chefe, a presidente Dilma Rousseff, afirmando que ela é contra o aborto e que um ministro  não tem posição individual, mas sim, de governo. Dilma agiu como uma bombeira que soube apagar um incêndio, que estava em formação, sem deixar de fora sua amiga Eleonora Menicucci, que não ficou muito simpática com a Secretaria de Políticas para as Mulheres. O texto que o ministro levou para a Frente Parlamentar Evangélica desaqueceria o clima de indignação, pois o texto era bem diplomático: “A presidente pediu que eu reafirmasse para a bancada que a posição do governo sobre o aborto é a posição que ela assumiu na campanha eleitoral. As posições que sustentamos publicamente não são possíveis individuais, são do governo, e a posição do governo sobre essa questão está absolutamente clara e assim vai continuar.”

 

Gilberto Carvalho também explicou suas declarações proferidas no Fórum Social Mundial, em Porto Alegre, em janeiro, argumentando que o governo tem dificuldade para se comunicar com a nova classe média que a ascender na gestão do ex-presidente Lula, afirmando que o estado deve fazer uma disputa ideológica pela nova classe média, que estaria sob hegemonia de setores conservadores, enfatizando ainda mais: “Lembro aqui, sem nenhum preconceito, o papel da hegemonia das igrejas evangélicas, das seitas pentecostais, que são grande presença para esse público que está emergindo”.

 

O ministro concluiu que sua fala foi traduzida de maneira equivocada, inclusive houve interpretação de que o governo se armava para fazer uma guerra com as igrejas evangélicas.

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“Passou voando, nem percebi. Eu peço para os meus netos: ‘Me chamem de tio, vai’!”.

 

Há serviços prestados pelos governos que enchem de orgulho os cidadãos cansados de tanto reclamar da falta de transporte, do excesso de impostos, da educação insuficiente, da precária rede pública de atendimento à saúde e da eterna insegurança.
Sábado passado, iniciou-se a exitosa campanha da vacinação contra a gripe que livra crianças e anciãos não só da doença contagiosa, como também  de outras consequências graves, como a pneumonia. A população, de modo geral, dá pouca importância para a gripe. No entanto, além dos prejuízos à saúde, ela é responsável por grande parte das faltas ao trabalho.
Pois no primeiro dia da vacinação, este ancião contador de histórias, deixou de lado as mazelas políticas que estão nos matando afogados e se postou na fila para receber a espetadela e a bendita vacina.
No eficiente e organizado posto de saúde da QI 21 do Lago Sul, dei de cara com uma diaba vestida de vermelho e empunhando um tridente. Não me assustei, pois tenho a certeza de que não irei para os quintos do inferno; no máximo, passarei uma temporada no purgatório pagando penas por críticas que faço, sempre com as melhores das intenções.
A tal da diaba era uma dedicada enfermeira, representando a assassina silenciosa que mata milhares de pessoas descuidadas com a saúde: a hipertensão arterial. A diaba e suas colegas mediam a pressão das pessoas, orientavam procedimentos preventivos e distribuíam folhetos em quadrinhos divertidos e bem elaborados.
Segui o roteiro e confirmei o meu 12 por 8, símbolo da campanha. Fui para fila e recebi o a senha 36. Abro ,aqui, parêntese para contar uma história também engraçada que ouvi de um velho amigo que ficou com a senha 37 e que, por algum tempo, me daria o prazer forçado da sua companhia. Quando a diaba apurava uma pressão como a minha, ela fazia uma festa, e o 37 se lembrou de uma história lá das Minas Gerais, disse ele: – Um sujeito comprou uma bela camionete 4x4 para usar entre Dores do Indaiá e São Gotardo.  O veículo brilhava, parado à frente da igreja matriz. O fazendeiro ia almoçar e, quando voltava, encontrava a traseira do carro arranhado. Um pilantra qualquer, riscava, com um prego, após o 4x4, um sinal de = seguido do número 16. Irritado, o fazendeiro ia direto para a oficina e mandava reparar o dano.
Cansado do prejuízo, o fazendeiro mandou confeccionar um reluzente símbolo do sinal = e o número 16.  Pela manhã, deixou a camionete no estacionamento e, à tarde, quando foi pegar o carro, lá estava, bem cravado na lataria, o sinal de certo – no melhor estilo check –  completando a multiplicação de 4 x4 = 16.   
Quando a anedota acabou, a locutora chamava o número 20. Eu e o meu amigo ficamos observando os conhecidos que envelheceram ao mesmo tempo que a gente. Ali estava o jovem que fazia o som das festas de crianças, e, que hoje, é um senhor precisando cuidar da pressão. Estava, também, um obstetra que colocou no mundo centenas de brasilienses e que segue firme sem gripe ou problemas graves. Cumprimentamos o político aposentado que passou pela vida pública com respeito e admiração. Não tinha aparência de viver com dificuldades, ao contrário, parecia feliz por ter se dedicado por tantos anos à vida pública. – Eram outros tempos, disse o meu amigo.
O 34, sorrindo, entrou na conversa: – Quando será que a medicina vai descobrir vacinas contra a corrupção e os malfeitos? Ninguém sabia responder.
Irmã Edwirges, que passou mais de quarenta anos dando aulas de catecismo na nossa paróquia, passou por nós, vestida no seu impecável hábito branco como neve, como diziam as crianças. Chegou a minha vez. Recebi a minha dose, e o meu amigo lembrou: – Se for dirigir, não beba.
No portão, recebi a letra de uma paródia do célebre hino “Prá frente Brasil” de Miguel Gustavo que animava o povo e a seleção brasileira de 1970 e que diz: “São 30 milhões de hipertensos/em todo Brasil/do meu coração/Todos juntos vamos/prá frente Brasil/ controlar a pressão/De repente é aquela corrente prá frente/dieta e exercício entrando em ação/todos tomando sua medicação/cuidando do seu coração/ Todos juntos vamos/prá frente Brasil, Brasil/controlar a pressão.
Fiquei despreocupado com relação à Copa do Mundo de 2014; com a atenção que recebi no posto de saúde, tenho fé que estarei nos estádios com muita saúde e energia. Aliás, na despedida a diaba me disse: – Vá com Deus! Ps.: A fotografia da diaba está no meu Instagram.

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