Diante de toda essa conjuntura mundial, a presidente Dilma Rousseff, na quarta-feira, pegou sua tesoura e cortou R$ 55 bilhões nas despesas do Orçamento de 2012, incluindo também R$ 20 bilhões que estavam previstos como despesas obrigatórias. Os ministérios da Saúde e Educação foram atingidos pelo corte, ficando com R$ 7,4 bilhões em emendas bloqueadas, com a Saúde perdendo R$ 5, 473 bilhões. Mas um curto-circuito está em formação na Praça dos Três Poderes, entre o Congresso Nacional e o Palácio do Planalto, porque foram cortados R$ 10 bilhões destinados a custeio, como também manutenção da máquina. O trator governamental poupou, no entanto, programas como o PAC, o Minha Casa Minha Vida e o Brasil Sem Miséria.
O governo argumentou, na quarta-feira, que os cortes foram necessários para conter os gastos públicos, também evitar imediatamente a pressão em torno da inflação. Ao mesmo tempo em que irá manter o controle da inflação, abre espaço para o Banco Central agir prontamente, derrubando a taxa básica de juros da economia para o patamar de um dígito até o fim do ano – hoje está em 10,5% - o que muitos economistas não acreditam que irá acontecer. Como sempre, muito otimista, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmava, com muita convicção, que “a programação orçamentária privilegia o aumento do investimento, que é a locomotiva do crescimento no Brasil”. Mantega se desdobra, em tempo integral, para demonstrar que o país está blindado na economia.
Cautelosa, Míriam Belchior, a ministra do Planejamento, não procura maquiar a realidade. Ainda na quarta-feira, revelava que o ajuste programado para o Orçamento de 2012 foi alterado por motivos muito fortes, como, por exemplo, o crescimento de 4,5%, como também a manutenção dos investimentos prioritários diante de obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Isso é destinado para fortalecer os programas sociais, como também assegurar a continuidade dos programas de desenvolvimento nas regiões mais pobres.
Se dependesse da presidente Dilma Rousseff, o corte orçamentário seria mais leve. Falando, sem perceber, o que estava pensando (“Nem tanto ao mar nem tanto a terra”), acabou concordando com o seu ministro da Fazenda, afirmando que simplesmente ficaria difícil cumprir a meta cheia de superávit primário, de 3,1% do Produto Interno Bruto (PIB), que poderia causar uma baixa dos juros, como também um bloqueio de gastos no nível de R$ 55 bilhões. Guido Mantega, também na conversa com a presidente Dilma, ressaltou a importância de manter o rigor fiscal imediatamente. Otimista Dilma está, e tanto que ainda na quarta-feira, disse, com muita convicção, que o corte da tesoura deverá ser menor, como aconteceu recentemente quando foi anunciado um corte de R$ 50 bilhões, mas ficou mesmo em torno de R$ 30 bilhões.
Acompanhando atentamente a crise mundial, a presidente Dilma Rousseff está determinada a dar uma freada brusca nos gastos do governo, com a convicção de que o cenário além das fronteiras brasileiras é sombrio e, por isso, ela quer evitar a criação de novos gastos e aprovar projetos como, por exemplo, o Fundo de Previdência Complementar do Serviço Público, o Funpresp.
Guido Mantega, ministro da Fazenda, e, hoje, um dos mais próximos da presidente, reforçou a conclusão com a relevância de iniciativas para reduzir os gastos do governo, argumentando que só conseguiremos esse resultado positivo para a economia brasileira e para sociedade brasileira, colocando em prática os programas econômicos e sociais, se o Congresso continuar trabalhando junto com o governo, como tem feito, aprovando os projetos importantes e impedindo aumentos de gastos de custeio, que podem ameaçar a estabilidade desse programa.
Acontece que o ministro não acrescentou nenhuma informação sobre como reduzir os gastos do governo, limitando-se a dizer que o governo está preparando um contingenciamento do orçamento deste ano, ressalvando que não há números definidos com relação ao contingenciamento que mencionou, mas, na sua opinião, ele poderá viabilizar a realização do resultado primário de R$ 140 bilhões que está sendo preparado. Na reunião de terça-feira, por exemplo, ele pensou alto e acabou revelando a líderes políticos que o corte é mais do que necessário e preventivo, revelando também que a estimativa chega a R$ 50 bilhões e R$ 60 bilhões.
Guido Mantega deixou transparecer que seria importante um enxugamento maior, só que a presidente Dilma sinalizou que não autorizaria qualquer decisão que prejudicasse os investimentos, um erro cometido em 2011, que não deve repetir.
Sempre na dianteira, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, ainda na terça-feira, em relação ao agravamento da crise internacional pela redução nas estimativas de sua equipe para o crescimento da economia brasileira, argumentou, mais uma vez, que existe, sim, uma crise internacional que não está resolvida, ressaltando que em 2012, alguns países europeus terão crescimento negativo, e que ele próprio tinha dito que, se a crise fosse solucionada, o Brasil poderia ter crescimento de 5%, em caso de persistência, 4%, e justo por isso, considerava uma meta de 4,5% viável. Para o ministro, o governo acredita em um aumento dos investimentos para assegurar o desempenho do PIB como também as condições financeiras e tributárias, o que viabilizaria essa mudança.
Guido Mantega não esconde o seu otimismo diante de um estudo concluído pela equipe econômica para reduzir o crédito para pessoas físicas e empresas, o que, na sua opinião, seria um crescimento, porque implica um grande esforço de todos. Ele considera um desafio remar contra a corrente, enquanto o mundo inteiro está desacelerando. Assim, o Brasil irá ter um crescimento maior em 2012 do que em 2011. Ele demonstra ainda mais convicção: “Eu vou continuar remando, como eu tenho remado há seis anos.
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