Se o nome Wanderley Alves dos Reis não é familiar, basta chamá-lo pelo nome artístico, Wando, para entender porque o Brasil lamenta mais essa perda profunda na música popular. Wando morreu na última semana depois de alguns dias lutando contra as consequências de um infarto. Internado em um hospital em Nova Lima, Minas Gerais, desde o dia 27 de janeiro, o ídolo, que foi ao mesmo tempo considerado brega e romântico, não resistiu à força do infarto inicial, mesmo depois de passar por uma angioplastia.
O cantor foi outra vítima da fatalidade que mais mata no mundo, o infarto cardíaco. No Brasil, ele representa um terço das causas de morte, ou 350 mil pessoas por ano. Embora a evolução na medicina tenha minimizado os seus efeitos, e o risco de morte tenha diminuído para 8 a 10%, nem todas as pessoas conseguem manter, a longo prazo, uma dieta rica e equilibrada, também fazer atividades físicas regularmente, principais medidas preventivas de infartos. Wando tratava, e muito bem, do coração de seus fãs, mas o excesso de peso (um dos agravantes para que um infarto aconteça) demonstra que o seu já estava fragilizado. Ao dar entrada no hospital, no dia 27, ele estava com 110 quilos. A obesidade é como uma bomba-relógio, que a qualquer momento pode culminar em um “ataque do coração”, como a doença é conhecida popularmente. O tabagismo, estresse, consumo de álcool e drogas, além do sedentarismo, são outros fatores de risco.
Durante seus 66 anos de vida, Wando ficou conhecido pela performance provocativa que fazia com que as fãs, entusiasmadas, atirassem calcinhas nos palcos – e, por isso, tem uma coleção de 15 mil calcinhas, de fazer inveja a qualquer sedutor. A mania começou depois de colocar a peça íntima na capa de um de seus álbuns, intitulado “Tenda dos Prazeres”. O nome já demonstra a principal característica da poética de Wando: a irreverência e a sensualidade. Ele foi lançado na carreira artística em 1972, por Jair Rodrigues, inicialmente como compositor. Mas, bem antes de ser um ídolo brega, Wando também foi feirante, caminhoneiro e até entregador de jornal. Disposição, para ele, nunca faltou.
Ao longo da carreira, Wando ganhou 19 discos de ouro, sete de platina e dois de diamante. Apesar de não estar em uma das melhores fases de sua carreira, o cantor e compositor tem números impressionantes no currículo: apenas com o CD “Obsceno”, de 1988, alcançou a marca de um milhão de discos vendidos, um fato extraordinário, considerando as vendas bem menos insipientes que a indústria fonográfica realiza atualmente. Em Brasília, se apresentou pela última vez em 2010, na Virada Cultural. Aliás, uma banda que existe na cidade desde 2008, chamada “Brega e Rosas”, homenageia os clássicos da música popular brasileira, e, entre eles, canta composições de Wando, como o divisor de águas “Fogo e paixão”.
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