Uma fábrica de dinheiro...

Sem dúvida nenhuma, o brasileiro Luiz Felipe Denucci era um homem muito poderoso e por isso andava como em um pedestal, em tempo integral, evitando cumprimentos, e raramente recebia visitas em seu gabinete como presidente da Casa da Moeda, um dos cargos mais cortejados em todos os governos no Brasil. No sábado passado, ele foi demitido, carregando no ombro a suspeita de que comandava um propinoduto de fornecedores, cuja sede era no exterior, onde o dinheiro chegava em sua conta e também na de sua filha. Como sempre acontece com aqueles que acabam sendo desmascarados quando derrapam na ética, assim também foi com Luiz Felipe, que tentou evitar ser ejetado da poltrona que usava, buscando uma saída durante a conversa com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, seu chefe imediato.

Depois, percebendo que a corda estava caindo em torno de seu pescoço, ele ainda se debateu para escapar do cadafalso, voltando a dar explicações a Mantega, que simplesmente avisou aos porteiros que não o receberia em seu gabinete, sinalizando que o executivo estava em contagem regressiva, ou seja, tinha entrado em desgraça na hierarquia pública. No fim de semana passado, o Ministério Público já estava investigando offshores do ex-executivo, guardadas nas Ilhas Britânicas, desde 2010, obtendo informação oficial da Junta Comercial de Miami, nos Estados Unidos, através de duas empresas, a Rhodes INT Ventures, como também a Helmond Commercial LLC. Por baixo, já se apurou que os golpistas estariam com US$ 25 milhões.

Mesmo diante de provas que poderão complicá-lo e a uma filha sua, sem que fosse revelada a identidade, poderão ter problemas mais cedo do que imaginam. Comunicado, no sábado, que não seria mais o presidente da Casa da Moeda, ele ainda aproveitou o fim de semana passado para tentar, através de saídas circenses argumentar que era inocente, dizendo que nem sequer sabia porque tinha sido exonerado. Em uma declaração de despedida, ele afirmou que antes de assumir a presidência da Casa da Moeda, os resultados de 2007 eram baixos, com lucro líquido em cerca de R$ 28 milhões, receita em torno de R$ 450 milhões. “Na última, 27 do corrente, pude assinar os documentos finais do balanço da empresa para 2011: lucro líquido de R$ 517 milhões e faturamento de R$ 2,7 bilhões, em números globais”.

Causa estranheza é o fato de o ministro da Fazenda estar demorando tanto para ejetar Luiz Felipe Denucci da poltrona de  presidente da Casa Moeda, inclusive depois de o PTB, o partido que o indicou, criticá-lo, sem que nada fosse feito, quando surgiram as versões de  que prevalecia corrupção. A presidente Dilma tomou conhecimento da irregularidade, através da chefe da Casa Civil, a ministra Gleisi Hoffmann. O presidente  do PTB na Câmara dos Deputados, Jovair Arantes, detalhou o que estava acontecendo na gestão de Luiz Felipe.

Estranho mesmo é o fato de o ministro da Fazenda nomear uma pessoa  que já estava sendo alvo de investigação pelo Ministério Público como também pela Polícia Federal, por sonegar a Receita Federal. A partir daí  a PF abriu um dos inquéritos para investigar crimes previstos nos artigos 89 e 90 da Lei 8.666, apurando irregularidade  em licitação. Outra suspeita  em torno de Denucci é justo o seu envolvimento em supostas irregularidades em uma licitação na instituição. Esse inquérito foi instaurado  pela Delegacia  contra Crimes Fazendários da PF, no Rio de Janeiro em 2010.

Tudo bem, mas uma pergunta não quer calar - recebeu ou não propinas?

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“Passou voando, nem percebi. Eu peço para os meus netos: ‘Me chamem de tio, vai’!”.

 

Há serviços prestados pelos governos que enchem de orgulho os cidadãos cansados de tanto reclamar da falta de transporte, do excesso de impostos, da educação insuficiente, da precária rede pública de atendimento à saúde e da eterna insegurança.
Sábado passado, iniciou-se a exitosa campanha da vacinação contra a gripe que livra crianças e anciãos não só da doença contagiosa, como também  de outras consequências graves, como a pneumonia. A população, de modo geral, dá pouca importância para a gripe. No entanto, além dos prejuízos à saúde, ela é responsável por grande parte das faltas ao trabalho.
Pois no primeiro dia da vacinação, este ancião contador de histórias, deixou de lado as mazelas políticas que estão nos matando afogados e se postou na fila para receber a espetadela e a bendita vacina.
No eficiente e organizado posto de saúde da QI 21 do Lago Sul, dei de cara com uma diaba vestida de vermelho e empunhando um tridente. Não me assustei, pois tenho a certeza de que não irei para os quintos do inferno; no máximo, passarei uma temporada no purgatório pagando penas por críticas que faço, sempre com as melhores das intenções.
A tal da diaba era uma dedicada enfermeira, representando a assassina silenciosa que mata milhares de pessoas descuidadas com a saúde: a hipertensão arterial. A diaba e suas colegas mediam a pressão das pessoas, orientavam procedimentos preventivos e distribuíam folhetos em quadrinhos divertidos e bem elaborados.
Segui o roteiro e confirmei o meu 12 por 8, símbolo da campanha. Fui para fila e recebi o a senha 36. Abro ,aqui, parêntese para contar uma história também engraçada que ouvi de um velho amigo que ficou com a senha 37 e que, por algum tempo, me daria o prazer forçado da sua companhia. Quando a diaba apurava uma pressão como a minha, ela fazia uma festa, e o 37 se lembrou de uma história lá das Minas Gerais, disse ele: – Um sujeito comprou uma bela camionete 4x4 para usar entre Dores do Indaiá e São Gotardo.  O veículo brilhava, parado à frente da igreja matriz. O fazendeiro ia almoçar e, quando voltava, encontrava a traseira do carro arranhado. Um pilantra qualquer, riscava, com um prego, após o 4x4, um sinal de = seguido do número 16. Irritado, o fazendeiro ia direto para a oficina e mandava reparar o dano.
Cansado do prejuízo, o fazendeiro mandou confeccionar um reluzente símbolo do sinal = e o número 16.  Pela manhã, deixou a camionete no estacionamento e, à tarde, quando foi pegar o carro, lá estava, bem cravado na lataria, o sinal de certo – no melhor estilo check –  completando a multiplicação de 4 x4 = 16.   
Quando a anedota acabou, a locutora chamava o número 20. Eu e o meu amigo ficamos observando os conhecidos que envelheceram ao mesmo tempo que a gente. Ali estava o jovem que fazia o som das festas de crianças, e, que hoje, é um senhor precisando cuidar da pressão. Estava, também, um obstetra que colocou no mundo centenas de brasilienses e que segue firme sem gripe ou problemas graves. Cumprimentamos o político aposentado que passou pela vida pública com respeito e admiração. Não tinha aparência de viver com dificuldades, ao contrário, parecia feliz por ter se dedicado por tantos anos à vida pública. – Eram outros tempos, disse o meu amigo.
O 34, sorrindo, entrou na conversa: – Quando será que a medicina vai descobrir vacinas contra a corrupção e os malfeitos? Ninguém sabia responder.
Irmã Edwirges, que passou mais de quarenta anos dando aulas de catecismo na nossa paróquia, passou por nós, vestida no seu impecável hábito branco como neve, como diziam as crianças. Chegou a minha vez. Recebi a minha dose, e o meu amigo lembrou: – Se for dirigir, não beba.
No portão, recebi a letra de uma paródia do célebre hino “Prá frente Brasil” de Miguel Gustavo que animava o povo e a seleção brasileira de 1970 e que diz: “São 30 milhões de hipertensos/em todo Brasil/do meu coração/Todos juntos vamos/prá frente Brasil/ controlar a pressão/De repente é aquela corrente prá frente/dieta e exercício entrando em ação/todos tomando sua medicação/cuidando do seu coração/ Todos juntos vamos/prá frente Brasil, Brasil/controlar a pressão.
Fiquei despreocupado com relação à Copa do Mundo de 2014; com a atenção que recebi no posto de saúde, tenho fé que estarei nos estádios com muita saúde e energia. Aliás, na despedida a diaba me disse: – Vá com Deus! Ps.: A fotografia da diaba está no meu Instagram.

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