Já faz muito tempo que o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, está decidido a entrar em rota de colisão com o mundo e, para isso, não mede consequências, tendo como conselheiro, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, cuja especialidade é a de incendiar qualquer país, depois de levar o próprio para uma direção sem volta, a não ser a tragédia. Não é por acaso que o mundo inteiro está de olhos em Teerã e em seu presidente, que não deve ser negligenciado - ignoraram Adolf Hitler e deu no que deu. Não foi por acaso que a União Europeia, na segunda-feira, decidiu aprovar um embargo contra o petróleo iraniano, com o objetivo de levar o Irã a abandonar seu programa nuclear, depois de Ahmadinejad ter deixado bem claro que poderá fechar o Estreito de Ormuz.
Cada um usa as armas que tem e, dessa forma, a UE usou, na segunda-feira, a sua, banindo importações de petróleo do Irã, como também transações com o Banco Central de Teerã, com o reforço de 27 países do bloco para outras sanções aos iranianos, durante um encontro, em Bruxelas, usando todos os meios para paralisar a atividade econômica de Ahmadinejad. Embora tenha sinalizado que seus cientistas não pretendem fabricar uma bomba atômica, ninguém acredita que o enriquecimento de urânio tenha como destino fins civis, ou que o governo iraniano tenha boas intenções. Fica difícil de acreditar, no Ocidente, o que o governo do Irã insiste em repetir - que estão em paz e pretendem continuar.
A UE precisa tratar essa questão com luvas de pelica, já que a economia desse continente – que não vai nada bem – é dependente do petróleo iraniano. Alguns mais, outros menos, mas todos os países que compõem o bloco ficam igualmente à mercê dos mandos e desmandos de Ahmadinejad. Temendo outro colapso na zona do Euro, algumas nações, como a Itália, que importa do Irã 13% de seu petróleo, a Espanha, com 15% e a Grécia, com 34%, são mais cautelosas. Porém, é provável que toda a Europa entre em estado de alerta, temendo que o curto-circuito desmorone novamente a economia europeia, ainda cambaleante pela grave crise financeira da qual não está imune, desde 2008.
O embargo contra o petróleo, assim como o congelamento dos bens do Banco Central do Irã e a proibição de exportação de equipamentos usados na produção de gás são medidas paliativas. A intenção não é causar um mal-estar, mas, sim, retomar as negociações sobre o programa de petróleo iraniano. O Irã, por sua vez, não admite que esteja enriquecendo o material em níveis preocupantes. Entretanto, em nada disposto a ceder (ainda que a EU exporte 20% de todo petróleo que ele produz), preparou uma defensiva de peso, assim como as sanções adotadas pela UE. Caso Ahmadinejad bata o martelo e decida pelo fechamento do Estreito de Ormuz, o mundo inteiro deve se preparar para uma alta jamais vista nos preços dos barris. Isso porque é pelo Estreito que transita 40% de todo o petróleo que circula no planeta.
As sanções por parte dos países europeus são lentas e graduais. Elas valerão para novos contratos e o prazo dado é até o mês de julho para que os países estudem outras alternativas. Entretanto, enganou-se quem pensou que o Irã iria assistir a essa ofensiva de braços cruzados. Ali Fallahian, membro da Assembleia dos Especialistas do Irã, afirmou, categoricamente, que o país não vai acompanhar o ritmo das sanções e que, se for necessário, agirá o quanto antes. “A melhor forma é parar as sanções antes dos seis meses de prazo e antes da implementação do plano”. Em seguida, Alemanha, Grã-Bretanha e França pediram que as negociações fossem retomadas. Em um texto em comum, afirmaram: “Pedimos que os líderes do Irã suspendam as suas atividades nucleares imediatamente”.
A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) enviará uma comissão ao país oriental, e indicou que a comitiva busca resolver “assuntos pendentes”. A AIEA provavelmente desembarcará no Irã, dia 29, segundo Herman Nackaerts, diretor adjunto da instituição. A missão, desta vez, tem um espírito construtivo, de acordo com ele, embora a organização já tenha admitido que sejam grandes as chances de o Irã estar enriquecendo urânio para uso em programas militares.
Qualquer passo em falso pode desestabilizar até as melhores relações diplomáticas. O Brasil, que mantinha um convívio amigável com o Irã, se viu no centro das discussões. Declarações do porta-voz do presidente Ahmadinejad, Ali Akbar Javanfekr, azedaram a amizade antiga entre os países, regada pelo ex-presidente Lula a beijos, abraços e muita diplomacia. Lula nunca foi muito protocolar e sempre se mostrou íntimo de Ahmadinejad. Quem não se recorda do episódio em que o ex-presidente pega a câmera de um fotógrafo para registrar o encontro que teve com Ahmadinejad e o premiê turco, Recep Tayyip Erdogan? Por isso, ao dar entrevista ao jornal, “Folha de São Paulo”, o porta-voz do presidente iraniano não tocou no nome de Lula, mas, referindo-se a Dilma, foi amargo, afirmando que a presidente “destruiu toda a relação construída pelo ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva”. O ministro das Relações Exteriores tentou apaziguar as declarações, assegurando que as relações continuam muito bem, obrigado. Na mesma linha, o embaixador do Irã, no Brasil, Mohsen Shaterzadeh Yazdi, fez coro às declarações do Itamaraty, afirmando que entre o Brasil e o Irã o saldo continua positivo, mesmo com Dilma no comando.
Na terça-feira, por exemplo, a chancelaria iraniana chamou o embaixador da Dinamarca, simplesmente, porque o país detém a presidência rotativa da União Europeia, com o propósito de manifestar seu desagrado com as novas sanções. O argumento é que elementos da UE, seguindo as políticas dos americanos, buscam gerar tensão nas relações com o Irã, acrescentando que a Europa será responsável pelas consequências dessas decisões. Mas acontece que a Europa está mesmo decidida a reduzir em até 50% os lucros do Irã, com a venda de petróleo através de sanções anunciadas, na segunda-feira, e que entrarão em vigor em junho, apesar de a UE ser responsável pela compra de apenas 18% do petróleo iraniano.
De Londres, na terça-feira também, o secretário britânico de Defesa, Philip Hammond, afirmou que o país ampliará sua presença no estreito, para impedir qualquer ataque do Irã, dificultando a passagem de petroleiros. Estrategicamente, já foram levados um navio britânico, um francês e um porta-avião americano, para que fiquem no estreito. O chanceler foi claro: “Estamos enviando um claro sinal da resolução da comunidade internacional: defender o direito ao livre trânsito por águas internacionais”.
Ou seja, manda quem pode, obedece quem tem prestígio.
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