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A melhor Copa de todos os tempos

O Brasil tem tradição em futebol, a paixão nacional, e, por isso, acompanha cada passo do ministro Aldo Rebelo. Seu currículo é extenso: Aldo Rebelo já atuou como jornalista, escritor e líder estudantil. Mas se destaca mesmo quando o assunto é política, território em que tem mais de três décadas de experiência. Ao longo desses anos, foi eleito deputado federal por seis mandatos, presidiu a Câmara dos Deputados e coordenou projetos importantes para a consolidação da democracia no Brasil, como o Código Florestal. Por méritos indiscutíveis, atualmente comanda o Ministério do Esporte, período em que a pasta passa por uma fase memorável.

Já que a Copa do Mundo é nossa, Brasília Em Dia teve a oportunidade de perguntar a Aldo Rebelo: afinal, o Brasil estará pronto para sediá-la, em 2014, assim como as Olimpíadas de 2016? O ministro não tem a menor dúvida que o evento será exemplar. "A expectativa é que 300 mil turistas estrangeiros venham ao Brasil durante a Copa de 2014 e que cerca de três milhões de brasileiros se movimentem no país naquele período", avalia Aldo Rebelo, com a confiança de quem sabe do que está falando.

O ministro, aliás, não vê motivos para alarde, ainda que quarenta e um por cento das obras dos estádios estejam atrasadas. "Somos a sexta economia do mundo, temos protagonismo importante nas relações internacionais e já fizemos muita coisa mais importante do que organizar uma copa de futebol, com todo o respeito pelo evento da FIFA, que considero o maior do mundo", afirma.

Na entrevista, entende-se porque o ministro tem tanta credibilidade, fazendo com que até mesmo a FIFA, depois de declarar que o Brasil precisava de um "chute no traseiro", se rendesse ao trabalho de Aldo Rebelo e do Comitê Organizador Local (COL): "Houve pedidos de desculpa e as relações do Brasil com a FIFA continuam normais e buscando um objetivo comum que é a realização da melhor Copa do Mundo de todos os tempos".

- Ministro, o senhor já foi jornalista, escritor, líder estudantil e militante. Como é este outro lado do poder, sair da oposição para a situação?

- Na oposição ou na situação, o que norteia a minha atuação política e a do meu Partido é a luta pela independência econômica, cultural, científica e tecnológica do Brasil e a busca permanente do aprofundamento da nossa democracia, com a redução das desigualdades sócio-econômicas, o acesso cada vez mais amplo dos brasileiros ao mercado de trabalho com salários dignos e aos serviços de saúde, educação e segurança.

- O senhor, antes de ocupar o maior cargo do Ministério do Esporte, foi relator do projeto do novo Código Florestal. Como o ministro enxerga os vetos feitos pela presidente Dilma Rousseff ao Código, que tem sido motivo de muita polêmica?

- Minha opinião e meu entendimento sobre o ordenamento jurídico brasileiro em relação à preservação do meio ambiente e à produção da agroindústria e da pecuária foram explicitados naquele relatório. E continuam os mesmos. A presidenta Dilma vetou sancionou a lei com os vetos que ela entendeu importantes para o interesse nacional. Julguei meu dever apontar os interesses comerciais externos escondidos no debate do Código Florestal.

- Antes de o senhor assumir a pasta, o Ministério do Esporte apresentava uma gestão com denúncias de fraudes e irregularidades. O que foi constatado nesses oito meses a frente do Ministério? A cadeira de ministro tem os seus espinhos?

- Aquelas denúncias não foram provadas. O próprio denunciante se negou a depor no Congresso e na Justiça para reiterar ou retirar o que dissera. O que a cadeira de ministro tem é muito trabalho. Ninguém tem o direito de dizer que as obrigações de quem ocupa cargo público são espinhos.

- Como é a relação com a presidente Dilma Rousseff?

- É a relação de um ministro com a chefe do Governo. Respeitosas e de confiança.

- O secretário geral da FIFA, Jérôme Valcke, há alguns meses não moderou as palavras ao avaliar a situação dos estádios-sede da Copa do Mundo de 2014, afirmando que o Brasil "precisa de um chute no traseiro". E agora, o governo vive um bom momento com a FIFA?

- Nunca houve atrito entre as entidades Fifa e o governo brasileiro. O que aconteceu foi a manifestação de um funcionário daquela organização, que consideramos inoportuna e deselegante e que repelimos prontamente. Houve pedidos de desculpa e as relações do Brasil com a Fifa continuam normais e buscando um objetivo comum que é a realização da melhor Copa do Mundo de todos os tempos.

- Também o presidente da FIFA, Joseph Blatter, reconheceu alguns problemas nos preparativos para a Copa.

Porém, o tom usado foi menos agressivo. O senhor, agindo nos bastidores, acredita que a FIFA confia no Comitê Organizador Local?

- A Fifa confia. E não teria nenhuma razão para não confiar na capacidade dos brasileiros de preparar bem o País para sediar a Copa. É uma honra organizar a Copa do Mundo de Futebol, mas o Brasil já fez coisas mais importantes e mais difíceis do que uma Copa.

- A Copa do Mundo é uma vitrine mundial, chance única para o Brasil se mostrar um país pronto para o futuro. Já podemos dizer que ela não corre o risco de sair do país?

- Nunca houve esse risco. Desde que foi escolhido para sediar a Copa Fifa 2014, o Brasil não corre risco de ver o torneio ser levado para outro lugar. Afinal, somos a sexta economia do mundo, temos protagonismo importante nas relações internacionais e já fizemos muita coisa mais importante do que organizar uma Copa de Futebol, com todo o respeito pelo evento da Fifa, que considero o maior do mundo.

- O senhor tem sido um interlocutor fundamental para Copa do Mundo, recebendo um parecer favorável até da FIFA, que estava receosa quanto à infra-estrutura do Brasil e atrasos no cronograma. Qual o diagnóstico atual dos preparativos para a competição?

- Os preparativos para a Copa estão dentro dos prazos estabelecidos nos cronogramas. Os atrasos, onde eventualmente existam atrasos, são quase insignificantes. As obras essenciais para a realização da Copa estarão prontas – com qualidade – e serão uma importante contribuição para o sucesso do evento.

- 41% das obras da Copa nem começaram a ser construídas. Afinal, as cidades-sede estarão prontas para fazer da Copa do Mundo o maior evento esportivo já realizado no Brasil?

- Como eu disse, tudo estará pronto. Nas cidades sedes dos jogos, há um trabalho harmonioso e plenamente integrado dos governos federal, estadual e municipal. Nossas cidades vão receber com competência e oferecer a quem passar por elas durante a Copa, e permanentemente para quem vive nelas, segurança e tranquilidade.

- A comissão de juristas constituída para elaborar o anteprojeto do novo Código Penal aprovou a descriminalização de drogas ilícitas para uso pessoal. Por conta do fator cultural, isso é viável no Brasil? Pode interferir no segmento esportivo?

- Drogas, quaisquer que elas sejam, e esporte são incompatíveis.

- E quanto à liberação da venda e do consumo de bebidas alcoólicas nos estádios, qual seu posicionamento?

- Durante os jogos da Copa do Mundo – em determinados horários e locais – será permitida a venda de bebidas para que se cumpra o compromisso assumido com os parceiros da Fifa, de permitir a comercialização de seus produtos. O Brasil não é exceção. A venda de bebidas durante os jogos da Copa acontece em todos os países que sediam o torneio. Na Russia em 2018 e no Qatar – que é um país muçulmano – a venda também será liberada.

- Brasília receberá importantes jogos tanto na Copa do Mundo, como também na Copa das Confederações. O andamento das obras na capital é um exemplo a ser seguido, ou ainda há muito que se percorrer?

- A obra essencial para a Copa em Brasília, que a construção do estádio está adiantada e vai orgulhar o Brasil. O novo Mané Garrincha é construído com o que há de mais moderno na engenharia, na tecnologia da informação e atende todos os requisitos de sustentabilidade.

- Apesar do Estádio Nacional de Brasília Mané Garrincha ser um dos mais adiantados, em uma avaliação sistêmica, a cidade pode se tornar caótica durante a Copa do Mundo.

Um exemplo é a mobilidade urbana, que mesmo em períodos não-festivos deixa a desejar. O que fazer para evitar um colapso?

- Brasília é uma das cidades brasileiras com menos problemas de mobilidade. O estádio está localizado em região muito próxima dos hotéis, com acesso pelas seis pistas do eixo monumental.

A seleção brasileira e praticamente todas as grandes equipes do futebol nacional já jogaram no Mané Garrincha e nunca houve grandes transtornos. O risco de caos por causa dos jogos da Copa do Mundo não existe.

- Aliás, em todo o país os problemas com transportes – aéreo ou terrestre – são alarmantes. Quais ações estão sendo tomadas pelo governo para reduzi-los?

- A expectativa é que 300 mil turistas estrangeiros venham ao Brasil durante a Copa 2014 e que cerca de 3 milhões de brasileiros se movimentem no país naquele período. Todos os anos, durante o Carnaval e boa parte do verão, cidades que vão sediar os jogos – Fortaleza, Salvador, Rio de Janeiro, Recife – recebem muito mais visitantes do que os que virão para a Copa. Os aeroportos das cidades sedes, os portos dos nossos principais destinos turísticos passam por obras de modernização. A indústria hoteleira investe bilhões de reais para oferecer mais conforto aos turistas.Tudo isso contribui para a sucesso do evento da FIFA.

- O que o senhor espera da atuação do novo presidente da CBF, José Maria Marin?

- Que ele atue para que o futebol brasileiro continue se qualificando dentro dos gramados e se modernizando na gestão dos clubes e na organização dos campeonatos.

- A violência nos estádios brasileiros preocupa o Comitê Organizador?

- Violência, onde quer que aconteça, preocupa. Mas o governo, os clubes, o Ministério Público e as lideranças das torcidas organizadas têm procurado formas de isolar as poucas pessoas que vão aos estádios com o intuito de fazer bagunça. As brigas têm acontecido mais fora do que dentro dos estádios. E os próprios torcedores vão se encarregar de dar fim à violência.

- O senhor esteve em Londres para acompanhar os momentos finais antes das Olimpíadas deste ano. Em 2016, é a vez do Brasil. Como está a preparação para este evento de tamanho porte?

- O Brasil pode classificar 250 atletas para os Jogos Olímpicos de Londres. Até hoje, 19 de junho, 242 estão garantidos em 31 modalidades. Será uma das nossas maiores delegações em olimpíadas. E temos boas possibilidades de melhorar nossa posição no quadro geral de medalhas. Evoluímos bastante no boxe, no judô, nos esportes aquáticos, no atletismo. No vôlei, no vôlei de praia, no futebol, já temos tradição. Temos que aproveitar os jogos deste ano como preparatórios para os do Rio em 2016. O governo tem contribuído bastante para a evolução nosso esporte olímpico com a transferência de recursos da Lei Agnelo/Piva (que destina recursos das loterias para os clubes), da Lei de Incentivo ao Esporte e da Bolsa Atleta, programa que garante ajuda financeira mensal depositada diretamente na conta do beneficiário. O sucesso da Bolsa pode ser medido na delegação que vai a Londres: 78 bolsistas conseguiram classificação para a Olimpíada.

- Quais as lições de Londres que podem ser copiadas pelo Rio de Janeiro?

- Em maio, estive em Londres e conversei com o ministro da Cultura, Mídia e Esportes. Pedi a ele a criação de uma comissão para vir ao Brasil acompanhar a organização dos jogos. A mesma coisa, fizemos com o governo da China que sediou os jogos passados vamos aproveitar a experiência dos dois países para prevenir problemas e evitar equívocos.

- Ministro, como o senhor rebate as críticas de que os estádios construídos tanto para a Copa do Mundo, quanto para as Olimpíadas, no futuro podem se tornar grandes "elefantes brancos"?

- Essas críticas só podem vir de pessoas que não compreendem o desenvolvimento do futebol brasileiro e das nossas cidades. Os estádios em construção, ou em reforma, são muito mais do que campos de futebol. São arenas multiuso, onde funcionam centros comerciais, centros de convenção, escritórios, cinemas, teatros, restaurantes. Com esses estádios, os torcedores terão mais incentivo para ir aos jogos das equipes locais.Os clubes terão mais condições de levar ás cidades grandes equipes de outros estados e até de outros países para jogos amistosos, torneios.

- As escolas brasileiras, no futuro, podem aproveitar essas estruturas e darem maior incentivo ao esporte, integrando-o à formação educacional?

- Certamente poderemos organizar parcerias dos clubes com prefeituras e governo estaduais para o aproveitamento desses espaços.

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