Claudia Pereira

claudiaOBSERVATÓRIO GERAL CCLXXIV
15 de fevereiro de 2012.

 

Fontes: Dominique Moïsi, in: A geopolítica das emoções; e entrevista para a revista Valor
Econômico: Eu & Fim de Semana, 23, 24 e 25 de dezembro de 2011.

 

Futuro Desconhecido

 

O século 21 vem revelando, dia a dia, as contradições econômicas, políticas e sociais do mundo ocidental. O sistema capitalista parece ter perdido as rédeas da economia e se entregou à gestão financeira. O sistema político vem demonstrando uma imensa incapacidade de administrar a democracia e comandar o Estado. A sociedade, vítima desta inoperância, vem se rebelando contra tudo e contra todos que lhe cause perdas e, principalmente, desemprego. Entre rebeliões, protestos e manifestações, avançamos, sem bússola, rumo ao futuro desconhecido.

 

Geopolítica

 

Em 2011, em meio a crises e levantes, surgiu uma série de reações como os chamados indignados na Europa, Espanha e o Occupy Wall Street, nos EUA, que demonstram que a maneira como a política está organizada gera muitos questionamentos. Nesse contexto, o Ocidente perde peso relativo, a Ásia renasce, os emergentes ganham novo peso e a geopolítica está em franca transformação, é o que nos ensina o professor da Universidade de Harvard, especialista em geopolítica e política internacional, Dominique Moïsi.

 

Descrença

 

Segundo o professor Moïsi, presenciamos, em 2011, o início de um processo revolucionário que pode mudar a posição de uma parte do mundo, os países árabes. Ele diz ainda que em 2011 assistimos ao inabalável processo de crise que vai, pouco a pouco, afundando os países ocidentais. Os próprios protestos árabes têm uma parte de sua origem na crise econômica: eram países com um absurdo desemprego de jovens. A Europa, impactada pela estagnação e o risco de ruptura, deve se precaver contra a descrença na democracia.

 

Alertas

 

Em entrevista a Diego Viana, da revista Eu & Fim de Semana, do jornal Valor Econômico, Dominique Moïsi lembra que a Primavera Árabe, mudou a história do mundo muçulmano. Contudo, no mundo ocidental, ele diz, o medo só teve motivos para se aprofundar na medida em que a crise na Europa se multiplicou e ameaça carregar consigo os EUA. Monsieur Moïsi faz alguns alertas: segundo ele, na terra do Tio Sam, qualquer iniciativa do governo Barack Obama rebate na “muralha dos vetos do Partido Republicano”. Na Ásia, ele comenta: “(…) por enquanto, não parece haver motivo para perder a esperança”. Mas, sobre a China, é preciso ficar atento ao crescimento, pois, tudo indica, deverá desacelerar. Quanto ao Brasil, Índia e Turquia, esses países devem encontrar seus papéis na nova geopolítica.

 

Imperativos Afetivos

 

Dominique Moïsi analisa os conflitos do presente com os imperativos afetivos que regem os povos. Segundo ele, a Europa e os EUA (ocidente) são marcados pelo medo. Medo do outro, da decadência, do desemprego. Já os países árabes são vítimas de uma “cultura de humilhação” resultante de uma história de ditaduras, invasões e pobreza. Por fim, ele diz, o epicentro da “cultura da esperança” que se espalha pelo mundo emergente é a Ásia, cujos povos anteveem desenvolvimento e poder político.

 

Mundo Árabe

 

O professor Moïsi entende que “(…) Os egípcios que continuam protestando depois da derrubar Mubarak não vão se contentar com qualquer coisa. Eles conquistaram a vontade e o poder de reconstruir o país. Uma mudança como essa não acontece da noite para o dia. Partidos islâmicos ganharam na Tunísia e no Egito, mas muita água ainda vai rolar debaixo dessa ponte. Não se pode dizer que a Primavera Árabe foi suplantada pelo “inverno islamita”, até porque existem muitos tipos de islamismos e nem todos são obscurantistas”.

 

EUA

 

Sobre os EUA, Dominique Moïsi diz que: “(…) Os americanos tiveram um repique de esperança com a eleição de Obama em 2008, mas voltaram à lógica do medo que se cristalizou nos vetos republicanos. Isso gera um marasmo no campo político e demonstra a impossibilidade do Ocidente de lidar com as grandes mudanças do mundo. Uma posição que perdeu sua zona de conforto que durou 250 anos”.

 

China

 

Quanto à China, o senhor Moïsi analisa “(…) Os chineses têm orgulho do seu crescimento econômico. Um crescimento que em 2012 será mais lento porque o mundo está comprando menos. Os chineses estudam com muita atenção a diplomacia alemã entre 1871 e 1914 e estão corrigindo alguns erros da cartilha de Weimar. Mas isso pode mudar a qualquer momento. Enquanto a economia for bem, é provável que consigam manter uma diplomacia saudável, como a Alemanha no século XIX. Mas quando apertar, tudo pode mudar, porque os imperativos da manutenção do desenvolvimento podem começar a falar mais alto e a produzir exigências nas políticas do país”.

 

Comics

 

O século 21 vem revelando, dia a dia, as contradições econômicas, políticas e sociais do mundo ocidental.

 

Entre crises e levantes, surgiu uma série de reações como os chamados indignados na Europa, Espanha e o Occupy Wall Street, nos EUA.

 

A Europa e os EUA (ocidente) são marcados pelo medo. Medo do outro, da decadência, do desemprego.

 

Já os países árabes são vítimas de uma “cultura de humilhação” resultante de uma história de ditaduras, invasões e pobreza.

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