Não faz muito Fernando Pimentel viu-se blindado por Dilma Rousseff. Guido Mantega integra a lista dos queridinhos da chefe do governo. E Aguinaldo Ribeiro acabou de receber o endosso explícito da presidente da República ao ser nomeado para o lugar de Mário Negromonte. Qualquer restrição a um deles, mesmo retórica, abalaria o governo atual. Precisamente o contrário do que aconteceria caso o Conselho de Ética concluísse pela inocência da trinca.
A Comissão de Ética Pública da Presidência da República, que não é subordinada à própria, quer dizer, à Presidência da República, acaba de ultrapassar a Alemanha de 1914 e de 1939: em vez de abrir hostilidades em duas frentes, abriu em três. Trata-se de um risco ou de uma estratégia? Quem quiser que responda, mas pode dar em fracasso investigar ao mesmo tempo os ministros Fernando Pimentel, do Desenvolvimento Industrial, Aguinaldo Ribeiro, das Cidades, e Guido Mantega, da Fazenda, este indiretamente, através do ex-chefe da Casa da Moeda, Luis Felipe Danucci.
Investiga-se diante de denúncias. Os denunciados não são réus, pelo menos de início, mas dúvidas inexistem de que se encontram na defensiva, ou seja, sendo atacados.
Alguém supõe que depois das investigações a Comissão de Ética possa vir a sugerir a demissão dos três ministros, como já fez inidividualmente com relação a outros agora ex-ministros? Isso jamais aconteceria, pela natureza das coisas e pela lei das compensações. Sendo assim, há quem suponha que os processos agora abertos destinem-se a inocentar os três ministros, sobrando algum petardo apenas sobre o funcionário demitido da direção da Casa da Moeda.
Política costuma ser a arte de unir dois pontos por uma linha curva. Não faz muito Fernando Pimentel viu-se blindado por Dilma Rousseff. Guido Mantega integra a lista dos queridinhos da chefe do governo. E Aguinaldo Ribeiro acabou de receber o endosso explícito da presidente da República ao ser nomeado para o lugar de Mário Negromonte. Qualquer restrição a um deles, mesmo retórica, abalaria o governo atual. Precisamente o contrário do que aconteceria caso o Conselho de Ética concluísse pela inocência da trinca. Quem quiser que opine, sem esquecer que uma guerra aberta em três frentes distintas destina-se à derrota em todas...
O Congresso não ficou vazio, na semana que precede o Carnaval, mas número para votações de importância, não houve. Nem pauta condizente com os grandes projetos em tramitação. Comissões funcionaram, audiências públicas também, na Câmara e no Senado. Discursos foram pronunciados. A semana, porém, caracteriza-se pela desimportância, por conta da falta do quorum necessário para deliberações de vulto.
A próxima? Nem pensar, pois até a quarta-feira de Cinzas será dia sem trabalho no Legislativo. Deputados e senadores ficarão todos, ou quase todos, em seus estados. País rico é assim mesmo, já de olho na Semana Santa. A sexta-feira da Paixão é feriado, mas alguém imagina o comparecimento parlamentar maciço desde a segunda-feira?
Desde a proclamação da República vem sendo detectadas correntes militares distintas, muitas vezes conflitantes. Uns ficaram com Deodoro, outros com Floriano. Para encurtar a conversa, nas vésperas de 1964 existiam os que apoiavam João Goulart e os que o depuseram. No curso do regime então estabelecido, oscilavam a “linha-dura” e os partidários da democratização. De lá para cá as Forças Armadas fecharam-se em copas, até engolindo sapos em posição de sentido.
Pois agora emergem outra vez duas correntes, felizmente sem conotações institucionais, ainda que nítidas: de um lado aqueles que sufocaram o general Gonçalves Dias por sua ousadia em dialogar com os policiais grevistas, na Bahia, e de outro quantos, em número crescente, viram na atitude do comandante da Sexta Região Militar um exemplo de grandeza. É a rigidez castrense, necessária, frente ao ideal da pacificação, imprescindível.