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A cidade dos contrastes

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Data de Publicação: 9 de agosto de 2008
Por José Alberto Couto Maciel

Dubai – Quando você desembarca do 777 da Emirates Airlines em Dubai, imagina que vai ingressar no maior free shop do mundo, em razão da propaganda e das fotos. Este existe, mas só dá para conhecer na volta, porque na chegada é preciso andar em um ônibus, durante mais de 20 minutos para alcançar as malas, uma vez que o aeroporto, como quase a cidade inteira , está ainda em construção.

Abrem-se as portas do aeroporto e o turista, pela primeira vez, alcança a rua, e nela vê dezenas de ventiladores espalhados, tentando amenizar o calor, em uma temperatura de 50 graus, mulheres vestidas de preto até os olhos (abayas), e homens de branco (canduras). Logo de imediato, você sente que está ingressando em uma civilização que vive com costumes da antigüidade e constrói uma fantástica cidade sobre o deserto onde, há alguns anos, nada existia. Isto é Dubai, um misto entre entre a cultura antiga e ainda viva, e a tecnologia do futuro.

Eu e minha mulher nos hospedamos no Hotel Alqzar, que faz parte do complexo de Hotéis Jumeirah, no qual se encontra o Burj Al Arab, com formato de uma vela alcançando o mar. Este hotel, embora mais famoso, não tem as opções existentes no que ficamos, pois é mais fechado, em uma ilha artificial, sendo que a praia e os rios para chegar ao Sulk (mercado que rodeia a região), ficam dele um pouco afastados.

Tudo é artificial, e se achamos que Brasília foi construída de forma rápida, basta dizer que existe lá uma avenida, de mais de 20 quilômetros, com edifícios acima de quarenta andares, que foi toda construída em cinco anos.

A marina, bairro novo, comporta mais de trinta prédios, com um lago artificial no meio, e, do hotel em que ficamos, pegávamos uns barcos (abras), para ir ao mercado, através de rios também artificiais.

A cidade vive à base do turismo e do petróleo, e o governo monárquico está compensando o final do óleo em seus poços petrolíferos com a renda do turismo, o que já está acontecendo, porque é fantástico o número de turistas do mundo inteiro.

A temperatura nesta época não é a melhor, varia entre 45 e 50 graus, sendo que a rua não é usável para o pedestre, pois foge-se do calor entrando de ar refrigerado em ar refrigerado. A própria praia tem o mar mais quente do que a areia, em uma temperatura que jamais imaginei existir.

Mas tudo em Dubai tem em vista o turismo, a grandiosidade em ser “o maior do mundo”. O shopping principal comporta todas as lojas internacionalmente conhecidas, além de uma pista de esqui, em local como se fosse um aquário, onde várias mulheres, vestidas com burcas, deslizam pelo gelo, em uma cena totalmente irreal.

O metrô, que ainda não está pronto, perde-se na visão do deserto; um dos edifícios, que está com 170 andares, deverá ter 190, as palmeiras artificiais, (são três avançando pelo mar), completam-se com casas cor de areia e edifícios nos troncos, e as ilhas, imitando o “mapa mundi” já estão aterradas, faltando construções e alguns compradores. A água de toda a cidade decorre da dissalinização da água do mar.

Restaurantes existem dos melhores para todos os gostos, mas, se você quiser, poderá também jantar no deserto, após uma aventura de jipe nas dunas, comendo carne de carneiro, com danças típicas.

Mas o importante mesmo não é ver todas estas construções, porque parece que mais de quarenta por cento dos guindastes existentes na terra estão em Dubai. O importante para mim foi sentir o contraste: de um lado, este mundo novo, fantástico e, do outro, mulheres de burca, andando atrás de homens que podem casar até quatro vezes, todas comprando bolsas Louis Vuitton e Fendi, porque este é o único acessório que podem mostrar.

Relevante é ver uma cidade, entre as sete que compõem os emirados árabes, desenvolvendo-se em um deserto, em local que há 10 anos nada existia, a não ser tendas, com uma população de 20 por cento de árabes naturais do local, estes morando em casas enormes, concedidas pelo governo, universidades pagas, inclusive no exterior, quantia de dinheiro volumosa quando do casamento, hospitais gratuitos e nenhum crime.

Estes cidadãos locais contrastam com os que constroem a maior cidade do mundo, ou seja, com indianos, ganhando um salário de fome, morando em acampamentos no deserto com 10 a 20 em cada quarto, e trabalhando 24 horas por dia, no calor de até 50 graus, o que lembra as construções das pirâmides de Keops, Kefrem e Mikerinos no antigo Egito.

Estas são as impressões que fiquei, tanto de Dubai, quanto de Abu Dhabi, capital dos Emirados e que, para não fugir a esta nova “tradição”, comporta o maior e mais luxuoso hotel sete estrelas do mundo, certamente construído com a mão-de-obra dos indianos.

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