A força de uma imagem
Data de Publicação: 30 de agosto de 2008
Por Marcone FormigaENTREVISTA - ORLANDO BRITOA dinâmica do fotojornalismo acompanha a velocidade com que a internet e a digitalização surpreendem com suas inovações. A época dos flashes e filmes está no arquivo de tudo que é jurássico. Não existe fronteira mais para esses profissionais que têm como ferramenta de trabalho câmeras moderníssimas, capazes de transmitir imagens de guerras, revoluções, tragédias ou disputas esportivas em questão de segundos, para qualquer ponto de um mundo cada vez mais globalizado.
E, nessa aldeia, os meios de comunicação fazem história em tempo real, transmitindo informações para bilhões de pessoas cada vez mais interessadas em acompanhar o que está acontecendo.
Orlando Brito é um dos mais completos fotógrafos brasileiros. Agora com 58 anos, conquistou prêmios como o World Press Photo do museu Van Gogh, de Amsterdã, na Holanda, em 1979, e por 11 vezes o Prêmio Abril de Fotografia, entre os quais o Hors-Concours, entre muitos outros, além de ter participado de mais de 40 exibições coletivas no Brasil e no exterior: Londres, Nova Iorque, Paris, Tóquio, Madri, Lisboa, Basiléia, Buenos Aires e muitas outras cidades.
Experiente, já percorreu 60 países em coberturas presidenciais, papais e esportivas, além de copas do mundo e jogos olímpicos.
Começou sua carreira aos 15 anos, no jornal Última Hora, de Samuel Wainer. De 1968 a 1982 trabalhou em O Globo, transferindo-se depois para a revista Veja, onde ficou durante 16 anos, e hoje tem a sua própria agência de notícias, a ObritoNews.
Nesta entrevista, ele analisa o fotojornalismo de ontem, hoje e o seu futuro.
– O que vem a ser fotojornalismo?
– É uma das armas mais modernas, eficazes e necessárias da comunicação. Uma forma de comunicação tal qual a palavra. Costumo dizer que a fotografia, enquanto fotojornalismo, é um idioma, idêntico a qualquer outro. É uma escrita com imagens. Assim como alguém que escreve um texto escolhe palavras, vírgulas e pontos, na fotografia escolhe ângulos, luzes e lentes. O fotojornalismo resulta, hoje, em uma das mais eficientes maneiras de comunicação. Não é à toa que os jornais e revistas usam a fotografia como forma de atrair os leitores e comunicar o que aconteceu.
– Na imprensa escrita, o bom repórter não aprende em faculdade. O senhor acha que o curso de fotojornalismo forma ou o fotógrafo sai com a teoria e uma câmera na mão?
– Quando comecei na profissão, existiam duas maneiras de se chegar a uma redação para ser fotógrafo. A primeira, era no volante da Kombi, a segunda era servindo cafezinho... Eu cheguei pela bandeja do cafezinho, e foi ótimo!
– Explique isso...
– Não existia faculdade, não se formava fotojornalistas. Para ser fotógrafo, ou você era o motorista, que resolvia um problema quando a redação não tinha um fotógrafo, ou era um contínuo que estava por ali, e mandavam fazer foto. Foi assim que cheguei ao jornalismo, começando por baixo; pude ver como funciona um jornal, desde seus subterrâneos. Comecei no jornal Última Hora, aqui em Brasília, e servia a grandes nomes, como Flávio Tavares... Hoje existem faculdades, formando jornalistas a cada semestre, e muitos saem de lá formados em fotografia. Há cadeiras, hoje, para formar fotógrafos. Evidente que, da bandeja do café até hoje, eu me aperfeiçoei, tentei enriquecer o meu conhecimento sobre o tema. Agora, não adianta somente a formação, como qualquer atividade da vida. O talento é essencial. Somente a formação não resolve, mas também só o talento também não. Deve haver uma coincidência muito grande de fatores. Além de ter nascido com algum talento, ter alguma formação, dominar a técnica é essencial. Sem dominar a técnica, ninguém vai a lugar nenhum; é assim com jogador de futebol, piloto de avião, e é assim também com o fotógrafo.
– Mais do que o jornalista, o fotógrafo tem que ter sensibilidade. Uma foto sintetiza uma situação que cabe em 10 laudas. Onde é que entra o feeling?
– Muita gente me diz que uma foto vale mais que mil palavras. Eu não concordo com isso. Eu acho que depende da foto e das palavras. Na fotografia de notícia, um fator que é essencial para todo fotógrafo é o feeling. Tem que ser treinado para ver, sentir, perceber. Os fotojornalistas são pessoas que têm uma sensibilidade muito grande em relação ao que vêem. Qualquer um dos fotógrafos que cobre a cidade, por exemplo; o sujeito sabe tudo a respeito de qualquer personagem, de qualquer fato. Ele é, realmente, aparelhado para estar ali, em nome do leitor, colhendo informação visual para repassar para quem está distante. Acontece muito, por exemplo, eu estou em uma cerimônia e tenho o domínio de praticamente tudo que está em minha frente. Eu sei o que significa aquele gesto, aquele olhar, que são daquele personagem em determinado setor da cerimônia. E você mergulha tanto no fato que, muitas vezes, pode parecer brincadeira mas não é, você pode prever o futuro. Você olha para uma cena e diz “aquele cara ali vai cair”, porque está tão ligado no que está acontecendo, que dificilmente não perde o domínio do que está ocorrendo. Só um imprevisto muito grande para mudar o domínio da sua visão sob aquela cena.
– O exemplo clássico, foto de Erno Schneider de Jânio Quadros (quase tropeçando nos próprios pés, horas antes de renunciar à Presidência da República), o senhor diria que ele prenunciou?
– Eu acho aquela fotografia, a que mais tenha aberto o beliscão no ânimo dos fotógrafos de notícia. É um personagem, naquela época, 1961, a política não era propriamente um tema que dominasse os jornais, principalmente na área de fotografia. Aquela foto do Erno Schneider que, aliás, foi quem me levou para ir trabalhar em O Globo, demonstra uma série de coisas, como a importância de fazer chegar aos leitores uma situação política. E mais: inaugura a demonstração de que uma política revela muito mais de futuro do que de passado ou de presente. Pouco tempo depois, aquela situação em que o Jânio Quadros se apresenta, se configura com maior intensidade e ele acaba renunciando. Era, realmente, uma situação de dúvida. Aquela fotografia não é somente uma peça advinda do acaso, da sorte; é também a comprovação de que o fato, quando quer acontecer, busca alguém da área visual. Raramente se vê um fato que sobreviva sem imagem... Parece que o destino dos fatos está muito ligado ao visual, as pessoas verem o que está ocorrendo. Muitos fatos acontecem, mas sem a presença da imagem, não perduram.
– O senhor cobriu o regime militar, a Constituinte. Nesses dois casos, deve ter registrado boas imagens que chegariam até aqui. Quais?
– Diariamente, a gente acha que fez a imagem mais importante do ano, da vida. Isso é um tremendo equívoco, porque os fatos vão acontecendo, mudando, e você vai junto com os fatos e com a mudança do mundo. Eu pensei ter feito a foto mais importante da minha vida quando fotografei o general Ernesto Geisel, então presidente da República, na praia, em Natal. Aquilo era uma cena importante, naquele momento. Ele era um homem muito linha-dura, da ala lo Sorbonne do exército. Era refinado e ao mesmo tempo durão, de poucos sorrisos. Se procurar uma foto dele abraçando alguém, não existe, no máximo um cumprimento. Ele freava o desejo das pessoas de abraçá-lo com a mão. De repente, flagrei o general de short, em uma praia. Ao fazer aquela foto, achei que era a coisa mais importante na minha vida. Eu era um garoto de 24 anos, estava apenas começando e era apenas um parênteses da história. Um general se despindo da farda, do seu posto de durão, para mostrar que no governo dele viriam novos tempos, de abertura, de despir os espíritos. A cada tempo a gente vai reciclando, eu achava que ter fotografado o presidente Emílio Garrastazu Médici chutando uma bola era a última foto, a mais importante da minha vida, mas não foi! O tempo vai caminhando e a gente vai vendo, tem um sem-fim de imagens que a gente vai fazendo e acompanhado a história.
– Qual foi a mais importante?
– Cada fotografia tem uma importância para uma época. O conjunto de fotos do doutor Ulysses, durante o período militar, tem fotos que revelam a real gravidade de cada momento. Costumo dizer que o doutor Ulysses não tinha uma imagem, tinha uma esfinge. Ele era um daqueles personagens que a gente olhava e entendia, vendo seu semblante, a real gravidade do momento. Então, ele me proporcionou muitas imagens assim. Outras cenas, de personagens anônimos, como uma foto de uma pessoa que representa bem o momento da ditadura, da repressão. São civis, durante uma parada militar e, em cima destes, duas botinas do exército. Essa cena foi bem o espelho daquela época.
– Uma que sintetize a censura na época.
– Uma foto do Ziraldo em uma CPI, nos idos de 1970, com um cartaz na mão, uma obra dele toda riscada, censurada. A fotografia, aparentemente, não tem nenhum apelo visual, nenhuma forma que a qualifique como bonita. Mas a fotografia, para ser boa, não precisa somente ter beleza. Ela tem que, sobretudo, ter conteúdo. E aquela é uma fotografia que traz uma informação muito importante, em uma época em que as pessoas eram censuradas. Cada época tem uma fotografia que representa.
– Uma que simbolize a descompressão.
– Tancredo Neves com a mão na virilha? Eu tive a sorte de fazer essa fotografia, e um ano depois fomos ver que ela era uma fotografia chamada premonitória. Ler fotografias é uma atividade que todo mundo deveria fazer, com a maior atenção. Ela é um idioma, e você precisa lê-lo e compreendê-lo. Traz uma carga muito grande de comunicação, de forma que, ao ler com atenção, você vai perceber muita coisa que está no seu nariz.
– Por exemplo.
– Existe uma fotografia do início das “Diretas Já” que é incrível. Nela, é possível perceber, lendo essa imagem, uma série de fatos que estavam ocorrendo logo depois, e que a fotografia indica. Como o Tancredo Neves levantando uma tocha, ajudado pelo Franco Montoro, Ulysses presente na imagem, como sendo o ator principal daquele acontecimento e Fernando Henrique saindo da foto, quer dizer, saindo de cena para voltar depois... Tem o Antônio Carlos Magalhães procurando se manter na imagem, com parte do rosto aparecendo. Tem, também, surpreendentemente, uma mão que não se sabe de onde vem, em cima de Tancredo, e que já consultei a Deus e ao mundo e ninguém sabe. Aí, você começa a ler aquilo...
– Governo, guerras, tragédias e conflitos, sempre tem fotógrafo por perto. É correto considerar uma profissão de alto risco?
– Sim. A fotografia virou uma peça essencial também nas guerras. Quem não se lembra, talvez seja a imagem que mais esteja na mente das pessoas, da foto de Nick Ut, da chinesinha correndo, pegando fogo por causa de uma bomba, na guerra do Vietnã?! Aquela fotografia, por incrível que pareça, é responsável pelo fim da guerra; depois que ela foi publicada, parou o mundo, alguma coisa está errada com a humanidade... Ou, então, da foto do general Loan, atirando na cabeça de um civil? Enfim, a imagem está presente desde as primeiras guerras. Os donos das guerras mandavam para o front os desenhistas, porque não havia ainda fotografia, e, diante de seus patrões, desenhavam como foi a batalha. Os soldados de hoje vão para a guerra com uma farda que, mesmo levando um tiro, começa a injetar remédio, com a botina se pode saltar três vezes mais que com um sapato comum, o capacete não fura jamais, uma pílula equivale a pratos de comida, óculos que enxergam à noite, e vão com uma câmera fotográfica, a câmera faz parte da bagagem do soldado...
– Tem uma explicação para esse item?
– Antigamente, as coisas ficavam na nossa memória, segundo as fotografias que víamos. Hoje, não; a desgraça vai a bordo das bombas. A primeira coisa a chegar no alvo não é a bomba, é a imagem. Cada míssil tem na ponta uma câmera, isto é, chega junto com a desgraça, vê a bomba explodir. O mundo, atualmente, não pode prescindir da imagem. O caso das olimpíadas de Pequim, muita gente não se deteve nas imagens, talvez por falta de tempo, porque televisão dá essa idéia de que as imagens estão resumidas ali. Mas, se buscarmos as fotografias, veremos fotos magníficas. Podemos analisar melhor a imagem fotográfica, porque a imagem está parada, fixa no papel ou na tela do computador. Na televisão, não podemos perceber tanto os detalhes.
– Estrategicamente, o que significa?
– Os competidores, quando terminam os jogos, não vão assistir aos vídeos, preferem ver as fotografias, porque é quando eles se detêm nos detalhes, nas posições, posturas. A fotografia virou uma peça fundamental para o mundo moderno. Hoje, ao comprar celulares, a principal pergunta é quantos megas tem a câmera fotográfica. Imagina, você compra um telefone para fazer fotos! O que era para utilizar como som, acaba utilizando como imagem, é uma coisa incrível! Nós vivemos o mundo da comunicação, e a bola da vez é a imagem.
– A digitalização, a internet são um marco?
– Sim. Logo depois que passei a ser fotógrafo, quando eu viajava, ia um outro funcionário uma semana antes no local, para montar o laboratório fotográfico destinado a revelar os filmes. Isso mudou muito, cada fotógrafo recebe um laboratório portátil, que eliminou a dificuldade daquela peça gigantesca. O fotógrafo passou a ter a facilidade dele mesmo processar o seu filme, uma bolsa de meio metro por meio metro. O laboratório virou portátil, parecia que o mundo havia chegado ao máximo. Logo depois, se eliminou esse laboratório portátil, porque se mandava revelar o filme em uma hora, e dali se passava, por um quase computador, as fotos para a sede. Depois, surgiu o e-mail, era só escanear e enviar. Hoje, quando falo em filme, parece que estou na idade da pedra, e e-mail é peça de museu para a fotografia, nenhum fotógrafo usa mais.
– Como funciona agora?
– Agora, se retira o cartucho de memória, coloca-se no computador e manda direto para a página. Isso até o dia do encerramento dos jogos, porque uma olimpíada deixou de ser um conjunto de competições, mas, também, é uma grande feira internacional de tecnologia. As empresas de computação guardam seus grandes lançamentos para uma olimpíada, porque é a grande vitrine do mundo, são quatro bilhões de pessoas assistindo. Assim como a moda e outros produtos, o mercado da fotografia lança seus produtos nessa época, como a Canon, a Nikon... Agora, quando você faz um click, não precisa mais sacar o cartão de memória, a fotografia já está lá, a comunicação é um processo muito dinâmico. As empresas, como essas grandes marcas, não estão mais trabalhando em fotografia, já estão com todos esses parâmetros de resolução, megapixels, resolvidos para daqui a 20 anos. Elas estão se voltando para a simultaneidade, que a fotografia tem que acompanhar, e acompanha. O filme ficou somente para produções de colecionadores, fotografias de maior requinte, e não aquelas que vão para as páginas, mas para a parede dos museus. A fotografia digital chegou para ficar, eu imagino...
– Muita gente considera os fotógrafos intrusos. Você concorda?
– Sim e não. É evidente que pode ser um artefato um pouco intrusivo, ninguém pode negar que sem ele o mundo também não andaria, porque é um aliado da realidade. O presidente John Kennedy afirmava que, quanto mais uma pessoa é democrata, mais ela deixa mostrar-se. Logo, essa versão de que a câmera é intrusiva, que atrapalha o seguimento de qualquer cerimônia, é conversa de não-democratas. Quem é realmente democrata, deixa fotografar-se. É só olhar os grandes nomes da história, para comprovar. Na verdade, isso é uma falácia, porque o que mais se percebe hoje é a chamada evasão de privacidade. É raro alguém reclamar, verdadeiramente, de invasão de privacidade. Muitas vezes a pessoa produz uma privacidade, com o intuito de evadi-la. Eu não creio que uma câmera fotográfica seja intrusiva.
– Os paparazzi são irmãos bastardos do fotojornalista?
– Não. Os paparazzi, assim como as serpentes, são necessários. Existe um tipo de jornalismo que vive do trabalho que eles produzem. Não é só um tipo de jornalismo, também de personagens. Grande parte das celebridades vive desse movimento de troca de interesses entre paparazzi e elas mesmas. Eles só existem porque esses personagens também existem e possibilitam esse jogo.
– Cite um exemplo.
– Eu estava no Rio, certa vez, e uma atriz de telenovela ligou para a redação, convocando uma entrevista coletiva, para denunciar que ela não estava tendo paz, a imprensa não estava deixando-a tranqüila com o novo namorado. Então ela estava convocando uma coletiva para denunciar isso, e aproveitar para mostrar de vez o novo namorado. Ninguém apareceu, ela não tinha a menor importância, muito provavelmente o namorado era uma jogada que estava criando para aparecer. Quem é que não vê o que a cantora americana Britney Spears produz de fatos que não são naturais? Ela está vendendo o que esse tipo de mídia precisa e gosta, porque existe certo tipo de consumidor para isso, há quem se interesse. Todos sabem de atleta que se casa com apresentadora de TV para sair na mídia. É o que mais se vê, nesse chamado mundo das celebridades. Há personalidades que ficam viciadas, dependentes dos paparazzi.
– Existe até uma doença diagnosticada como LPM (loucos pela mídia)...
– Podemos lembrar o caso de uma princesa, que não conseguia mais viver longe desse frisson da imprensa, de gente correndo atrás, e acabou morrendo porque fez o motorista correr como louco, provocou um frisson que culminou com sua morte. Aquilo é a “midiomania”. Os paparazzi não são o único demônio da história, porque existem vários demônios, eles são somente um deles. As celebridades também são, elas fazem muita coisa.
– Passou a ser negócio, então?
– Quando eu trabalhava em uma revista de São Paulo, por exemplo, fui a um jantar em que estava o Wilson Fittipaldi e a então senhora, acho que era a Maria Helena, e, conversando, o meu chefe puxou o assunto “Pôxa, que bom que vocês são um casal com muitos amigos”, e o Émerson disse: “Pois é, e você vê que nós nem somos casados”. Aí ele propôs para Émerson: “Você tem amigos no mundo inteiro. Porque vocês não se casam? Vamos pensar em um grande negócio, a gente aluga um castelo em Paris, você convida seus amigos famosos americanos, mais os da Europa e nós levamos alguns amigos daqui, fazemos umas permutas com a companhia aérea e com o hotel”. E, enfim, Wilson se casou no castelo, a revista saiu, os amigos foram para a festa, e os leitores adoraram. Tudo em nome do acontecimento, das páginas. Então, esse não é um mundo habitado somente pelo demônio chamado paparazzo. Se não há fato, não há foto. Se o paparazzo existe, é porque existem pessoas querendo gerar fotografias daquele tipo. Quantas vezes você vai à Ipanema, Leblon, e vê atrizes que estão fora da próxima novela, com atores que também estão fora da próxima novela se beijando, se agarrando, favorecendo uma situação para ser publicada, para serem lembrados? Essa é uma questão que tem vários ângulos para ser vista, um deles é o paparazzo, autor de uma imagem de alguém que, na verdade, está utilizando essa pista.
– Qual foi a foto que o senhor não fez, mas gostaria de ter feito?
– Um sem-fim de fotos. Por exemplo, eu gostaria de estar nessa olimpíada, aquele manancial de fotografias. Também gostaria de ter pego a era Pelé, eu peguei o finalzinho, fotografei pouco. Gostaria de ter ido à Guerra do Golfo, mas não reclamo do que tenho produzido até hoje. Acho que dei uma contribuição muito grande para a história do Brasil, produzi muita coisa que as pessoas não viam e passaram a ver. Sempre tive a preocupação de produzir um trabalho opinativo, mas com a menor interferência possível, para que as pessoas pudessem observar com a maior proximidade da realidade, ou daquilo que nos é posto como realidade.
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