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Coisas que não entendemos

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Data de Publicação: 5 de julho de 2008
Por: Carlos Chagas
E-mail: cchagas@brasiliaemdia.com.br


Tem coisas que não entendemos, nós, excluídos da esotérica ciência da economia. O Brasil é o maior produtor mundial de etanol tirado da cana de açúcar, sucessor do petróleo em extinção. Metade de nossa frota automotiva já é movida a álcool. Temos terra, sol e água em profusão, capazes de multiplicar em muito a produção, mesmo sem atingir a floresta amazônica.

Sendo assim, o preço do etanol deveria, no mínimo, manter-se onde está. O problema é que acaba de ser elevado esta semana, junto com outros combustíveis.

O pretexto do governo é de que, para criar no planeta o costume do uso do etanol, precisamos exportar cada vez mais. E para não faltar lá fora, o risco é de faltar aqui dentro. Por isso, eleve-se o preço em nosso território...

O descaso pelas necessidades do cidadão brasileiro parece histórico, Mas, convenhamos, assim é demais. Vão ser globalizantes assim na casa da Mãe Joana. Para que o estrangeiro passe a alimentar seus automóveis com álcool, sacrifica-se nossa população.

Eis uma equação invertida, porque é o resto do mundo que precisa e mais vai precisar do combustível renovável e não poluente. Eles que paguem mais caro pelo etanol que importarem, não nós, que dispomos dessa riqueza.

É claro que não são apenas as exportações o motivo desse deslavado aumento. Se os exportadores lucram, da mesma forma, os produtores ganham. E o governo, por meio de mais impostos.

O diabo é que a conta sempre vai para o brasileiro comum. Elevando-se o preço do etanol, eleva-se o custo de tudo o que é transportado por caminhões, a começar pelos alimentos. O resultado é a volta da inflação, temida por todos.

Como conclusão, perdemos excelente oportunidade de ver o dragão contido em sua jaula...

CONSELHO DE ÉTICA PARA SERRA?

Declarou o governador José Serra apoiar a candidatura de Geraldo Alckmin à prefeitura paulistana, depois da recente convenção municipal do PSDB.

O problema é que, no mesmo dia, o governador de São Paulo solidarizou-se com Gilberto Kassab, na verdade o seu candidato, comparecendo a uma inauguração e deixando-se fotografar com ele.

Mesmo formalmente aliado a Alckmin, Serra trabalha pela reeleição do prefeito. Basta ver quantos tucanos integram a campanha de Kassab, até recusando-se a respaldar o ex-governador.

Por conta disso, e sem que Geraldo Alckmin participe da iniciativa, tem gente no PSDB querendo levar o governador ao Conselho de Ética do partido. Certamente a direção nacional do partido vai desestimular essa reação, mas o racha no ninho não deixará de respingar na candidatura presidencial de 2010. Especialmente, se nem Kassab nem Alckmin saírem vitoriosos, perdendo ambos para Marta Suplicy.

EXEMPLO DE COSTA E SILVA

Mal empossado na presidência da República, Costa e Silva compareceu a um almoço oferecido pela Associação Brasileira de Imprensa. À sua direita, estava a condessa Pereira Carneiro, proprietária do Jornal do Brasil, que, para quebrar o gelo, foi logo prometendo “críticas construtivas” por parte do matutino.

O marechal, avesso a protocolos e cerimônias, segurou o braço da velha senhora e disse: “Olha aqui, condessa, esse negócio de ‘crítica construtiva’ é muito perigoso. Do que eu gosto mesmo é de elogio!”

Guardadas as proporções, o presidente Lula parece estar seguindo as lições de Costa e Silva, nesse particular, porque detesta qualquer tipo de crítica, construtiva ou não. Em Tucumán, na Argentina, ouviu queixas de diversos presidentes de países do Mercosul diante do comportamento das respectivas imprensas, e não se fez de rogado: “Comigo é a mesma coisa.”

Com todo o respeito, os governantes da região deveriam lembrar que, no tempo das ditaduras enfrentadas por todos, era muito pior. Com a mídia censurada, suas críticas pouco se viam conhecidas. Será que agora pretendem apenas elogios?

“QUEREM ME VER NA CADEIA”

Queixou-se José Dirceu, um dia desses, que seus adversários não vão sossegar enquanto não estiver condenado, cumprindo pena de cadeia.

Por mais que negue qualquer envolvimento no mensalão, o ex-deputado é réu perante o Supremo Tribunal Federal e corre o risco de condenação, mas exagera quando supõe detenção ou reclusão. Seria a primeira vez, desde a democratização, que esse tipo de acusação terminaria em cadeia. No máximo, prestação de serviço comunitário.

Mesmo assim, a muito longo prazo, porque o próprio ministro-relator, Joaquim Barbosa, prevê longos anos até a conclusão dos quarenta processos que correm na mais alta corte nacional de justiça.

ASSIM É DEMAIS

Um exagero na sessão solene realizada pelo Senado para homenagear a memória de José Marti, herói da independência de Cuba: como um dos oradores, o deputado Adão Preto, do PT do Rio Grande do Sul, referiu-se ao regime cubano como “uma abençoada ditadura”. Aqui para nós, nenhuma ditadura pode ser abençoada. O parlamentar lembrou haver estado na ilha e verificado não haver fome, miséria, mendigos, crianças abandonadas e desemprego. Mesmo discutindo suas impressões de viagem, é bom deixar claro que essas conquistas bem que poderiam registrar-se em clima de liberdade.

O presidente do Senado, Garibaldi Alves, preferiu elogiar as realizações nos planos da educação e da saúde, em Cuba, mas saltou de banda na hora de analisar o regime.

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