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O bom samaritano...

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Data de Publicação: 12 de julho de 2008
Tomando a iniciativa de se afastar da Microsoft, Bill Gates, depois de comandar por 33 anos a empresa, anunciou em Redmon, no estado de Washington, que estava se despedindo, sem conter a emoção quando o diretor-executivo, Steve Ballmer, entregou-lhe um presente na forma de um enorme álbum de recortes, com a assinatura dele em alto-relevo na capa... Antes de enxugar as lágrimas, quando era aplaudido de pé pelos empregados, desabafou: “Não haverá um dia na minha vida em que não estarei pensando na Microsoft, nas coisas que estamos fazendo e querendo ajudar”.

Também Ballmer, um talento descoberto por Gates, apenas balbuciou um discurso, sem conseguir conter a emoção: “Não há como agradecer a Bill. Bill é o fundador. Bill é o líder. Este é o bebê de Bill”...

Foi com seu amigo de infância, Paul Allen, que Bill Gates fundou a Microsoft, em 1975, com a determinação de colocar um computador em cada mesa e em cada casa. Sua vontade é expressiva se for levado em consideração o fato de que existem hoje um bilhão de PCs, mas com a ressalva de que 90% deles usam o sistema operacional Windows, da Microsoft.

Aos 52 anos, Gates resolveu se aposentar, iniciando um novo desafio – quer se dedicar à filantropia em tempo integral por meio da Fundação Bill & Melinda Gates, que fundou com sua mulher, ocupando agora a presidência do Conselho de Administração da empresa, além de cooperar em projetos especiais de tecnologia.

Como Bill Gates chegou ao topo do capitalismo? O que o transformou em um nerd de uma indústria que movimenta bilhões de dólares em todo o mundo para se dedicar à filantropia?

Tudo começou em uma garagem de Seattle, berço dos grunges consagrados pelo Nirvana, do suicida Kurt Cobain. Com o seu amigo de infância, Bill Gates passava horas estudando ou desenvolvendo projetos tecnológicos e futuristas sonhando em abrir mais e mais janelas para conseguir a independência financeira. Acabaram descobrindo que os softwares são a alma do negócio, porque dão a cor, graça, som, forma e vida aos computadores. Na biografia escrita por Daniel Ichibiah e Susan Knepper, é revelado que Gates reciclava programas de pequenas empresas. Com o Digital Eletric e Seattle Computers, teria criado o sistema operacional DOS, que serviu de base para o Windows.

Mas a IBM só percebeu muito depois que o crescimento da microempresa a que havia se aliado era uma ameaça séria. Na época, início dos anos 80, ninguém tinha a visão de longo alcance como Gates, consciente do que queria e de como faria. Depois disso, passou a despertar o interesse da mídia mundial, apontado como o “Messias do Software”, anunciando para o futuro o domínio de toda a informação de ponta do dedo indicador. Já havia mesmo indicadores de que o homem tinha potencial para se sagrar um mito. Alguém como John Rockfeller, odiado por nove em cada 10 americanos. Ou Henry Ford, idolatrado na mesma proporção.

Passou a ser considerado um gênio, não só pela sua capacidade criativa como também pelo feeling comercial. Bill Gates tratou de montar sua empresa de softwares no subúrbio, em Redmond, Seattle. Autorizados, diretores, gerentes e empregados passaram a circular trajando camisetas coloridas, jeans surrados e tênis de segunda. Ele mesmo não se incomodava se alguns funcionários quarentões fossem vistos usando cabeleiras, costeletas e barbichas de roqueiros.

Inclusive, o visual grunge executive predominou sempre na maioria das salas da Microsoft. Ninguém tinha horário de entrada, almoço, lanche ou saída. Cada um impunha a sua própria meta, já que o chefão bancava um plano de participações nos lucros, de uma forma em que ganha quem ganha mais ou, melhor, quem trabalha mais ou menos. Nesse ambiente descontraído, o próprio Bill gostava de lembrar o dia em que foi barrado por uma assistente recém-contratada. “Ela me confundiu com um teen, embora na ocasião eu já tivesse passado dos 30”, costuma relembrar, bem humorado.

Espartano, ele não se impressiona nem fica deslumbrado com os US$ 52 bilhões que tem, mesmo depois de ter feito doações bilionárias. Cultua apenas uma coleção de filmes antigos, além de uma típica aversão à tevê. Nesse ponto, sua principal façanha foi pagar quase US$ 31 milhões por um manuscrito de Leonardo Da Vinci. Nesse documento renascentista, Da Vinci, o primeiro multimídia da História, anuncia algumas das maiores invenções da humanidade.

Mas, além de desejar a onisciência de Leonardo Da Vinci, Bill Gates sempre demonstrou interesse em se tornar também onipresente.

Com o dinheiro que acumulou poderia comprar todas as franquias da Pizza Hut pelo planeta, também do McDonald´s e da Coca-Cola, além de frotas de todas as versões da Ferrari Testarossa, do Lamborghini, Aston Martin, do Bentley, do Porsche, do Jaguar e do Audi. Até mesmo, se passasse por sua cabeça, produzir um filme cujo elenco tivesse nomes consagrados como Tom Hanks, Sean Connery, Robert De Niro, Jack Nicholson, Al Pacino, Mel Gibson, Robert Redford, Clint Eastwood, Sharon Stone, Demi Moore, Julia Roberts, Uma Thurman, Isabella Rossellini, Sophie Marceau, Catherine Deneuve, Michael Douglas. Todos sob a direção de Francis Ford Copolla, Martin Scorsese e Steven Spielberg.

Não é tudo, tem mais. Poderia contratar, para um show exclusivo, Rolling Stones, Pink Floyd, Madonna...

Só não faz, porque não quer.

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