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Pisando na bola...

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Data de Publicação: 28 de junho de 2008
Garrincha é o maior exemplo de craque que desperdiçou uma carreira brilhante por não conseguir evitar as noitadas, com mulheres e bebida. Depois dele, não houve um jogador com o seu drible de bailarino que infernizava os adversários. Não foi muito longe. Uma noitada, seguramente, não é compatível com uma boa forma física que todo atleta deve ter, não isentando dessa regra os mais famosos.

Não é por acaso que os jogadores de futebol idolatrados, quando jogam, são discriminados socialmente. Ronaldinho Fenômeno, que passou por um vexame internacional por causa de uma aventura no meio da madrugada com travestis, é outro exemplo. Saiu para beber, farrear, quando estava se submetendo a um tratamento. Adriano é outro, que inúmeras vezes foi fotografado bebendo.

É muito ilustrativo um incidente protagonizado pelo jogador Paulo César Caju, na década de 70, ídolo do Botafogo. Uma noite, ele chegou a uma boate de Ricardo Amaral, no Rio, pedindo para entrar na festa de inauguração. O homem que comandava a animação carioca na época foi curto e grosso: “Eu gosto muito de jogador, mas no Maracanã. Aqui, não!”

Romário, Edmundo... A lista é enorme de jogadores que sempre trataram de levar uma vida noturna, indo de boate a boate, comprometendo sua forma física. Sabe-se, por exemplo, que o fiasco da seleção brasileira na última copa teve como grande causa as fugas dos principais jogadores da concentração para noitadas nas boates de Paris.

Ronaldinho Gaúcho é a bola da vez, depois de ser idolatrado na Espanha, como nenhum jogador foi. Está correndo o risco de encerrar prematuramente a sua carreira, além de perder uma montanha de dinheiro. Há exatamente um ano, o Milan manifestou disposição em pagar até 120 milhões de euros, mas desistiu depois que foi informado que o jogador preferia as pistas de dança de Barcelona ao campo de futebol.

Sua cotação agora está em 30 milhões de euros, sem que qualquer clube demonstre entusiasmo em tê-lo. O Manchester City, que manifestou algum interesse, não manteve a vontade de continuar a negociação.

Com fama de testicocéfalo, a exemplo de Garrincha, freqüenta a discoteca Sanduguita e a casa noturna Pasión Brasil, ambas na praia de Catelldefels, nos arredores de Barcelona. Durante horas, na casa noturna, ele se ocupava tocando percussão e bebendo, mas muito mesmo. Quando o dia começava a amanhecer, escolhia uma ou duas garotas que o assediavam e levava ambas para sua casa.

Quem sintetiza a novela que Ronaldinho está enfrentando é o jornalista catalão Joaquim Piera, do jornal “Sport”, da Catalunha, com a autoridade de quem está concluindo um livro sobre o craque: “O Barcelona tem muita culpa no que aconteceu. Ronaldinho chegou num momento em que o clube estava por baixo, sem ganhar nada há cinco anos. Ao mesmo tempo, o rival Real Madri estava montando um time de galácticos. Ronaldinho inverteu a situação e levou o Barcelona ao título europeu. Ele recuperou o orgulho dos orgulhosos catalães. Ficou maior do que o clube, que não soube como agir para manter o controle do jogador”.

Pode até ser, mas ser bom jogador não isenta ninguém de ser disciplinado.

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