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Desprezo, omissão ou covardia?

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Data de Publicação: 28 de junho de 2008
Por: Carlos Chagas
E-mail: cchagas@brasiliaemdia.com.br


Quem presta atenção nas sessões do Congresso não terá deixado de espantar-se com o pronunciamento feito pelo senador Jarbas Vasconcelos, do PMDB de Pernambuco. E menos pela contundência de suas críticas ao governo e ao PT do que pelo silêncio absoluto da bancada oficial.

O ex-governador disse que o passado escândalo do mensalão criou um DNA no governo e em seu partido, ou seja, começou ali, se não começou antes, “o modo petista de governar”, que não parou mais. Depois de a corrupção haver invadido empresas estatais, do Banco do Brasil à Petrobras, entre outras, os donos do poder passaram a dedicar-se às empresas privadas. Não o deixava mentir a recente lambança em torno da venda da Varig.

Vasconcelos também se referiu ao desmonte que o palácio do Planalto promove contra as agências reguladoras, transformadas em mero apêndice do governo. Foram desvirtuados seus objetivos.

Enquanto falava, o senador recebeu apartes de inúmeros senadores da oposição, como Artur Virgílio, Álvaro Dias e Heráclito Fortes, cada qual vibrando com mais intensidade tacape e borduna no governo e no seu partido.

Pois bem: ninguém do PT ou dos partidos da base oficial, sequer os líderes, ousaram um único protesto ou palavra de defesa. Calados ficaram e até saltaram de banda. Nem Romero Jucá, nem Ideli Salvati, nem ninguém. Qual a conclusão a tirar? Concordavam? Desprezavam? Omitiam-se por covardia?

Se imaginam que a opinião pública ignora o que se passa no Legislativo, enganam-se.

DUNGA INJUSTIÇADO

Mesmo demonstrando não estar à altura das funções de técnico do selecionado nacional, sem saber escalar um time nem transmitir confiança aos craques, o Dunga não deve ser totalmente crucificado. Semana passada, enquanto se desenvolvia o vexame em Belo Horizonte, pouca gente lembrou-se de aplaudir o indigitado treinador por haver prestado relevante serviço aos interesses nacionais, por ter vindo em socorro do cidadão comum. Por quê?

Porque, em função do jogo na capital mineira, mandaram-se para o Estádio Magalhães Pinto montes de deputados, a convite do governador Aécio Neves. O resultado foi a falta de quorum, na Câmara, para a votação final do novo imposto sobre o cheque.

As esperanças nacionais, agora, mudaram-se do Dunga para São João e São Pedro, porque está sendo difícil encontrar no plenário da Câmara um só representante do Nordeste. As tradicionais festas, em especial num ano de eleição, estão sendo responsáveis pelas necessárias ausências que mais uma vez adiarão o ato final de mais um assalto ao bolso do cidadão comum.

Por mais estranho que pareça, insere-se o Dunga na galeria dos santos reverenciados pelo país...

PARA EVITAR INJUSTIÇAS...

Foi lamentável a declaração, do secretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro, de que a polícia local não se precipitaria na busca dos responsáveis pela tortura e morte de três rapazes da favela do morro da Providência, sacrificados no morro da Mineira. Para não cometer injustiças, o aparato de segurança agiria com calma.

A conseqüência é que devem estar se preparando para fugir, se é que ainda não fugiram, os animais autores de mais essa execrável violência. Pode ser até que se sintam fortes o bastante para permanecer onde estão, dirigindo o tráfico de drogas e dominando a comunidade local, sem fazer caso da necessária repressão.

Porque, se deve ser punido o grupo de soldados do Exército que entregou as três vítimas à sanha dos bandidos, com muito mais razão, os bandidos já deveriam estar sendo caçados. É por essas e outras que, se o Congresso tivesse coragem para convocar um plebiscito a respeito da pena de morte, infelizmente o resultado seria maciçamente favorável. Cada dia perdido na busca dos animais estimula acontecimentos iguais.

FALTA UNIÃO

O presidente era o general João Figueiredo, empenhado na abertura política. Ministro da Justiça, o deputado Ibrahim Abi-Ackel, fiel cumpridor das determinações pelo aprimoramento do regime.

Apesar dos elogios, a truculência dos radicais ainda se fazia sentir no governo. Certo dia, a Gazeta Mercantil publicou na íntegra um dos capítulos secretos do acordo nuclear Brasil-Alemanha. Detalhes que deixariam de orelha em pé os adversários da construção de uma bomba atômica meio brasileira, meio germânica, ameaça felizmente mandada para o lixo. A Direita aproveitava-se de um pretexto para prejudicar a marcha democrática, porque obrigaram o ministro a aplicar a Lei de Segurança Nacional e mandar apreender o jornal que acabara de revelar segredos de estado. Um atentado à liberdade de imprensa quando parecia estarmos saindo do túnel pestilento da ditadura.

O que aconteceu em seguida? Ainda que adversários, alguns até desafetos, comunicaram-se os donos dos principais jornais do país. Nas edições do dia seguinte, todos republicaram o conteúdo apresentado pela Gazeta Mercantil. Se era para apreender, que o governo ousasse retirar das bancas a Folha de S. Paulo, o Estado de S. Paulo, O Globo, o Jornal do Brasil, O Dia, o Correio do Povo, o Estado de Minas, o Correio Braziliense e muitos mais. Seria um escândalo internacional e o governo preferiu recolher o flaps, resignando-se à reação da mídia.

Por que se conta esse episódio? Porque bastaria que os veículos de comunicação se unissem e publicassem entrevistas com Marta Suplicy, Gilberto Kassab e muitos outros candidatos às eleições de outubro para que alguns juízes inexperientes suspendessem essa abominável experiência de cercear a liberdade de imprensa.

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