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Vai a Cuba?

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Data de Publicação: 21 de junho de 2008
Por Ana Amélia Fialho Moreira

É bom que saiba...

Havana - Pela definição geográfica, Cuba é uma ilha, ou melhor, um conjunto de ilhas cercadas pelo mar do Caribe com seu azul profundo e águas “calientes”. Em uma viagem à ilha caribenha, constata-se que, além da definição geográfica, tornou-se uma ilha político-social e econômica, porque é um dos únicos redutos no mundo onde o comunismo sobrevive, apesar da extinção da União Soviética, que lhe dava sustentação política e, sobretudo, econômica.

Ao invés de uma Havana romântica, com seus palacetes deslumbrantes e carrões antigos, o que se vê hoje são casas desabando ou ao ponto de desabar, e carros velhos, que, quase inacreditavelmente, conseguem trafegar pelas avenidas.

Já na saída do aeroporto San Marti e por todos os locais na cidade, destacam-se outdoors com imagens de Fidel e de Che. A imagem de Raúl não é vista. Palavras de ordem e de exaltação ao regime são visíveis por todos os lados ao invés das propagandas de empresas, como ocorre nos países capitalistas.

Nos hotéis que preservam ainda o glamour do passado, com sinais, às vezes, sutis e, às vezes, mais marcantes da falta de manutenção, dá para perceber a falta da atenção ao turista na ausência de simpatia e agilidade, o que também se faz notar nos funcionários das lojas, uma vez que, como trabalham para o governo, estão apenas fazendo o seu trabalho sem a preocupação de serem cordiais, já que não esperam nada em troca.

A moeda local é o cucs (peso cubano) que em equivalência – 1 Cucs = 1,32 Euro = 2,08 Reais . Todas as transações comerciais no país são feitas na moeda local ou, em alguns locais, em cartão de crédito Visa, porém sabendo que, no uso do cartão, é acrescido ao valor, 25 % para o Estado. Para conseguir Cucs pode-se usar os caixas eletrônicos com o cartão Visa ou fazer o câmbio no hotel (todos fazem, mas somente com o euro, dólar americano não é aceito). Lá, não dispõem da rede Cirrus.

A comida tradicional local é a cozinha crioula, como mistura da cozinha espanhola, africana e oriental e o prato mais típico é a roupa velha, que é uma espécie de picadinho de carne de vaca. Apesar de ser uma ilha, os peixes e crustáceos não são muito consumidos em Cuba. Nos restaurantes, quase não se vêem cubanos, porque os preços são proibitivos para os nativos. Em alguns, se for ao toilette, é necessário pagar para ter direito a papel higiênico. Nos bares, os copos descartáveis são reutilizados.

Não se pode perder o city tour que deve ser contratado já no Brasil ou em uma das empresas estatais de turismo, Cubatur, Cubanatur ou Havanatur. Os guias mostrarão os pontos marcantes da cidade, sempre enfatizando a importância do regime. Incluem bairros inteiros, que, até o final da década de quarenta, ostentavam mansões que não deixavam nada a desejar em relação a Beverly Hills de hoje, porém com seus casarios com sinais de marcada decadência social, com a qual seus donos foram vitimados com a revolução de Fidel.

O famoso Malecón é uma calçada com muro de concreto, que contorna todo o mar azul do caribe em Havana. Lá, não se deve desfrutar de suas águas quentes por ser uma região pedregosa, com ondas fortes que batem com força no paredão, o que termina dando uma pitada de aventura aos jovens locais, que se banham nessas águas perigosas. Também falta sinalização e faixas de pedestres ao longo da pista no Malecón, o que torna um risco aos pedestres atravessá-la.

Nas ruas, choca os turistas a água suja ao longo do meio fio, na área central e em Habana Vieja, nas feiras livres as frutas e verduras rapidamente se deterioram devido ao calor local.

As grandes e importantes construções de Havana são, praticamente todas, anteriores à revolução. Dentre elas, vale assinalar: Hotel Nacional de Cuba, Capitólio, Universidade de Cuba, Hospital, Hotel Habana Libre (antigo Hilton Habana). Como construção moderna, apenas o monumento em homenagem à revolução.

Em Habana Vieja, existem três fortes e o Hotel Santa Isabel, além de outros prédios com arquitetura própria que usava pedras retiradas do mar. É possível visualizar conchas incrustadas.

Ernest Hemingway, que foi um grande apaixonado por Cuba, freqüentava um restaurante também em Habana Vieja, que se tornou um ponto turístico muito interessante e onde se degusta um dos melhores mojitos da cidade, o La Bodeguita del médio.

Para os jogos olímpicos de 1982, foi construída uma vila olímpica e uma outra para abrigar os chineses e, reciprocamente, há uma vila em Pequim para os cubanos que irão nas olimpíadas deste ano.

Vê-se por toda a cidade pontos de distribuição de alimentos, onde os cubanos retiram a provisão de alimentos designado a cada família mensalmente. Tendo como base uma família de quatro pessoas, o valor em alimentos é o equivalente a 100 Cucs. Também existem as farmácias de distribuição de medicamentos com suas prateleiras com medicações básicas e de uso contínuo.

Quando nos identificam como turistas, o que não é muito difícil, algumas pessoas nos abordam na rua, sendo algumas para pedir esmolas, outras querendo vender produtos na clandestinidade e, às vezes, de forma agressiva.

Existem vários cabarés na cidade com shows de música e danças típicas, que acontecem diariamente, e é um programa imperdível.

Para desfrutar do mar, existem várias praias, sendo dentre as mais solicitadas pelos turistas; Cayo Largo, Cayo Branco e as praias de Varadero, com seus resorts à beira mar, com suporte de atendimento na areia em locais montados com cadeiras, guarda-sol e música para os visitantes. Além de passeios de barco e esportes marítimos, o mergulho também é uma das opções apresentadas.

No hall dos hotéis , chama a atenção a presença de jovens cubanas, com roupas mínimas e muita maquiagem, transitando livremente entre os turistas durante todo o dia e noite.Também rapazes de modos efeminados por toda Cuba, o que era impensável anos atrás.

Não se podem efetuar chamadas a cobrar, este recurso não está disponível em Cuba.

Existem duas marcas de cerveja locais muito saborosas, sendo a Crystal mais leve e a Habanero mais forte. O rum mais consumido é o Habana club em sua versão branca, da qual são feitos os coquetéis, e outra versão, envelhecida, para ser bebido com gelo on the rock. Vinhos não são encontrados.

O charuto de maior qualidade e o mais famoso, com suas várias marcas conhecidas e apreciadas em todo o mundo, é vendido nas fábricas (também um passeio imperdível) e em lojas especializadas espalhadas por todo o país. É importante saber que só se pode comprar duas caixas de 25 unidades por pessoa. A inspeção no aeroporto é rigorosa.

A saúde e a educação mantém-se de alta qualidade, sendo um dos mais baixos índices de mortalidade infantil e de analfabetismo do mundo (dados locais).

Há grande insatisfação da população, que continua sem acesso à informática, devido ao valor de mercado dos computadores, e à falta de liberdade de expressão. Existem policiais fardados em todas as ruas, que parecem estar prontos para combater qualquer sinal de rebelião.

Apesar de Cuba ter estudantes universitários intercambistas de várias nacionalidades, as suas aulas e alojamentos são proibidos aos alunos locais, que estudam sem equipamentos modernos e sem acesso à internet. Em visita ao campus universitário, os estudantes falam abertamente das suas dificuldades.

Para ir a Cuba é necessário visto, que é adquirido na própria agência de viagens no Brasil. Todos os vôos fazem conexão na cidade do Panamá, para onde é preciso levar o cartão internacional de vacinação contra febre amarela. Adquirido na Anvisa (tem postos em todos os aeroportos do Brasil) levando o comprovante de vacina feita com, no mínimo, 10 dias de antecedência.

Apesar de tudo, Cuba continua encantando e enriquecendo seus visitantes com todas as dificuldades enfrentadas pelo seu povo. Seus músicos e atletas mostram ao mundo a garra e a força, fruto da miscigenação do país.

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