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Amamentação:

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Data de Publicação: 21 de junho de 2008
Por Zilda Ferreira

Verdades e mentiras

Para muitas mulheres, o ato de amamentar parece um bicho-de-sete-cabeças, o que é fácil de entender: educadas para o papel de moças e mães, elas aprendem que o futuro do mundo está em seus seios e que um mínimo gesto em falso pode jogar por terra sua relação com o filho. Mas não é bem assim: o amor entre mãe e filho tem bases muito mais sólidas que os erros produzidos pela inexperiência, especialmente quando a vontade de acertar é enorme. Para ajudar as mamães que estão nesse time, vamos esclarecer alguns dos mitos mais comuns sobre a amamentação.

Certas mulheres têm leite forte, outras têm leite fraco.

- Falso. Todas as mulheres têm o leite nas mesmas condições. Um estudo publicado em 1985, que compara o leite de mulheres bem-nutridas com o de outras em diferentes graus de desnutrição, concluiu que havia igualdade calórica. A única diferença qualitativa dependia de alguns componentes: quanto mais desnutrida a mulher, mais pobre em proteína era seu leite, o que a natureza compensava com o aumento de gordura. O estudo também concluiu que, por uma ação orgânica natural, a presença do cálcio no leite era a mesma, embora algumas mulheres corressem o risco de apresentar osteoporose.

Toda mulher pode amamentar.

- Verdadeiro. Desde que ela tenha as mamas em perfeito estado. Em casos de cirurgias por problemas de saúde, como o câncer de mama, ou devido a traumas e plásticas que penetram um pouco mais no tecido mamário, o seio pode produzir menor quantidade de leite, ocorrendo certas dificuldades para a amamentação.

A natureza prepara os seios para a amamentação.

- Verdadeiro. Mas a pressão constante da boca do neném nos mamilos da mãe pode provocar rachaduras. Por isso, desde a gestação, vale ajudar essa preparação, com o uso do sutiã especial para a amamentação, sem a cobertura da frente - o que possibilita o atrito direto do seio com o tecido da roupa. Isso estimula a fabricação da queratina, uma película protetora da pele.

O leite materno é o bastante para a criança depois de um ano de vida.

- Falso. Segundo a Organização Mundial de Saúde, o bebê deve ser alimentado exclusivamente com leite materno pelo menos até os seis meses. A partir daí, é conveniente iniciar, pouco a pouco, um tipo de dieta não-láctea, na qual se incluam outros elementos nutritivos, que auxiliem no crescimento e aumento de peso da criança.

Toda mulher que amamenta fica com os seios flácidos.

- Falso. A flacidez do seio volumoso pode ocorrer em qualquer fase da vida, se a mulher não usar uma sustentação adequada. Na gestação, as mamas se preparam para a lactação e aumentam de volume, pesam e tendem a cair. Por isso, a futura mãe deve usar sutiã e cremes hidratantes especiais contra flacidez e estrias. Nos intervalos da amamentação, deve conservar os seios sempre bem elevados, com a ajuda de um sutiã comum.

Há bebês que rejeitam o seio materno.

- Falso. Muitas mulheres se queixam de que os filhinhos recém-nascidos olham para seu rosto e não sugam o leite do seu peito. Mas, além da falta de tempo para amamentar ou da eventual falta de apetite do bebê, elas mantêm a criança quase imobilizada, bracinhos presos em mantas ao longo do corpo. Ao mamar, o bebê precisa de ambiente e tempo suficientes para a intimidade com a mãe. E é importante que, embora protegido, tenha os braços e pernas livres, para tocá-la à vontade.

O bico do seio não deve ser limpo depois da amamentação.

- Verdadeiro. O leite materno é cicatrizante e protetor. Por isso, deve secar no mamilo após a amamentação. A nutriz só deve limpar o seio imediatamente antes de amamentar, com um algodão ou gaze embebidos em água pura. Nada de substâncias como água boricada ou bicarbonatada, que levam ao ressecamento da pele e às rachaduras do mamilo.

A nutriz pode fazer o leite voltar.

- Verdadeiro. Mas não é simples e exige paciência e persistência para estimular o bebê a fazer a sucção nos mamilos. Enquanto a criança suga o peito da mãe, injeta-se leite, gota a gota, a cada mamada que ela der, com uma delicada sonda colocada no canto de sua boquinha. Aos poucos, com o aparecimento do leite natural, essa sonda será dispensável.

A mãe adotiva pode fabricar leite.

- Verdadeiro. Experiências demonstram que a sucção do bebê pode ajudar uma mãe adotiva a fabricar leite e amamentar um filho que não foi gerado em seu corpo. Paciência e alguns medicamentos para estimular a produção do hormônio chamado prolactina, responsável pela fabricação do leite materno, também ajudam muito.

A mulher com o seio inflamado não deve amamentar.

- Falso. Não é conveniente interromper a amamentação devido à dor ou a uma inflamação no seio, mesmo com sinais de sangue ou outras secreções: o suco gástrico combate plenamente todas as bactérias, em geral muito fracas, que passam por essa região.

É importante amamentar nos dois seios.

- Verdadeiro. Para evitar alguns dos problemas já mencionados, as duas mamas devem ser estimuladas a cada mamada. Os bebês tendem a se acomodar só num seio, mas é preciso acostumá-los a trocar de lado.

A criança amamentada herda a defesa das mães.

- Verdadeiro. Mas essa imunidade só prevalece enquanto dura a lactação. Depois, é necessário que a criança crie suas próprias defesas, em contato com o meio ambiente e, especialmente, por meio da vacinação.

A mãe com AIDS não deve amamentar o filho.

- Verdadeiro. A não ser em casos extremos, em que não haja outro tipo de alimento. O bebê que nasce da mãe aidética tem 80 por cento de chancas de não estar contaminado pela doença, o que, no entanto, pode acontecer por meio do leite materno.

Mulheres que tiveram partos múltiplos não têm leite suficiente para os bebês.

- Falso. Pode ser, apenas, mais cansativo. A única exigência é a de que elas tomem mais líquidos do que o habitualmente recomendado.

O leite materno pode ser congelado.

- Verdadeiro. E, quando a nutriz volta a trabalhar, é uma medida válida. O leite pode ser aquecido em banho-maria ou em microondas, mas recomenda-se que só seja dado à criança com o uso de colherinha. Dessa forma, sua boca não estará em contato com bicos de mamadeira, que exigem menos sucção e podem tirar o interesse do lactente pelo seio materno.

A mulher que está amamentando não pode ter relações sexuais.

- Falso. Ela pode ter relações sexuais e o marido tocar e beijar seus seios. Antes de amamentar, no entanto, é recomendável que os mamilos estejam em perfeitas condições de higiene.

É preciso evitar certos medicamentos durante a amamentação.

- Verdadeiro. Embora a maioria deles não interfira, há restrições para os sedativos, os anticonvulsivantes, os antineoplásicos, os antitireoidianos e os radioativos. Os antibióticos, com raríssimas exceções, não têm contra-indicação.

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