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Cinema

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Data de Publicação: 21 de junho de 2008
Por: José Guilherme
E-mail: jguilherme@brasiliaemdia.com.br


FIM DOS TEMPOS

(The Happening). EUA/Índia, 2008.
Direção/Roteiro: M. Night Shyamalan.
Elenco: Mark Wahlberg, Zooey Deschanel, John Leguizamo, M. Night Shyamalan.


Durante muito tempo Charlie Chaplin reinou absoluto como uma espécie de “homem dos sete instrumentos”: ele roteirizava, produzia, dirigia, atuava, compunha a trilha sonora, etc. Mais um pouquinho e ele estaria servindo cafezinho e varrendo o estúdio... No Cinema moderno, o exemplo conhecido mais próximo de Chaplin em termos de “faz-tudo” é o super-astro Clint Eastwood, que em alguns de seus filmes aparece como roteirista, produtor e diretor, além de ator.

Pois bem, o hindu-americano Shyamalan (pronuncia-se “Chámalan”) não deixa por menos e também quer bancar o “homem-orquestra”. Só que, infelizmente, fica a anos-luz de Chaplin e Eastwood, exceção feita à sua obra de estréia, O Sexto Sentido (1998). O resto foram fábulas modernas sobre heróis invulneráveis, alienígenas invasores, seres fantásticos invadindo condomínios, e por aí vai. É verdade que em A Vila Shyamalan voltou a pôr um pé na realidade, manipulando de forma inteligente ingredientes aparentemente comuns do cotidiano.

Neste Fim dos Tempos, o diretor cria um suspense paranóico sobre uma toxina desconhecida e letal (lembrou de Eu Sou a Lenda?...), produzida por plantas e árvores reagindo à agressão do homem à natureza. Essa toxina destrói as defesas cerebrais que impedem as pessoas de se suicidarem ou cometerem atos que ponham suas vidas em risco, de modo que quem é atingido por ela está com as horas contadas. Wahlberg é um professor de ciências que foge para o campo com a esposa e a filhinha de um amigo, quando a praga invade Nova Iorque e toda a Costa Leste e ameaça a sobrevivência da humanidade. A cena inicial, com operários de uma obra atirando-se do alto de um prédio, é de arrepiar. Mas o resto do filme não diz a que veio, fora um ou dois bons sustos ao longo da trama. O final é chocho e algumas coisas permanecem mal explicadas. Pena.

A OUTRA

(The Other Boleyn Girl).
Reino Unido/EUA, 2008.
Direção: Justin Chadwick.
Elenco: Natalie Portman, Scarlett Johansson, Eric Bana, David Morrissey.


O desconhecido (entre nós) diretor inglês Justin Chadwick veio diretamente de uma longa carreira em séries de TV para este seu longa de estréia. Chadwick pretende contar uma história já vista dezenas de vezes sob a perspectiva de outros realizadores: aquele período da história da Inglaterra em que reinou Henrique VIII, que se casou oito vezes, deportou, encarcerou ou mandou matar a maioria de suas mulheres, e fundou a Igreja Anglicana ao romper com o Papa, que não queria anular seu casamento com Catarina de Aragão, sob a alegação de ela não ter-lhe dado filhos. Henrique VIII foi o pai de Elizabeth I, magnificamente interpretada, por duas vezes, por Cate Blanchett, ambas sob a regência do competente paquistanês Shekhar Kapur (v. resenhas nesta Coluna).

Em A Outra, Elizabeth é a filha de Ana Bolena com o rei. O filme fecha com a futura rainha, aos três anos, brincando no campo, ela que foi a primeira regente feminina do trono inglês, num país em que a rainha tinha que dar à luz filhos varões e o sucessor de um rei tinha que ser outro rei. Ana, como se sabe, foi mandada decapitar por Henrique VIII, após um curto e tumultuado casamento. O que poucos sabem é que Ana tinha uma irmã, Mary (Johansson, de Moça Com Brinco de Pérola), que foi amante do rei antes dela e lhe deu um filho, o qual, por ser bastardo, não concorreu à linha sucessória do trono. Ana Bolena é interpretada com garra, cinismo e uma sensualidade contida por uma Natalie Portman que parece decidida a deixar para trás a doce e ingênua princesa Amidala, da trilogia Star Wars.

Portman, filha de pais “caretas”, cujo potencial como atriz dramática já podia ser conferido no longínquo O Profissional (1994), tem mostrado cada vez mais seu talento em filmes como Closer – Perto Demais e Um Beijo Roubado. Bana (Tróia, O Incrível Hulk) faz um Henrique VIII à altura do personagem histórico. E Chadwick mostrou, em seu primeiro longa, que é possível trazer para a telona apenas o lado bom das séries de TV: uma linguagem visual agressiva, cortante, interativa. Kapur com certeza assinaria este drama histórico bem feito.

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