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A luta da mulher

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Data de Publicação: 10 de maio de 2008
Por Marinaldo Guimarães

Raras vezes, ao abrirmos os jornais e revistas, não encontramos notícias de agressões contra mulheres. É difícil definir de modo razoável as causas ou os motivos dessa realidade. Porém, nada justifica a deplorável e rotineira prática de tal abuso.

Em uma breve análise, verifica-se que a violência e a discriminação que assolam o universo feminino estão incorporadas na sociedade brasileira como se fosse apenas um dado material, onde as últimas estatísticas revelam que quase 2,1 milhões de mulheres são espancadas por ano em nosso país, o que resulta na trágica cifra de uma ocorrência de agressão a cada 15 segundos. É uma vergonha!

A questão da violência contra as mulheres tem raízes históricas e culturais, apresentando causas diversas, que independem das condições econômicas da família, dificultando a adoção de métodos eficazes para combater o problema.

É triste ver que vários países ainda enxergam a mulher como um ser inferior, sem que reconheçam e respeitem os seus mais elementares direitos. São tratadas, às vezes, como simples objeto. É uma atitude absurda e inconcebível que merece nosso profundo repúdio.

Presenciamos, ainda nos dias de hoje, situações assustadoras, mesmo depois de duas guerras mundiais e do surgimento do movimento feminista, quando nossas mulheres se viram compelidas a substituir a mão-de-obra masculina que se esvaiu nas batalhas.

Temos que admitir que as mulheres realmente formam o “sexo forte”. Frequentemente, o trabalho doméstico dessas batalhadoras não é reconhecido e devidamente valorizado. Além disso, não podemos esquecer aquelas que ainda têm atividades fora de casa e enfrentam o competitivo mercado de trabalho para ajudar no orçamento familiar.

É uma luta desigual, pois sabemos que, em muitos lugares, elas chegam a cumprir 12 horas de serviços diários. Dados do IBGE apontam que 30% das famílias brasileiras são chefiadas por mulheres no Brasil, muito embora ainda exista grave discriminação no mercado de trabalho, no que diz respeito aos salários pagos às trabalhadoras.

Os desafios ocorrem diariamente e a mulher tem provado que é capaz, vencendo-os.

No Brasil, a luta contra o preconceito e a violência contra as mulheres tem alcançado resultados, como a criação do Conselho Nacional dos Direitos da Mulher, órgão representativo da sociedade civil, dos conselhos estaduais e centros de organizações jurídicas voltados para a proteção da mulher.

Embora a Constituição de 1988 já tivesse estabelecido que homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações, houve significativo avanço com a edição da Lei nº 11.340/06, batizada como “Lei Maria da Penha”, que, além de assegurar maior proteção à mulher submetida à violência, incentivando a denúncia dos abusos, agravou a pena a ser imposta ao agressor.

Além disso, conforme noticiado na imprensa, o governo federal estabeleceu um pacto nacional, com a adesão de estados, Distrito Federal e municípios, que prevê investimentos da ordem de 1 bilhão de reais, no período de 2008 a 2011, a serem aplicados na criação de mais de 700 serviços especializados, para combater esse mal.

Contudo, as campanhas educativas e culturais regulares e a conscientização da sociedade, aliadas à coragem das mulheres para denunciar a violência sofrida, continuam sendo fundamentais para a redução das estatísticas que nos causam vergonha e indignação.

Assim, conclui-se que o quadro atual pode mudar se todos engajarmos nessa luta por melhores dias, com atos concretos de justiça e amor. Portanto, mulheres, jamais desanimem e nem percam as esperanças. Sem dúvida, vocês sairão vitoriosas!

Afinal, o que seria de nós, homens, sem as mulheres, que representam a essência e a beleza da vida? Cabe-nos respeitá-las e amá-las sempre, pois, como afirmou o grande escritor José de Alencar, “a mulher é o símbolo da ternura e do amor”. Agindo dessa forma, estaremos deslumbrando a grandeza de Deus e a sua obra magnífica.

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