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Conversa com o leitor

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Data de Publicação: 10 de maio de 2008
MARCONE FORMIGA
Diretor Redator-Chefe


O presidente Lula festeja, merecidamente, a performance da economia brasileira, além do respeito que o país passou a conquistar entre os investidores do mundo inteiro. Ótimo.

Elogia os generais Ernesto Geisel e Emílio Médici, e nem sequer se constrange em usar um bordão do regime militar para comemorar o grau de investimento concedido por uma agência de classificação de risco, fazendo um discurso, em Teresina, para repetir que “ninguém segura este país”.

Faz sentido todo esse entusiasmo, porque, na segunda-feira, quando fez esse discurso ufanista, a Bolsa de Valores de São Paulo teve uma alta de 1,17%, fechando pela primeira vez acima dos 70 mil pontos.

Tudo muito bem, ótimo?

Mais do que nunca, o que se constata é que vivemos em dois Brasis. Um, arrojado economicamente, com potencial para entrar no primeiro-mundismo; o outro, é o que absolve o fazendeiro Vitalmiro Bastos de Moura, o Bida, acusado de ser o mandante do assassinato da missionária Dorothy Stang.

Que país é este, onde políticos continuam sendo denunciados de participar de desvio de recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Social, como é o caso de Paulinho da Força Sindical?

Mesmo descobrindo petróleo, reforçando o potencial econômico, custa acreditar que o Brasil se encontre com bases sólidas para emergir como uma nação desenvolvida, diante de todo esse cenário que assistimos. A corrupção continua correndo solta, impune, ao mesmo tempo.

Nivelar os homens públicos por baixo não seria justo, porque existem aqueles que são do bem, não compactuam com a pocilga em que muitos deles insistem em chafurdar.

Mas, cabe a esse mesmo povo, que está no limite da indignação com tudo o que está acontecendo, aproveitar as eleições de outubro, para separar o joio do trigo - saber o que presta e o que não presta. Mantendo aqueles que corresponderam a confiança em seu voto, dispensando de mais um mandato aqueles que, mais do que os anais legislativos, acabaram mesmo aumentando o prontuário policial.

Inclusive, os homens do bem, que existem, sim, na sociedade brasileira, mas resistem à idéia de entrar na política, para não serem confundidos com aqueles que são atraídos pelo aventureirismo legiferante, poderiam fazer a sua parte, juntando-se aos bons que existem.

Os que protagonizam todo esse circo de horror político só estão lá porque encontraram o espaço vazio.

Na terça-feira, o ministro Ayres Britto, ao assumir a presidência do Tribunal Superior Eleitoral, produziu um alento para aqueles que perderam a esperança de ver o país mudando, não apenas como uma potência econômica, mas, sobretudo, preservando os valores éticos, que, há séculos, parece ignorar.

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