Walter Gomes
Data de Publicação: 10 de maio de 2008
WALTER GOMES
wgomes@brasiliaemdia.com.brÉ tempo de perplexidadeLula da Silva repetiu na política partidária as contradições que marcaram a trajetória dele na militância sindical. Nada – ou quase nada – do que ele diz ou faz surpreende. A diferença entre o operário humilde e o homem público poderoso é que, agora, o ex-torneiro mecânico opera um sistema de poder do qual é o vértice. Influencia movimentos sociais e entidades representativas de grupos organizados, cujos líderes cooptou. Incorporou ao sistema até a maior organização partidária nacional – o PMDB. No passado, a sigla foi arquiteta da redemocratização do país e, no presente, faz as vezes de corretora de apoios no Congresso Nacional e na Esplanada dos Ministérios, onde controla alguns titulares de pastas e elege prioridades em benefício de seu latifúndio eleitoral. Mesmo com toda essa máquina em pleno funcionamento, há duas situações fora do controle do presidente da República quando se trata do processo sucessório. Uma questão é exógena: a indomável crise financeira internacional. A outra, interna: a grande dúvida a respeito da viabilidade de Dilma Rousseff como candidata ao Palácio do Planalto. Na coalizão situacionista, identifica-se, por enquanto, só um nome para competir: Ciro Gomes. Há um senão, porém. O deputado cearense é visto de soslaio pelo clero petista – de cardeais engalanados a vigários de paróquias. O próprio Lula já não tem pelo socialista (?) o interesse de antes. Fora dos quadros do Partido dos Trabalhadores, quem mais lhe agrada é o tucano Aécio Neves. Mas, para ser oficializado como representante palaciano, o governador de Minas Gerais precisa trocar o PSDB pelo PMDB. Possibilidade há, mas não é provável.

Espera é longaUma questão com caráter de urgência na agenda nacional.
O presidente da Câmara dos Deputados, Arlindo Chinaglia (PT-SP), propõe que os governadores vistam, sem mais delongas, a camisa da reforma tributária.
Se assim não fizerem, mais um projeto em trâmite no Parlamento vai para as calendas gregas.
Aposta no acordoSupremacia das bases sobre determinações das cúpulas federais.
É natural que o interesse municipal prevaleça, como foi no passado, no presente e deverá chegar ao futuro.
Por exemplo, PT e PSDB, adversários no plano nacional, tentam se coligar, na eleição deste ano, em 200 cidades. As lideranças municipais dessas duas legendas ignoram o veto da direção petista à aliança em Belo Horizonte e vão adiante.
Querem ampliar a parceria em relação ao pleito de 2004 para prefeitos e vereadores, quando foram patrocinadas 121 dobradinhas e conseguiram vencer em 44% delas.
Uvas da raposaMarta Suplicy (PT) opta por esconder a mágoa.
Embora faça de conta que o apoio do ex-governador Orestes Quércia à reeleição do prefeito Gilberto Kassab (Democratas) seja (quase) irrelevante, a ministra do Turismo foi mais atingida do que Geraldo Alckmin (PSDB), terceira opção do chefão do PMDB de São Paulo.
A petista perdeu quatro minutos na propaganda gratuita do rádio e da tevê, bastante tempo na dura campanha para a prefeitura paulistana.
Leitura DinâmicaVeja só como agem os deuses da política. Orestes Quércia (PMDB), que quase sucumbia na luta política de São Paulo, é uma liderança restabelecida. O ex-governador volta ao estrelato, como referência na campanha de reeleição do prefeito Gilberto Kassab (Demo).
O PT apóia o segundo mandato para o prefeito de Goiânia (GO), Íris Rezende (PMDB), que foi seu inclemente adversário.
Em Porto Alegre, embora o prefeito recandidato José Fogaça (PMDB) esteja um pouco à frente da concorrência, os institutos de opinião detectam imprevisibilidade no resultado da disputa. Incluem no páreo as deputadas Maria do Rosário (PT) e Manuela D’Ávila (PCdoB).
Erro de cálculo da oposição: as comissões parlamentares de inquérito para apurar o uso ilegal de cartões corporativos – a mista e a exclusiva do Senado – seguem na trajetória do naufrágio.
No mercado de capitais da política brasileira, investimento vantajoso seria comprar as ações do presidente do Democratas, Rodrigo Maia (RJ) pelo preço real e vendê-las pelo que ele imagina valer.
Livro polêmico, interessante e atual: “Cuba sem Fidel – O regime cubano e seu próximo líder”. Quem assina a obra é o estadunidense Brian Latell, ex-agente da CIA especialista nos irmãos Castro (Fidel e Raul). Páginas: 349. Preço: R$ 39,90.
Para refletir: “Meu destino é lembrar que existem mais coisas do que as vistas e ouvidas por todos” (Mário de Andrade, escritor brasileiro).
- Texto Anterior:
- Saúde Um computador no...
- Índice da edição - Ed. 592