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Usando o cérebro na crise

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Data de Publicação: 29 de novembro de 2008
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Por Marcone Formiga

ENTREVISTA

MÁRCIA DOLORES REZENDE

No crash de 1929, a primeira grande crise, que fez desmoronar o império econômico americano, com grandes fortunas sumindo de um dia para o outro, constatou-se o seguinte: os que acreditaram que o momento era para fazer fortuna com a depressão, ficaram ricos. Já aqueles que enxergaram um cenário no qual perderiam tudo o que tinham, acabaram mesmo perdendo. Do alto de quem tem 23 anos de experiência profissional em desenvolvimento humano, Márcia Dolores Rezende tem uma explicação para isso - o cérebro funciona de acordo com os pensamentos que o ser humano tem.

Desde 1989, é especializada em RH e T&D, com formação em PNL (NLP Health Certification Training), é também Trainer Advanced em PNL, além de ter certificação do International Coaching Certification Training, além de Master Coaching, Integrated Coaching Institute. Também dirige o Instituto Saber, em São Paulo, uma empresa líder no desenvolvimento de alta performance em recursos humanos, que atua no Brasil e no exterior.

Nesta entrevista, ela orienta como se enfrentar a crise, quando o emocional das pessoas fica vulnerável, ao mesmo tempo em que funciona como um gatilho, para o bem, ou para o mal.

Em momento de crise, o cérebro pode funcionar como uma ferramenta de trabalho muito eficiente. Basta pensar com otimismo.

- O homem não usa sequer cinco por cento da sua capacidade cerebral. O que acontecerá quando usar cinqüenta por cento?

- Hoje, nós vivemos com cinco por cento e conseguimos lidar com uma série de situações que são críticas, desafiadoras. E nós, o povo brasileiro, trazendo isso para nossa realidade, acho que, comparativamente com outras culturas, nós temos uma capacidade enorme de criar. Somos bons para isso. Nós criamos alternativas, criamos saídas, coisas novas, ou seja, formas de conduzir determinadas situações, mesmo as mais críticas. Quando o homem tiver essa possibilidade de usar cinqüenta por cento da sua mente, com certeza a vida vai ser muito mais simples. Isso significa que iremos ter mais qualidade de vida, vamos prestar atenção naquilo que de fato é importante.

- Como assim?

- Desperdiçamos muito da nossa atenção com coisas que são pouco significativas. A programação neurolingüística se ocupa muito em melhorar a qualidade de vida do ser humano em todos os aspectos, que é exatamente neste ponto, de colocar sua atenção no que é importante, e não naquilo que é pouco significativo e, às vezes, nos desgastamos e o resultado é mínimo ou não agrega nenhum valor à nossa vida.

- Qual é o resultado disso?

- Eu penso que o homem usando mais, ele vai ter sabedoria, que é diferente da inteligência - a gente tem essa capacidade, mas a sabedoria é usar melhor os seus potenciais - e vai ter qualidade de vida, vai ter uma saúde melhor, terá longevidade, porque tudo isso começa no nosso cérebro, não tem como ser diferente. Resumindo, uma atitude, de repente uma emoção, um desgaste emocional ou mesmo uma situação que você tem que gerenciar começa antes de acontecer aqui fora, começa dentro da sua mente. Se atingirmos essa capacidade, vamos ter uma vida muito melhor, de melhor qualidade, e talvez assim possamos olhar um pouco mais para as coisas importantes ao nosso redor.

- É possível desenvolver o cérebro?

- Primeiro, a gente não aprende a usar o cérebro na escola como aprendemos outras coisas, o que eu já acho que é grande falha. Eu acho que a neurociência está evoluindo nesse sentido. A PNL (programação neurolingüística) busca esse treino e, muitas vezes, as pessoas confundem isso com auto-ajuda ou com uma coisa meio mística. Usar a mente é uma coisa muito simples – requer treino, requer objetivos - porque aí a gente começa a colocar a atenção onde de fato é importante. Eu diria que se quisermos treinar a nossa mente com sabedoria, com eficácia, a primeira coisa importante é definir os objetivos, porque a gente já começaria a treinar melhor essa nossa capacidade neurológica, e depois selecionar o que é importante dentro desses objetivos, e o que é menos importante... Direcionar mais para as coisas boas. Eu sei que isso parece receita um pouco piegas. Mas parece que nós temos um treino para focar exatamente naquilo que não funciona. E um treino excessivo para olhar, para prestar atenção naquilo que não funciona, desgasta muito a nossa capacidade, até o nosso poder de realização.

- Como é possível começar?

- Tendo um objetivo muito claro, sabendo exatamente o que é importante dentro daquele meu objetivo - ter um objetivo que esteja nas suas mãos, não objetivo para os outros, porque, às vezes, se pegarmos até essa situação que estamos vivendo, a econômica, por exemplo, eu posso afirmar que eu tenho tudo para ser feliz, mas... “A economia não me ajuda”, “ o governo não me ajuda”, “a minha família não me ajuda”. Usar bem a mente é trazer todo o poder para as suas mãos; o que depende de você, não dá para ficar à mercê do outro. Tem uma situação perfeita, ela existe para você, para mim, para todo mundo. Como é que eu posso atuar diante dessa situação para conquistar os meus objetivos? É o que eu posso usar de melhor, o que eu tenho para lidar com a situação A, B, C, D.

- As pessoas já nascem gênios?

- As pessoas não nascem já gênios. De acordo com a programação neurolingüística, nós temos o estímulo externo, a forma de lidar com a situação, que é diferente de pessoa para pessoa. E o que chamamos de gênio é aquela pessoa que usa melhor sua capacidade neurológica, que usa seu talento de uma maneira mais dirigida. Mas isso não significa dizer que ela nasceu assim, porque na PNL partimos da premissa de que todos, independentemente, inclusive, das nossas condições físicas, nascemos com o mesmo potencial, com a capacidade de desenvolver os nossos talentos.

- De que forma?

- Eu posso nascer com uma limitação, posso ter de repente uma perna com cinco centímetros a menos, mas, agora, eu posso desenvolver o meu caminhar, e ter eficácia com esse meu caminhar, eu posso fazer coisas com as minhas habilidades talvez diferentes, mas eu posso ter, sim, o melhor dessa minha capacidade. Então, para PNL, ninguém nasce gênio. Você tem estímulos, um sistema familiar, significados que são dados a determinadas experiências que facilitam o desenvolvimento da sua genialidade. Resumindo, todos somos gênios, alguns desenvolvem a genialidade, outros, não.

- Como a neurolingüística pode ajudar nesse momento de crise econômica?

- A neurolingüística pode ajudar muito, tanto que eu acho que, desde que começou esse movimento de crise, nós não paramos no instituto. Por incrível que pareça, nós fomos demandados novembro todo e estamos sendo demandados para dezembro, janeiro... O que é uma coisa atípica em alguns dias de dezembro e até janeiro.

- Por quê?

- Porque se eu tenho pessoas que estabelecem objetivos, que fazem um bom planejamento, que consideram as variáveis, as informações desse cenário para compor o seu objetivo, que criam alternativas, que fortalecem mais ainda o que sabem fazer bem feito, que chamamos de talentos ou de potencial; se temos as pessoas olhando para essa situação, sentindo, ouvindo essa situação de uma maneira diferente; se os filtros, que chamamos filtros, nada mais significam do que a percepção das pessoas; se eu consigo olhar essa crise de uma maneira diferente, se eu consigo escutar o que está sendo dito de uma forma diferente, se eu consigo sentir que eu estou muito conectada ou muito segura dos meus objetivos, eu vou poder aproveitar muito bem todo este cenário, por mais turbulento que ele possa parecer.

- Por que a PNL ajuda?

- Ajuda porque ela faz com que cada pessoa entre mais em contato com o que ela faz muito bem...

- Mas isso gera o quê?

- Segurança e confiança, muito importante no momento atual porque é fundamental, porque muitas vezes a crise fica maior porque eu projeto um cenário terrível no meu futuro. Fico imaginando, então, vai piorar... Ou começo a imaginar que vai piorar. É que o nosso cérebro tem uma característica muito interessante - ele não difere o que é fato do que é imaginação, e se você está aqui e imagina um cenário caótico para 2009, é capaz de você se sentir mal fisicamente, de você produzir mais adrenalina, de ter uma súbita sensação de desespero.

- Por que isso acontece?

- Acontece porque quando trabalhamos com a imaginação, para ele, aquilo é verdadeiro. Se, para o cérebro isso funciona, significa que é realidade para ele. O nosso pensamento é como se fosse uma realidade! Podemos usar isso de uma outra maneira, projetando um cenário diferente.

- O ideal é projetar o quê, então?

- Que está acontecendo uma mudança na economia. “O que eu posso fazer para aproveitar as informações que acabei de receber?”, “O que eu posso fazer para conquistar meu objetivo, usando todos esses dados?”. Quando eu faço essa projeção, eu também já tenho uma outra disponibilidade aqui no presente. Então, a PNL pode ajudar muito, principalmente com relação ao planejamento das suas ações. A minha tranqüilidade para desenvolver essas ações, e até mesmo usar a minha criatividade para criar saídas ainda não pensadas, usando isso de uma maneira criativa.

- Como evitar o estresse no ambiente de trabalho, diante de um cenário instável como esse?

- Primeira coisa a fazer é se concentrar naquilo que você, de fato, está fazendo. A gente começa a olhar o cenário muito macro, dependendo da atuação de cada pessoa. É importante olhar o macro? Lógico que é... Agora, eu olho o macro, colho os dados que são significativos para minha idéia, para o meu projeto e para o meu objetivo e volto a atenção para algo menor, que podemos chamar de microssistema. Então, o que eu faço aqui no meu microssistema, para colaborar inclusive com uma mudança, dentro desse macrossistema? Sem dúvida, a primeira iniciativa é fixar mais atenção nas nossas ações menores, sabendo que você tem um plano para chegar lá na frente no futuro promissor. Para diminuir o estresse, também, é muito importante que as pessoas façam uma conexão maior com aquilo que elas viveram no passado.

- De que forma isso pode ajudar?

- Vivemos crises na nossa vida o tempo todo, a gente vive em crise, a gente vive mudanças, vive adaptações... Isso tudo faz parte da nossa trajetória pregressa, nós temos uma bagagem, e para lidar com o estresse nos ajuda muito pensarmos naquilo que já vivemos e naquilo que já desenvolvemos de estratégias, de ferramentas, de habilidades para lidar com o contexto atual. Afinal de contas, a crise pode ser diferente, mas os elementos da crise são muito semelhantes - insegurança, instabilidade, incerteza, falta de perspectiva. Isso tudo está presente em toda e qualquer crise, e nós já vivemos inúmeras.

- Na crise de 1929, aqueles que acreditaram que iam ganhar dinheiro com a depressão, ganharam mesmo; aqueles que acreditaram que iam perder dinheiro, perderam. Como explica isso?

- Confirma a força do cérebro. Se eu estou aqui e a crise mal começou e eu já começo a projetar que não vou conseguir obter bons resultados, a minha atitude confirma o meu pensamento, porque se eu projeto e o meu cérebro acredita que aquilo é fato, para que eu vou fazer alguma coisa? Ou, se eu imagino que nosso cenário está horrível, o cenário realmente é desanimador, para que eu vou sair de casa e fazer uma coisa diferente? O meu pensamento, dessa forma, gera uma crença, e nós somos movidos a crenças, não vivemos sem crenças.

- E o que acontece?

- Às vezes temos crenças que são mais impulsionadoras, e temos crenças que são mais limitantes. A PNL atua muito no sistema de crenças, porque eu vou concretizar as minhas crenças. Se eu acredito que esse cenário é terrível, e que eu vou perder dinheiro, eu acabo mesmo perdendo. Eu começo a trabalhar diariamente para perder dinheiro. Se eu acredito que tem uma crise aí fora e eu posso ganhar muito com ela, eu posso ganhar muito dinheiro e muita experiência, eu vou ganhar muito dinheiro e vou ganhar muita experiência.

- Por quê?

- Porque eu vou aproveitar as oportunidades. Por que eu pego as oportunidades? É por que eu tenho mais sorte do que você? Obviamente, não. Se eu estou voltada para isso, se meu foco é esse, eu percebo a oportunidade rapidamente.

- Dê um exemplo.

- Se eu tenho um objetivo, eu começo a prestar atenção nas coisas que estão ligadas a esse objetivo. Se eu defino que vou comprar um carro, defino a marca, a cor, defino alguns detalhes desse carro, é muito possível que, ao sair à rua, eu perceba esse carro, e até acredite que o número de carros daquele modelo, daquela cor, aumentou. Quando, na verdade, eles continuam na mesma quantidade.

- O que mudou?

- Eu percebo mais esse carro porque ele é meu foco de atenção. Então, se eu acho que essa crise é uma coisa terrível, que eu vou perder dinheiro, eu começo a prestar atenção em todas as pessoas que estão perdendo dinheiro. Eu vou ter ações que, de fato, levarão a este resultado.

- A palavra crise, em chinês, tem dois significados: perigo e oportunidade. Existe alguma explicação para isso?

- Os chineses têm um jeito de pensar sobre a vida muito interessante. Principalmente se a gente pega o início da história, as tradições dos chineses. Eu acho que eles já usavam a programação neurolingüística. Porque a programação neurolingüística não é algo que foi criado, embora tenha sido idealizada ou formatada em 70. A PNL nada mais é do que um jeito de pensar, um jeito de atuar, de pessoas que conseguiram ter sucesso nas suas áreas. E poucas pessoas sabem que a PNL nasceu dentro de uma universidade de psicologia. Por exemplo, minha formação é psicologia, e nunca na universidade eu ouvi que a PNL tinha nascido dentro da universidade, em Santa Cruz, na Califórnia, de psicologia. Quando Richard Bandler e o John Grinder fundaram essa tecnologia, porque não é considerada ainda uma ciência, eles pegaram coisas que funcionavam, e muitas coisas dos chineses funcionam, como algumas crenças que eles têm. E estávamos falando ainda há pouco sobre crenças, o sistema de crenças que eles têm. Pode ser uma oportunidade, como pode ser algo de fato complicado, que complique a vida. Para PNL, isso é muito claro. Todas as palavras podem ter inúmeros significados.

- Mas quem dá o significado?

- Meu sistema de crenças, a forma como eu penso a respeito daquilo. Às vezes eu acho que a crise é um risco, ela oferece um risco muito grande, porque eu ouvi isso dos meus pais. Porque o meu pai ou a minha mãe ouviu isso dos meus avós. Efetivamente, todos tiveram bons resultados, só que isso está lá registrado como uma representação; se eu ouvi isso de pessoas significativas, não dá para acreditar em algo diferente. Muitas vezes, algo que poderia ser extremamente facilitador na minha vida ou algo que agregasse, de fato, um valor, se torna um problema. Porque eu trago essa forma de pensar de outras pessoas.

- Afinal, o que leva ao sucesso?

- Meta, foco, objetivos alinhados com seus sistemas de crenças, isso é fundamental. Se eu acredito que estou fazendo algo que é valioso, que é algo que se ajusta a todas as minhas crenças, eu estou indo em ecologia, como falamos também em programação neurolingüística. O meu objetivo é ecológico, ele não fere nenhum aspecto da minha vida. Porque se ele fere em algum momento esse objetivo, ele deixa de ser um objetivo de sucesso. Ele se torna um objetivo que complica minha vida, e não facilita. Quando temos objetivos bem definidos, quando temos determinação, quando temos motivação, temos sucesso. Em ecologia está adequado, eu não estou prejudicando nenhum valor em que eu acredito, nenhum valor que seja relevante na minha vida.

- O que é fundamental para direcionar os objetivos?

- O fundamental para direcionar os objetivos é definir o que eu quero, é definir se esse objetivo está mesmo nas minhas mãos. Porque não adianta eu construir um objetivo todo, por exemplo: “Eu só vou ser feliz se meu chefe concordar com todas minhas idéias”, “Eu só vou ser feliz se as pessoas elogiarem aquilo que eu estou fazendo”, “Eu só vou ter sucesso se acontecer tal coisa”. Porque tem muita gente que fala assim: “Com a crise, eu não quero sofrer”; “Eu não quero perder financeiramente”. Quando você afirma o que você não quer, o seu cérebro produz aquilo que você não quer. Por exemplo, se eu digo para você não pensar em algo, nas coisas que você ainda tem para fazer, imediatamente você irá pensar. Isso é um comando que leva a minha atenção para aquilo que eu estou evitando. Também quando uma pessoa começa a dizer “eu não quero ter problemas”, “eu não quero perder dinheiro”, “eu não quero sofrer com essa crise”, “eu não quero sofrer insegurança” diante de todo esse novo cenário, ela está se programando para viver exatamente aquilo que ela está evitando. Uma coisa muito importante é definir o que eu quero. Não estou falando no que eu não quero perder, eu estou falando o que eu quero... Eu quero que meu faturamento se mantenha... Eu quero que meu número de clientes dobre... Eu quero criar novos produtos e serviços. Devemos colocar o que queremos.

- Basta só isso?

- Não, temos o segundo passo. Sabermos exatamente se aquele objetivo que definimos, é um objetivo iniciado, desenvolvido e finalizado por você. Porque não adianta eu colocar um objetivo para o outro. Eu só vou se o outro fizer. Isso me coloca em uma situação de muito risco e de fragilidade, também. Para desenvolver um plano de ação, é importante termos muito claro os passos para atingir os objetivos. Ter flexibilidade, porque a rigidez, realmente, ajuda muito pouco. E ser flexível é uma característica fundamental. Uma competência, hoje, ainda bem, já é uma competência vista, solicitada para muitos executivos, para muitos profissionais.

- Por que isso?

- Porque a flexibilidade nos ajuda. Se esse caminho não traz o melhor resultado, esse caminho não funciona neste momento, deixa eu fazer alguma coisa diferente. Então isso também nos auxilia bastante. Ter opções, porque uma pessoa que tem um único caminho está limitada. Uma pessoa que tem dois caminhos ainda tem um dilema. E quando temos três opções, começamos a ter liberdade. E uma pessoa consegue ter sucesso, consegue ter realização quando ela tem escolha. Se você só tem um caminho, e esse caminho não funcionar, o que vai fazer? Desistir, ficar chorando, ficar justificando... Se eu tenho dois caminhos, eu ainda tenho uma limitação. Eu só posso ir pela direita ou pela esquerda... Quer dizer, eu tenho um limite, eu tenho um dilema. E quando eu tenho três, eu começo a escolher.

- Onde a neurolingüística entra nisso?

- Na PNL, trabalhamos sempre com muitas opções. Muitas opções voltadas para o objetivo, o que é diferente de dispersar. Então, eu tenho um foco e, para alcançar esse foco, eu posso criar um leque de opções para chegar até lá, o que é diferente de diversificar objetivos ou mudar de objetivos.

- Por que é importante ter gratidão pelas conquistas alcançadas?

- Principalmente para validar e valorizar os nossos recursos. O que chamamos de recursos? Aquilo que eu tenho como potencial, a minha dedicação, a minha determinação, o meu foco, o meu planejamento. A gratidão treina o seu cérebro para valorizar aquilo que você tem de mais rico. Hoje a gratidão tem sido muito falada dentro da física quântica, dentro das linhas mais espirituais. Nos Estados Unidos, existem trabalhos corporativos que visam o lado espiritual, mas não o lado espiritual religioso, o ser humano contribuindo com o sistema. A gratidão me torna uma pessoa mais feliz... Se eu sou grato pelas minhas conquistas, eu tenho uma felicidade maior, eu me valorizo mais. Quando falamos de auto-estima, de auto-valorização, a gratidão é um combustível para isso.

- Por que as empresas estão mais empenhadas em reter e descobrir talentos do que abrir novas vagas para o mercado?

- Primeiro, porque estamos vivendo em um momento onde nem sempre há profissionais preparados o suficiente para atender a demanda; segundo, é caro demais preparar um profissional para a empresa, custa muito você treinar um novo talento. E hoje nós temos uma coisa muito presente, a geração “Y” e a geração “X”. Ou seja, existe um choque de gerações. Se você tem a geração “Y” muito aberta, há novas possibilidades. Hoje, às vezes se investe muito em uma geração “Y” e o vizinho faz uma proposta tentadora e ela diz “tchau”, vai embora. Diferente da geração “X”, que ficava, e que fica, porque tem um comprometimento, muito mais com a empresa, e a geração “Y”, não, ela tem um comprometimento maior com ela do que com a empresa.

- Essa tendência poderá prevalecer?

- Eu penso que estamos vivendo um momento de ajuste neste sentido, e as empresas estão avaliando isso... Mas vale dar a oportunidade para alguém que está dentro da casa, porque isso é sempre motivador, para a pessoa e para os demais.

- Qual o sentido que a senhora vê na palavra ascensão?

- Essa palavra é algo que vai depender de cada um. Ela significa, certamente, demonstrar o seu melhor, conquistar aquilo que para você é importante. E isso pode ser muito diferente de pessoa para pessoa. Eu acho que teríamos mais equilíbrio e usaríamos melhor o nosso cérebro se cada um definisse o que significa ascensão para si, e não tomasse a referência externa como uma referência única e que todo mundo tem que chegar naquele patamar. Porque, às vezes, você está fazendo alguma coisa que nos seus 60 ou 70 anos, vai olhar para trás e falar: “Por que eu trilhei esse caminho? Eu tenho, hoje, uma boa situação financeira, eu cheguei onde de fato todo mundo esperava, mas talvez não tenha conquistado o status que eu de fato queria”. Essa palavra é muito bonita, demonstra o quanto podemos crescer, o quanto podemos nos destacar. Mas seria muito importante, já que estamos falando de programação neurolingüística, de usar a neurologia, que cada um aproveitasse o novo momento para fazer uma lição de casa.

- Qual é o significado disso?

- Que trabalhemos no nosso objetivo individual, e não naquilo que é para as outras pessoas ou para o externo.

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