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A casa do senhor reitor

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Data de Publicação: 26 de janeiro de 2008
Por Pollyanna Nóbrega

Investigação do Ministério Público do Distrito Federal – MPDF - desvendou desvio de verba pela Fundação de Empreendimentos Científicos e Tecnológicos – Finatec -, vinculada à Universidade de Brasília - UNB, um dos maiores rombos aos cofres públicos, resultante da parceria, no valor de R$ 470 mil. Houve até dinheiro para a reforma e aquisição de novas mobílias do apartamento da reitoria da UNB.

O imóvel, localizado na 310 norte, é ocupado pelo atual reitor da universidade, Timothy Mulholland. Através de notas fiscais descobriram também a aquisição e instalação de um home theater, no valor de R$ 36 mil, além de R$ 2,7 mil na compra de três lixeiras para o apartamento.

A fonte do dinheiro para a reforma veio da entidade sem fim lucrativos – Fundo de Apoio Institucional – FAI – da Finatec - que sofre a acusação de desvio de R$ 100 milhões do erário, já que fez um desvio de função atuando como entidade privada. O dinheiro deveria ter sido empregado em atividades de fomento à pesquisa.

A parceria entre Finatec e Unb começou a ser investigada há oito meses. A suspeita de irregularidades surgiu com a análise dos gastos da Finatec, desde 2004. Os promotores Ricardo Antônio de Souza e Gladaniel Palmeira acreditam que isso pode ter iniciado desde o ano de 1999. Além disso, a fundação tinha um esquema de dispensa de licitação que era utilizado para contratos com outros estados. Assim, vencia a suposta concorrência e subcontratava uma empresa privada. “Dessa forma não executava o serviço e agia como gestora dos mais diversos contratos”, resumiu Ricardo de Souza. Fora isso, o promotor salienta que como a fundação é destinada a promoção do apoio ao desenvolvimento científico não poderia nem participar de concorrência.

Diante de todas essas irregularidades quanto ao uso irregular de verba foi descoberto que a fundação pretendia aplicar, ou investir em educação e pesquisas, ainda neste ano, o insignificante valor de R$ 750 mil, bem reduzido diante do orçamento previsto para a entidade de R$ 104 milhões.

A promotoria pediu, na quarta-feira, a destituição imediata da direção da entidade sob acusação de desvio de função, com a utilização irregular de patrimônio e superfaturamento de contratos. De acordo com os promotores que investigam o caso, não há conhecimento ainda do envolvimento direto do reitor com relação aos gastos exorbitantes na reforma de seu imóvel funcional. Porém, o reitor não quer falar no assunto.

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