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Ano 10 - 02 a 09 de Setembro 2006
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Vai de moto...

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Data de Publicação: 2 de setembro de 2006
A possibilidade de o candidato tucano Geraldo Alckmin vencer a corrida eleitoral pela Presidência da República é tão provável quanto um piloto de moto pretender superar a velocidade de um jato. Ou seja, nenhuma. A não ser que ocorra um milagre.

E é em busca desse milagre que Alckmin entra na pista da reta final da campanha eleitoral, a menos de um mês para os brasileiros comparecerem às urnas e decidirem quem deve subir a rampa do Palácio do Planalto em janeiro.

Depois de muito hesitar, contrariando alguns dos principais caciques que se aliaram à sua candidatura, Geraldo Alckmin, finalmente, resolveu deixar o bom-mocismo na política, partindo para o confronto com o adversário. Mas só mudou a postura pressionado pelos resultados das últimas pesquisas, que o colocaram em uma posição de flagrante desvantagem de um Lula, que já se considera vitorioso.

Sua reação começou justamente do ponto em que todos os seus conselheiros políticos apontavam, mas que ele hesitava em tomar a direção: batendo em Lula, já, que, diante da atual situação, não tem mais o que perder. Durante um almoço em São Paulo, na terça-feira, assumiu uma nova postura, apontando desvios éticos de seu adversário. Coube, no entanto, ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, presente ao almoço realizado no Jockey Club, abrir a nova fase da campanha, inspirado em uma frase do ator Paulo Betti, aliado de Lula, para quem é "difícil fazer política sem sujar as mãos". Fernando Henrique afirmou, em um discurso inflamado, ser "preciso despertar a indigna-ção" contra a corrupção do atual governo, o que, segundo a sua expressão, seria "fogo no palheiro". Para ele, as denún-cias de corrupção ocorridas no atual governo acabaram levando o Brasil para o ponto mais baixo da sua história.

Ele também considerou o Congresso Nacional criminoso por ter absolvido os mensaleiros, afirmando que lugar de ladrão é na cadeia e que não concorda com as afirmações de Lula de que, neste momento, todos na política são iguais. Diante de um Alckmin que o ouvia com atenção, o ex-presidente foi ainda mais enfático: "Iguais, não! Eu não sou igual a ele (interrompido por aplausos, teve que repetir a frase três vezes). Queria ter sido igual a ele quando foi líder operário e eu o acompanhei na greve ainda no tempo da ditadura. Queria ter sido igual a ele naquele tempo, mas ele mudou e agora prega e faz tudo o que combateu".

Certamente motivado pelo inflamado discurso de Fernando Henrique, pela primeira vez Alckmin fez um discurso com frases contundentes, diante dos correligionários presentes ao almoço de adesão à sua candidatura. Sem citar seu nome, acusou o presidente Lula de quadrilheiro, afirmando que irá expulsar os vendilhões da pátria, relacionando os casos de corrupção: "Assim como Jesus expulsou os vendilhões do templo, vamos expulsar os vendilhões da pátria".

Animado com os aplausos das 528 pessoas presentes, passou a citar todos os últimos escândalos em que o governo do PT se meteu, acusando o próprio Lula de ter abandonado a ideologia em nome da ambição pelo poder. Parecendo um pastor em cima do púlpito, com a voz serena, mas usando palavras duras, acrescentou: "Esse governo é uma coisa triste. Abraça e chama de irmão quadrilheiro e é violento com o Francenildo (Costa), aquele nordestino pobre que teve violado seu sigilo. Violento com o pobre, com o pequeno. É fraquinho com os que roubam o que é mais sagrado, que não é o dinheiro pessoal, é o dinheiro de todos". Depois de referir-se ao caseiro Francenildo, que provocou a demissão de Antonio Palocci do Ministério da Fazenda ao revelar que ele era freqüentador da República de Ribeirão, uma mansão, no Lago Sul de Brasília, onde se reuniam lobistas, Alckmin afirmou que Lula está se aliando ao que "existe de pior na política".

Depois do almoço, antes de embarcar para Araxá, em Minas, onde se encontraria com o governador Aécio Neves, demonstrando que tomou gostou em dar estocada no adversário, ainda atirou: "Lula não tem projeto e um segundo mandato pode ser um desastre, porque não tem equipe, não tem maioria no Congresso, além de estar aliado ao que existe de pior".

Mas, no programa eleitoral exibido na noite da mesma terça-feira, ele voltava ao ataque a Lula, afirmando que é um presidente que não controla seus ministros e que alega que não viu nada e que não sabe de nada que faz mal para o Brasil.

Resta saber se a moto vai ter velocidade para voar.

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