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Ano 10 - 02 a 09 de Setembro 2006
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Fecharam a pizzaria?

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Data de Publicação: 2 de setembro de 2006

Suassuna, Serys, Magno e Antero


O odor de pizza no forno já não exala pelos corredores do Senado Federal: os senadores Ney Suassuna (PMDB-PB), Serys Slhessarenko (PT-MT) e Magno Malta (PL-ES), acu-sados de envolvimento com a máfia dos sanguessugas, desde a segunda-feira passaram a responder a processos no Conselho de Ética por quebra de decoro parlamentar, e não podem mais renunciar para escapar da cassação. Têm, a partir de agora, prazo de cinco sessões para se defender da acusação de receber propina em troca de emendas para a compra de ambulâncias. O conselho pretende concluir os processos até o dia 24 de setembro.

A expectativa de que tudo acabaria em pizza ganhou força quando o presidente do Conselho de Ética do Senado, João Alberto Souza (PMDB-MA), manifestou a intenção de arquivar a denúncia contra os seus três colegas. Houve uma forte reação contra, dentro do Congresso, com parlamentares receando pelo desgaste que o Senado Federal teria, depois da absolvição de mensaleiros, até que o senador recuou abrindo o processo por quebra de decoro parlamentar dos três envol-vidos com sanguessugas, em um esquema de venda super-faturada de ambulância.

Na terça-feira, a CPI dos Sanguessugas voltava a cortar na própria carne ao notificar o senador Antero Paes de Barros (PSDB-MT), tornando-o oficialmente investigado. Dessa forma, passam a ser quatro os senadores sob suspeita de envolvimento no esquema de desvio de dinheiro público. O caso do senador surpreendeu pelo fato de ter sido acusado pelo chefe do esquema, o empresário Luiz Antonio Vedoin, de ter recebido propina de R$ 40 mil em troca de apresentação de uma emenda ao Orçamento para compra de ambulâncias.

Detalhando o envolvimento de Antero, Vedoin afirmou ter pago os R$ 40 mil por uma emenda de R$ 400 mil apresentada pelo senador, mas o dinheiro teria sido entregue ao deputado Lino Rossi (PP-MT), que na época era do PSDB. Mas o caso só teve repercussão por causa da disputa pela sucessão estadual do Mato Grosso, onde o senador concorre com o atual governador, Blairo Maggi (PPS-MT), que pretende se reeleger. Por isso mesmo, Antero atribui a Maggi os problemas que passou a ter, principalmente o prejuízo eleitoral na reta final de uma campanha.

Como um caso de corrupção puxa outro, Delúbio Soares voltou à cena na segunda-feira, a partir de um relatório da Polícia Federal sobre a Operação Vampiro. No texto fica claro que o esquema de fraudes a licitações montado no Ministério da Saúde era comandado por dois grandes grupos: um ligado ao ex-ministro Humberto Costa e outro ao ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares. O relatório da PF reproduz partes de conversas telefônicas, gravadas com autorização judicial, sugerindo que o grupo de Delúbio "efetivamente alcançou, aproximadamente, R$ 15 milhões com o esquema".

Em outra gravação, de acordo com o relatório, a PF apurou que os lobistas Eduardo Passos Pedrosa e Laerte de Arruda Correa fizeram comentários, em fevereiro de 2004, sobre a "prestação de contas de valores arrecadados junto às empresas licitantes por intermédio de lobistas consorciados”. Ambos estavam entre os 17 empresários e servidores presos pela PF em maio de 2004, logo depois de detonada a Operação Vampiro, que investigou denúncias de fraudes em licitação pública para compra de hemoderivados - medicamentos para hemofílicos - no Ministério da Saúde.

Delúbio Soares, em junho passado, negou que tivesse montado no Ministério da Saúde qualquer estratégia para arrecadar verbas para o partido. Garantiu, inclusive, nunca ter solicitado a ex-funcionários da pasta a arrecadação de fundos para campanha.

Mas o relatório da PF apresenta como prova uma carta apreendida na casa de Luiz Cláudio Gomes da Silva, ex-coordenador de Logística do ministério, nomeado pelo então ministro, na qual um empresário de Brasília "faz reclamação de extorsão praticada pelos lobistas Francisco Danúbio Honorato e Pedro Henrique Macedo, ambos indiciados, que solicitaram 10% do faturamento do contrato para uma espécie de fundo destinado a pagar dívidas de campanha do PT ou do atual ministro da Saúde, Humberto Costa".

Humberto Costa e Delúbio Soares estão entre os 42 indiciados pela PF sob acusação de praticar fraude a licitações, crimes contra a ordem econômica, corrupção ativa e passiva, violação de sigilo funcional, tráfico de influência e formação de quadrilha, entre outros delitos, no âmbito da Saúde.

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