Jefferson quer sair... e Collor quer voltar!
Data de Publicação: 2 de setembro de 2006

Decepcionado com a política, o senador Jefferson Peres anunciou, na quarta-feira, em pronunciamento, que vai deixar a vida pública em 2010, decepcionado com a política. Ele manifestou sua indignação com a possível vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em outubro, criticando também os artistas que, em jantar com o candidato à reeleição, afirmaram não se importar com a ética do PT ao declarar seu apoio a Lula.
"Como ter animação num país como esse, que tem um presidente que meses atrás era, sabidamente, conivente com os piores escândalos de corrupção e esse presidente está marchando para ser eleito, talvez em primeiro turno? Não é desinformação. Votam nele sabendo que ele sabia. Ele vai voltar porque o povo quer que ele volte. Eu me curvo à vontade popular, mas profundamente inconformado", explicou Peres, que é candidato a vice na chapa de Cristovam Buarque.
Com uma longa vida pública, revelou que esta será uma das eleições mais decepcionantes de sua vida, porque é a declaração solene, pública, histórica do povo brasileiro de que desvios éticos de governantes não são importantes. E isso vem até da classe de intelectuais e artistas.

O senador, que está em seu segundo mandato, foi eleito pelo PSDB, mas deixou o partido no segundo mandato de Fernando Henrique Cardoso. Já nas eleições de 2002, apoiou Lula, mas abandonou a base governista em 2003, com críticas à política econômica.
Na quarta-feira, ao anunciar sua desistência da vida pública, acionou sua metralhadora giratória também para alvejar o Congresso Nacional, afirmando que também passa por um processo de putrefação, argumentando: "Estamos aqui, em pleno mês de agosto, por causa do recesso branco. Por que não reduzimos o tempo de campanha? Esse é o país do faz-de-conta. Estamos fingindo que fizemos uma sessão do Senado. Não fizemos nada e recebemos".
Enquanto isso, Fernando Collor de Mello, afastado da Presidência da República depois de ser processado por corrupção, e de jurar que não mais se envolveria com política partidária, no mesmo dia do pronunciamento de Peres, voltava à vida pública, dando entrada no Tribunal Regional Eleitoral de Alagoas com o pedido de registro de sua candidatura a senador pelo PRTB.
O ex-presidente sofreu o impeachment dois anos depois dos escândalos de corrupção que envolviam também o seu ex-tesoureiro de campanha, o empresário Paulo César Farias. Ficou oito anos afastado da política, se auto-exilando em Miami, acompanhando a política brasileira apenas pelos jornais e notícias transmitidas por amigos de Brasília. Voltou, em 2002, para morar em São Paulo, onde tentou se eleger prefeito, mas teve a sua candidatura impugnada, tentando ser governador de Alagoas, mas foi derrotado.
Entrando na campanha a menos de um mês para as eleições, suas chances de vitória não são tão grandes como imagina, até porque enfrentará o seu adversário, o ex-governador Ronaldo Lessa.
Mas tenta retomar a carreira política com a prática de nepotismo: o ex-deputado federal por São Paulo, Euclides Mello, seu primo, é o primeiro suplente em sua chapa, e Ada Mello, também parenta, é a segunda.
Para dificultar ainda mais sua campanha, só depois do eventual deferimento da inscrição de chapa é que ele poderá participar do horário eleitoral gratuito da TV e do rádio.
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