Bem Comportados
Data de Publicação: 2 de setembro de 2006
Os telespectadores que driblaram o sono, na noite da segunda-feira, para assistir ao debate entre os candidatos ao governo do Distrito Federal, pro-movido pela TV Bandeirantes, com a expectativa de assistir uma troca de chumbo verbal, resvalando para a baixaria, devem ter adormecido frustrados. Mediado por Franklin Martins, começou 20 minutos atrasado (às 22h20), sem nenhuma cadeira vazia. Os seis candidatos compareceram e o teste para avaliação nas propostas de todos eles começou já no primeiro bloco, quando Franklin Martins, um experiente jornalista, fez uma pergunta comum aos participantes, sobre como eles pretendiam reduzir as desigualdades sociais.
Primeiro a responder, Expedito Carneiro (PCO) apresentou como estratégia a redução da jornada de trabalho e um salário mínimo de R$ 1,9 mil, enquanto Toninho, do PSOL, vê como alavanca imediata para solucionar o problema investir na força produtiva, aumentando a oferta de trabalho. Para Fátima Passos (PSDC), no entanto, a única solução viável passa pelos incentivos fiscais para a geração de empregos. Arlete Sampaio, do PT, foi mais além, demonstrando que, chegando aos 50 anos, Brasília não é uma cidade apenas funcional, como capital da República, sendo necessário, e com urgência, a implantação de projetos para desenvolver toda a região.
A governadora Maria de Lourdes Abadia, do PSDB, que disputa pela coligação "Juntos por Brasília", foi taxativa ao afirmar que não é possível administrar de costas para uma região onde vivem 1,5 milhões de pessoas. Nessa linha, José Roberto Arruda, do PFL e da coligação "Amor por Brasília", ressaltou que é preciso investir no Entorno, mas também deve ser reservada uma atenção especial para a descentralização das oportunidades de emprego, além de investir muito em uma política educacional.
Mas o teste maior para o bom comportamento dos candidatos veio mesmo foi no terceiro bloco, quando fizeram perguntas entre si. Arlete Sampaio, no entanto, destoou dos demais ao indagar José Roberto Arruda sobre como irá cumprir todas as suas promessas em apenas quatro anos, principalmente porque já anunciou oficialmente que não pretende disputar a reeleição. O questionamento da adversária não embaraçou Arruda: "Juscelino Kubitscheck governou em cinco anos e, em três anos, trouxe a capital do país para Brasília". Não houve, ao contrário do que se imaginava, uma troca de farpa entre os dois, como muitos telespectadores devem ter imaginado.
Ao ser questionada por Toninho sobre como pretende melhorar a saúde, suprindo a falta de remédios nos centros de saúde, a governadora Maria de Lourdes prometeu, caso seja eleita, promover uma revolução no setor, para melhorar a eficiência e ampliando o índice de atendimento da população carente.
Os pardais, alvo da maioria dos brasilienses, entraram na berlinda durante o debate, com Arruda considerando-os como verdadeiros "caça-níqueis": "Existe um exagero e esta é uma crítica construtiva que faço. O objetivo não é multar, mas evitar acidentes". Para a governadora Maria de Lourdes, a instalação dos pardais permitiu a redução da velocidade, e com isso a queda nos índices de acidentes com mortes, "mas é preciso rever a quilometragem de determinadas vias", ponderou.
Quando começou o bloco em que os jornalistas faziam perguntas, quem pensava em usar o controle-remoto para desligar a TV, despertou. O primeiro repórter a questionar os candidatos foi Fábio Pannuzio, da Rede Bandeirantes, que dirigiu sua pergunta ao pefelista Arruda sobre o episódio da quebra do sigilo bancário do Senado, levando-o a renunciar ao mandato. Sem mover um músculo sequer do rosto, o candidato não ficou embaraçado com a pergunta, revelando que tinha se arrependido. Questionou qual foi a gravidade do episódio diante tantos escândalos políticos que ocorreram no país depois disso, principalmente envolvendo recursos públicos.
O final do debate foi de quase confraternização, de-monstrando que os candidatos do Distrito Federal não confundem democracia com bagunça ou desaforo entre os adversários.
A capital da República dá um exemplo de bom nível político ao país.
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