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Ano 10 - 02 a 09 de Setembro 2006
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Efeito da síndrome

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Data de Publicação: 2 de setembro de 2006
O caso da menina austríaca mantida seqüestrada por oito anos está fazendo ressurgir o debate em torno da síndrome de Estocolmo, a partir de uma carta escrita por ela, para divulgação pela imprensa na qual que, "de certa forma", estava de luto pela morte de seu seqüestrador, definido por ela como "parte de sua vida". No texto, Natascha Kampusch, agora com 18 anos, ressalta não ter perdido nada durante os anos que passou como refém de Wolfgang Priklopil, um técnico em comunicações que se matou depois da fuga da menina, há uma semana, depois da fuga da menina No texto da carta ela foi direta: "Ele era parte da minha vida. É por isso que eu também estou de luto por ele de certa forma", afirmou em comunicado lido por um psicólogo.

Natascha, que permaneceu 3.097 dias em cativeiro, foi seqüestrada aos 10 anos de idade, enquanto ia para o colégio. O raptor havia construído um quarto para a menina no subsolo da casa dele. "Ele não era o meu senhor. Nós éramos igualmente fortes. Mas, simbolicamente falando, ele me carregava em seus braços, mas também me tratava a pauladas”. Detalhou sobre sua relação com o seqüestrador, acrescentando: "Nunca o chamei de "meu amor", ou "meu senhor", apesar do desejo dele".

A síndrome de Estocolmo é um estado psicológico no qual as vítimas de um seqüestro, ou pessoas detidas contra sua vontade - prisioneiros - desenvolvem um relacionamento com seu(s) captor(es). Essa solidariedade pode algumas vezes se tornar uma verdadeira cumplicidade, com os presos chegando a ajudar os captores a alcançar seus objetivos ou fugir da polícia.

A síndrome se desenvolve a partir de tentativas da vítima de se identificar com seu captor ou conquistar a simpatia do seqüestrador.

A síndrome recebe seu nome em referência ao famoso assalto de Norrmalmstorg do Kreditbanken, em Estocolmo, que durou de 23 de agosto a 28 de agosto de 1973. Nesse acontecimento, as vítimas continuavam a defender seus captores mesmo depois dos seis dias de prisão física terem terminado. Eles mostraram um comportamento reticente nos processos judiciais que se seguiram. O termo foi cunhado pelo criminólogo e psicólogo Nils Bejerot, que ajudou a polícia durante o assalto, e se referiu à síndrome durante uma reportagem. Ele foi então adotado por muitos psicólogos no mundo todo.

Outros casos famosos incluem pessoas seqüestradas e reféns tais como Patty Hearst. Depois de ter sido refém de uma organização militar politicamente engajada (o Exército de Libertação Simbionesa), Patty Hearst juntou-se ao grupo vários meses depois de ter sido libertada. A síndrome é relacionada a captura da noiva e tópicos semelhantes na antropologia cultural.

As vítimas começam por identificar-se com os seqüestradores, no princípio como mecanismo de defesa, por medo de retaliação ou violência. Pequenos gestos por parte dos captores são frequentemente amplificados porque, do ponto de vista do refém, é muito difícil, senão impossível, ter uma visão clara da realidade nessas circunstâncias. As tentativas de libertação são, por esse motivo, vistas como uma ameaça porque o refém pode correr o risco de ser magoado nesses mesmos atos. É importante notar que estes sintomas são conseqüência de um stress emocional extremo, por vezes até físico.

O comportamento é considerado como uma estratégia de sobrevivência por parte de vítimas de abusos pessoais, tais como abusos no âmbito familiar (esposas, filhos, etc.) e também em cenários de guerra e nos sobreviventes dos campos de concentração nazista.

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