Conversa com o leitor
Data de Publicação: 2 de setembro de 2006
Se a expressão comum “no fundo do poço” pode ser aplicada também com relação a um país, não existe a menor dúvida: o Brasil, se ainda não chegou, está para despencar em um poço sem fundo, pela falta de ética e sem qualquer escala de valores. Pior ainda: sem que se enxergue qualquer perspectiva de mudança.
É doloroso constatar o clima de desalento que começa a tomar conta dos brasileiros diante na mais completa impunidade que afunda o país, com casos e mais casos de corrupção que ocorrem, mas nada acontece, o que serve de estímulo para os assaltantes dos cofres públicos.
Pior ainda é quando se assiste representantes da inteligência nacional, como o compositor Wagner Tiso e o ator Paulo Betti, homens de formação política esquerdista, sempre atentos, no passado em patrulhar desvios éticos, acharem, hoje, perfeitamente normal, o PT ter lançado mão nos métodos que combatiam no passado, “porque se faz política assim mesmo”.
Atingimos o mais baixo nível da vulgaridade também.
Ironicamente, George W. Bush, o maior símbolo da direita mundial, manifestou-se diferente esses dias: “Os políticos corruptos são assassinos de sonhos”.
Mas, a vertiginosa queda para o fundo do poço acontece em todos os níveis - federal, estadual e municipal.
Aqui na capital da República, por exemplo, assistimos agora um fato que demonstra que até mesmo a violabilidade da privacidade do cidadão é praticada como coisa corriqueira, quando, na verdade, deveria ser um reduto indevassável em uma democracia.
Divulgada em um blog uma conversa gravada, sem autorização judicial, foi a maior demonstração do descaso. Um precedente perigoso. Somente em situações extravagantes em que se imponha a supremacia do interesse público, a lei tolera o Estado, munido de proteção judicial, vasculhar, mas limitadamente, a privacidade do cidadão.
Toda e qualquer ação que se processe fora do perímetro legal, mediante a qual se quebre o princípio da privacidade, sem o abrigo excepcional da lei, merece a mais visceral repugnância.
O compromisso que temos com o direito à informação, outro baluarte indispensável à gestão democrática dos interesses sociais, não nos autoriza, porém, a mitigar o princípio da inviolabilidade da privacidade.
No choque entre os dois princípios, inclinamo-nos pelo que guarnece a privacidade, principalmente quando o fato político for colhido em fonte impura, sem proteção legal e, pois, sem legitimidade.
Com tudo isso que está acontecendo no cenário político brasileiro, faz sentido o senador Jefferson Peres sair de cena e Fernando Collor pretender voltar.
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