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Cinema

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Data de Publicação: 26 de agosto de 2006
Por: José Guilherme
E-mail: jguilherme@brasiliaemdia.com.br


A CASA DO LAGO
(The Lake House) EUA, 2006. Direção: Alejandro Agresti. Elenco: Keanu Reeves, Sandra Bullock, Shohreh Aghdashloo, Christopher Plummer.

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Segunda parceria da dupla Reeves/Bullock, depois do sucesso de Velocidade Máxima (1994), este A Casa do Lago vem dirigido pelo argentino Agresti, com uma respeitável filmografia no currículo. O filme é baseado na película coreana Siworae (2000), cuja tradução para o italiano é Il Mare. Não por coincidência, o restaurante de Chicago onde Alex e Kate marcam encontro se chama Il Mare, numa clara homenagem àquele filme.

Alex (Reeves) é um arquiteto frustrado com sua vida e sua carreira. Ele é filho do famoso arquiteto Simon Wyler (Plummer), que se dedicou de tal forma à sua profissão que se separou da esposa e manteve um contato precário com os filhos. Quando a médica Kate Forster (Bullock) deixa a casa do lago (idealizada e construída pelo pai de Alex), que alugara enquanto fazia residência no hospital, Alex se muda para lá. Só que parece haver uma clivagem de tempo entre os dois: quando eles começam a se escrever, Alex diz que está em 2004 e Kate afirma que o ano é 2006.

O filme trabalha com o conceito de “linha do tempo”, de modo que a linguagem narrativa é extremamente fragmentada, ou seja, o espectador vai e volta no tempo dos personagens, que se comunicam através de uma caixa de correspondência no terreno da casa. O outro liame físico entre eles é o cachorro “Jack” que parece pertencer aos dois, mas em “tempos diferentes”. O “argumento” ou script usado para justificar a possibilidade de que eles afinal se encontrem é o romance de Jane Austen, Persuasão, em que duas pessoas que se amam, e se perdem uma da outra, recebem uma segunda chance para ficarem juntas. A premissa do filme é intrigante, e lembra aquela que serviu de fio condutor para Vanilla Sky: pode haver contato entre pessoas em tempos cronológicos distintos?

ANJOS DO SOL
Brasil, 2004. Direção/Roteiro: Rudi Lagemann. Elenco: Antonio Calloni, Chico Díaz, Otávio Augusto, Vera Holtz.

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Filme-denúncia assinado pelo gaúcho Lagemann, Anjos do Sol trata de um tema que tem ocupado a mídia nacional nos últimos anos e mais ainda em tempos recentes: a prostituição infantil, um problema que vem sempre acompanhado de outros três gravíssimos eventos: a venda de meninas adolescentes pelos pais, nas regiões mais miseráveis do país; o tráfico clandestino dessas meninas para pontos de “desova”, em áreas onde a sexualidade feminina é uma mercadoria sempre requisitada; e a escravização dessas infelizes, que entram em prostíbulos devendo tudo que lhes é fornecido e são mantidas em regime de cárcere privado.

O filme discorre sobre as histórias de vida de várias dessas meninas, muitas delas já adultas, que vivem na “Casa Vermelha”, na vila de Socorro, na região do garimpo amazônico. Inicialmente, com a intermediação de um “comprador” (Díaz), um casal entrega uma de suas filhas, Maria, de 12 anos, como mercadoria para esse promissor mercado de sexo. Transportadas clandestinamente num caminhão, elas vão parar nas mãos de uma proxeneta (Holtz), que as “leiloa” para os homens ricos da cidade, entre eles um fazendeiro (Augusto), que quer dá-las de “presente de aniversário” para seu filho de 15 anos.

Depois de servirem a Augusto, são mandadas de avião para o garimpo, onde Calloni, o dono implacável da casa noturna e do armazém local, as acolhe, escravizando-as para servirem à concupiscência dos garimpeiros. Tentativas de fuga, com “capitães do mato” usando armas e cachorros em sua perseguição, completam esse regime de terror. Segundo ONGs especializadas nessa área, existem hoje cerca de 100 mil meninas no Brasil submetidas a esse tratamento desumano. Para refletir.

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