NUNCA MAIS
Data de Publicação: 13 de maio de 2006
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www.paulocastelobranco.adv.brPensou que estava vendo coisas; mas não, as letras se moviam formando figuras desconexas, algumas se misturavam criando palavras obscenas e outras se transformavam em bonecos com fisionomias orientais e fazendo gestos de gozaçãoÀs vésperas da Copa do Mundo, começou a pesquisar qual o melhor aparelho de televisão para comprar. As ofertas, os prazos e os preços estavam convidativos e só precisava ter a certeza de que o aparelho comprado não o deixaria na mão na hora mais importante da partida. Já tivera uma experiência desagradável na Copa da França. Havia comprado uma televisão nova e cheia de controles. Na abertura do evento, tudo correu perfeitamente, mas, logo que o jogo começou, a tela mudou de cor e as camisas se confundiram em uma só. A vantagem é que, quando o time do Brasil atacava e perdia a oportunidade de gol, ele não sentia a diferença, pois a falta de definição entre as cores dos uniformes provocava uma certa apatia. Não sofria, mas não se divertia. No final, não conseguiu ficar com raiva do aparelho, pois a derrota foi mais importante do que o dissabor com a compra da televisão. Jogou a televisão no lixo e ela ficou várias semanas na porta da casa. Foi notificado pela administração e teve que contratar uma empresa para remover o trambolho da rua.
Agora decidiu que não iria comprar nada que não pudesse experimentar antes. Contratou com uma loja de aluguel de televisores e, a cada semana, alugava um tipo para constatar a eficiência. Depois de muito procurar, decidiuse por uma mega tela de 42', de plasma e com um som extraordinário. Era da marca Samsung. Como o aluguel era muito alto, decidiu que, no final de maio, iria comprar a tal da televisão. Arrumou o local adequado para que ele e mais dez pessoas assistissem aos jogos do Brasil com conforto.
Em abril, ao chegar no escritório, sentouse à frente do computador e esperou por alguns instantes até que aparecesse o programa instalado. O monitor, da marca Samsung, nem gritou ao morrer. A máquina parou e a tela ficou negra. Procurou a nota fiscal e constatou que o aparelho ainda estava dentro do prazo de garantia; quase um ano. Mexeu nos fios para ver se não estava nada fora do lugar. Tudo OK. Desligou a máquina e recomeçou a operação, seguindo a orientação do técnico que lhe dá assistência nos computadores. A tela apareceu brilhante e colorida. Ficou tranqüilo e começou a digitar.
Quando o texto estava quase pronto, novamente a tela ficou negra; sem um aviso sequer. Louco de raiva, recomeçou a operação de desligar tudo e iniciar uma nova sessão. A tela voltou lenta, e a marca Samsung na parte inferior do monitor começou a se mexer de um lado para o outro. Pensou que estava vendo coisas; mas não, as letras se moviam formando figuras desconexas, algumas se misturavam criando palavras obscenas e outras se transformavam em bonecos com fisionomias orientais e fazendo gestos de gozação. Desligou o computador diretamente da tomada e saiu para espairecer, já que havia perdido todo o trabalho. No shopping, viu as ofertas de computadores a preços baixíssimos. Alguns monitores de plasma a preços tão reduzidos que valia a pena comprar um novo. Não comprou. Voltou para o escritório, procurou o endereço da oficina autorizada Samsung e levou o aparelho para o conserto.
Na loja o atendimento foi rápido. Dentro de poucos dias telefonaremos, disselhe a atendente. Para não ficar sem trabalhar, colocou no lugar do monitor moderno um velho companheiro, também Samsung, que nunca lhe deixou na mão. A máquina é feia e ficou destoando no ambiente já acostumado com a leveza da tela de plasma. Funcionou bem e lá ficou. Lá ficou porque, até hoje, a tela moderna e de plasma continua na UTI da oficina esperando umas peças para que seja consertado. Já se vão 40 dias e, já prometeu que, se avançar até os dias que antecedem à Copa, não comprará a televisão Samsung. Vai para a Alemanha. Lá, poderá se aborrecer se o Brasil não for hexa, mas irá entender; só não entende a razão de tanta tecnologia, sem que as empresas ofereçam garantia de um ano, substituindo imediatamente máquinas com defeito; desta forma, deixariam de torrar a paciência dos iludidos compradores.
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