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Ano 9 - 13 a 19 de Maio 2006

O HOMEM É BOM DE BOXE

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Data de Publicação: 13 de maio de 2006
carloschagas@hotmail.com

Como quem quer colaborar, Eduardo Suplicy atinge o fígado do partido e ajuda a expor as entranhas do golpe que seus companheiros aplicaram nas instituições. Propõe que o Lula escolha dia e hora, quando for de sua conveniência, para comparecer ao plenário reunido de Câmara e Senado, explicandose. Haverá, então, o que explicar...

Eduardo Suplicy não perdoa. Bate, ou melhor, devolve os golpes com que o PT e o governo costumam agredilo. Campeão universitário de boxe em São Paulo, em décadas anteriores, aprendeu a resistir a ganchos e diretos sem jamais esmorecer. Pretendem afastálo da prerrogativa natural de disputar outro mandato de senador. Em nome de uma improvável aliança do PT com o PMDB, que daria a Orestes Quércia a indicação para a senatória, as direções paulista e nacional de seu partido querem atingir Suplicy abaixo da linha da cintura. Deramse mal na primeira tentativa, porque a resposta do senador foi renovar a sugestão da presença do presidente Lula no Congresso, para defenderse das acusações de que sabia dos escândalos do mensalão e sucedâneos.

Como quem quer colaborar, Eduardo Suplicy atinge o fígado do partido e ajuda a expor as entranhas do golpe que seus companheiros aplicaram nas instituições. Propõe que o Lula escolha dia e hora, quando for de sua conveniência, para comparecer ao plenário reunido de Câmara e Senado, explicandose. Haverá, então, o que explicar...

Claro que a sugestão já foi e mais será rejeitada pelo presidente da República, inclusive sob a alegação da inexistência de precedentes. Não há, em toda a história da República, um único exemplo de que chefes do Executivo tenham sido convocados ou, mesmo, se apresentado de forma espontânea para depor. Seria o primeiro passo para o seu afastamento do cargo, por vontade própria ou por impeachment.

Melhor fariam o PT e o governo em não provocar o senador, mesmo aceitando suas peculiaridades e suas surpresas. Porque se existe uma única opção para não serem completamente derrotados em São Paulo, ela se chama Eduardo Suplicy. Para presidente da República, no estado, vencerá Geraldo Alckmin. Para governador, José Serra. E para senador, só ele, se não for impedido de concorrer.

A BRIGA É BOA

Apenas dois personagens mereceram diatribes, críticas e amplas doses de deboche, nas "Artes da Política", livro de memórias parciais de Fernando Henrique Cardoso: José Sarney e Delfim Netto. Se é verdade que no livro o expresidente da República fez chacota com Itamar Franco, ao menos contevese no uso de adjetivos, certamente por receio de represálias peculiares ao modo de ser do antecessor.

Com Sarney e Delfim, porém, Fernando Henrique foi cruel. Não mediu conceitos para deixálos mal política e pessoalmente.

Pois se o exvicepresidente que virou presidente dá a impressão de não querer conflitos nem confrontos, mantendose calado, o mesmo não se passa com o exministro da Fazenda, da Agricultura e do Planejamento. Em artigo publicado dias atrás na "Folha de S. Paulo", Delfim desancou o governo Fernando Henrique no terreno onde não há comparação entre a capacidade dos dois, a economia. Esta semana, na "Rádio Bandeirantes", foi mais contundente e mais impiedoso. Aliás, com toda razão.

Delfim Netto demonstrou que a trapalhada do Brasil com a Bolívia deveuse toda a Fernando Henrique, porque não tínhamos a menor necessidade do gás boliviano. Os investimentos feitos, as concessões e até a exploração daquele país irmão foram fruto da megalomania de FHC, indo a conta, agora, para o presidente Lula. O deputado por São Paulo dá sinais de que devolverá em pílulas as acusações e as gracinhas de FHC. É pesopesado contra pesopena...

QUANTO VALE CEM VALÉRIOS?

Na momentosa entrevista de Silvio Pereira a "O Globo" lêse a acusação de que Marcos Valério tentava arrecadar um bilhão de reais para o PT perpetuarse no poder. Pouco antes o indigitado expetista referiu não existir apenas um Marcos Valério, porque atrás do original vinham mais de cem cópias. Basta somar: o esquema teria como meta colher 101 bilhões de reais? Nesse caso não apenas mandaria no Brasil por trinta anos, mas ocuparia o planeta inteiro, de preferência até a eternidade.

Ignoravase, ainda ontem, se Silvio Pereira compareceria ou não na próxima semana à CPI dos Bingos, e, acima de tudo, se iria munido de mais um desses lamentáveis habeascorpus que o Supremo Tribunal Federal concedeu a um monte de ladravazes para ficarem calados ou até poderem mentir nas oitivas. De qualquer modo, recrudesceu o ímpeto investigativo entre os senadores. Mais novidades deverão surgir a respeito do maior escândalo jamais praticado na República por um partido político, acobertado por um governo.

Falava-se da hipótese de até mesmo José Dirceu, José Genoíno e Luiz Gushiken virem a ser reconcocados para esclarecimentos. Sem falar em Marcos Valério e em Delúbio Soares. Número existe, no Senado, para a prorrogação dos trabalhos da CPI dos Bingos, cujo término está previsto para 25 de junho. Além do que, mesmo nesse prazo, muita sujeira poderá escoar pelo ralo...

SE TODOS CONTAREM TUDO

Virou moda muita gente ameaçar contar tudo, alguns até vaticinando a destruição da República, nesse caso. Não apenas Marcos Valério teria se saído com a ameaça não concretizada, mas Delúbio Soares também. Ambos parecem mais ou menos blindados pelo perigo que representam, porque até hoje andam soltos, não foram parar na cadeia e nem respondem pelas maracutaias praticadas.

Nos quartéis, em priscas eras, havia um sinal de corneta destinado a caracterizar o pior. Era o "toque do horror". Quando em plena batalha mal sucedida os soldados escutavam aquele toque, sabiam que a partir dali era cada um por si e Deus por todos. Quem pudesse, salvasse a pele, fugindo, correndo, enfiandose num buraco ou até rendendose ao inimigo.

Os principais implicados no mensalão e seguintes encontramse não muito longe de ouvir o "toque de horror". O corneteiro pode ter sido Silvio Pereira, mas a tropa não parece livre de Marcos Valério roubarlhe a corneta. Outros candidatos existem, como José Genoíno, Roberto Jefferson, o próprio José Dirceu e quantos mais? Se não tiverem nada a perder, exceção da própria vida, que tal negociála em troca de casa, comida e roupa lavada no acampamento adversário? Leiase, na cadeia, mas protegidos pelo Ministério Público.

Podemos estar próximos do clímax da aventura um dia imaginada segura e intangível, pela abertura completa da caixa preta em que se meteram o PT e parte do governo.

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