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Ano 9 - 13 a 19 de Maio 2006
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Observatório Geral

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Data de Publicação: 1 de julho de 2006
Impressões, curiosidades e anotações...

NA PERIFERIA DAS GRANDES METRÓPOLES CRESCE A MAIORIA DA POPULAÇÃO DA HUMANIDADE: CRIANÇAS E JOVENS POBRES

32% POS BRASILEIROS DAO PRIORIDADE AO CCYBATE A VIOLÊNCIA

DOS 6,5 BILHÕES DE HABITANTES DO MUNDQ 1 EM CADA 3 PESSOAS VIVE EM FAVELAS



Por: Claúdia Pereira
brasiliaemdia@brasliaemdia.com.br


SERÁ QUE SOMOS SURDOS? Da varanda do meu Ap. ouço os acordes religiosos do encontro evangélico. Na manhã seguinte, acordo com as palavras de ordem de algum encontro político ou sindical. Nem bem acabam os discursos, escuto os primeiros acordes do trio elétrico da Parada Gay. Em frente ao Congresso Nacional, o show rola. Não importa a hora. As sextas, sábados ou domingos, os hóspedes dos hotéis nos Setores Hoteleiros Sul ou Norte, são obrigados a conviver com as manifestações democráticas ou religiosas que, apesar de legítimas, não respeitam os ouvidos alheios. Temos que ouvir os agudíssimos solos de guitarras, os altíssimos discursos inflamados, ou o alto volume das bandas religiosas que montam seus palcos na Esplanada dos Ministérios, no CONIC ou nas imediações do Conjunto Nacional. A quem interessa tantos decibéis? Católicos, evangélicos, roqueiros, políticos ou gays, todos berram a sua existência. Caixas negras, potentes, agressivas e onipotentes ecoam palavras de ordem, cantos e orações. Será que somos todos surdos? Será que é preciso amplificar a fala para que alguém se interesse por algumas dessas causas? Enquanto isso, no silêncio das navalhas ou no estampido dos revólveres, cresce a violência promovida pela desigualdade social.

INJUSTIÇA E DESIGUALDADE Fecho as janelas e me concentro na leitura dos jornais. Descubro dois brilhantes artigos do sociólogo Emir Sader. Eles tratam de questões fundamentais do nosso tempo: concentração de renda, desigualdade e favelização. Ingredientes trágicos da construção da violência que tanto tememos. Sader nos revela que a desigualdade não é apenas uma falha dos países em desenvolvimento: “Os EUA são o país de maior desigualdade social entre os do centro do capitalismo — os globalizadores — e nós (o Brasil), o país mais injusto entre os globalizados... Nos EUA, o abismo entre os mais ricos e os mais pobres foi aumentando siguificativamente desde 1980. O 1% mais rico, que detinha 8% do total da renda, engrossou sua renda para 16% em 2004”. (Emir Sader, in, Jornal do Brasil, 25 de junho de 2006)

CONCENTRAÇÃO DE RENDA Matéria da revista britânica The Economist nos informa que, nos EUA: “os salários médios aumentam menos de 1% desde 2000, apesar do grande aumento da produtividade. Foram os grandes executivos e as grandes empresas que eles dirigem, que ficaram com o essencial desse aumento, cujos ganhos bateram recordes. Noventa por cento da população viram seus salários ficarem abaixo do nível de aumento da produtividade, enquanto os 10% mais ricos tiveram seus salários acima desse nível”. (Emir Sader, in, Jornal do Brasil, 25 de junho de 2006)

UMA EM CADA TRÊS PESSOAS VIVE EM FAVELA Num artigo publicado no Correio Braziiense, o sociólogo Emir Sader nos avisa sobre os efeitos dessa alta concentração de renda: “Dos 6,5 bilhões de habitantes do mundo atualmente, uma de cada três pessoas vive em favela ou em situação similar. A população total desse tipo de habitação chegará, no próximo ano, a 1 bilhão de pessoas. Ele acrescenta que o novo relatório da ONU— chamado UM-habitat o estado das cidades 2006/0 7 — relata o drama dos conglomerados urbanos no mundo. As megacidades, com mais de 20 milhões de habitantes, tendem a se multiplicar”. (Emir Sader, in, Correio Braziiense, 25 de junho de 2006)

ÓRFÃOS DA URBANIZAÇÃO Estudos da ONU apontam para situações alarmantes: “Na periferia das grandes metrópoles cresce o setor social que representa a maioria da população da humanidade: crianças e jovens pobres. São órfãos da urbanização. Trabalham nos mais diferentes tipos de atividades, combinam vários ao mesmo tempo, se socializam nas ruas ou nas igrejas, às vezes no narcotráfico”. (Emir Sader, in, Correio Braziliense, 25 de junho de 2006)

PACTO SOLU)ÁRIO PELA DISTRIBUIÇÃO DE RENDA Esses dados fundamentam a preocupação mundial com a violência e justificam o temor do eleitor brasileiro com a segurança pública Pesquisa CNI/Ibope mostra que de março a junho deste ano, o índice de brasileiros que dão prioridade ao combate à violência subiu de 24% para 32%. Enquanto isso, no Rio de Janeiro, nos últimos cinco anos, o gasto do governo com segurança pública aumentou 82%. Em 2005, o orçamento foi de R$ 1,5 bilhão. Apesar dos recursos, o efeito foi contrário. Entre 2000 e 2005, os roubos no Estado aumentaram 87%, os homicídios dolosos e latrocínios, 5%, e os roubos de veículos com ações violentas, 20%. Segundo a ONU, a prioridade é melhorar a vida nas favelas, ajudando aos mais pobres a se integrarem no tecido urbano e melhorar suas condições de vida. Acho que está na hora dos governantes, dos politicos e da sociedade organizada selarem um pacto solidário que garanta a distribuição de renda em larga escala através da construção de um mercado interno de consumo popular, capaz de promover a inclusão social da grande maioria da população e com ela reduzir a exclusão e a violência que agride ricos e pobres.

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