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Ano 9 - 13 a 19 de Maio 2006
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Cinema

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Data de Publicação: 1 de julho de 2006
jguilherme717@hotmail.com

Um Casal Admirável

UMA TRILOGIA DE LUCAS BELVAUX Continuação

(Un Couple Épatant) França/Bélgica, 2002. Direção/roteiro: Lucas Belvaux.
Elenco: Ornella Muti, François Morel, Valérie Mairesse, Catherine Frot, Gilbert Melki, Dominique Blanc, Bernard Mazzinghi, Lucas Belvaux

O primeiro filme da semana passada, Em Fuga, é classificado por Belvaux como um thriller. O segundo, Acordo Quebrado, é um drama, ou melodrama, segundo ele. Já este terceiro, Um Casal Admirável, encaixa-se mais no gênero comédia romântica. É provavelmente o filme mais inteligente da trilogia, primeiro, porque recebe um trabalho de edição compatível com a complexidade formal da trama estabelecida no roteiro. Segundo, porque esse roteiro faz as histórias correrem em paralelo, com destaque para o casal principal, Cécile (Muti) e Alain (Morel), que exercia papéis bem mais secundários nas outras duas histórias, segundo o “rodízio” proposto por Belvaux.

Essas histórias se passam, todas elas, em Grenoble, interior da França, próximo aos Alpes franceses. As mulheres que compõem os três casais, Cécile, Jeanne (Frot) e Agnés (Blanc) são todas elas professoras, lecionando no mesmo estabelecimento, o Colégio Jean Moulin. Neste Um Casal Admirável, Alain é um engenheiro dono de uma firma especializada em viabilizar patentes industriais para grandes investidores estrangeiros. Sua esposa, Cécile, se relaciona bem com as amigas professoras, mas é tomada de suspeitas com a estranha conduta do marido, de modo que pede a um policial, Pascal (Melki), casado com uma viciada em morfina, Agnés (Blanc), que passe a vigiar os passos de Alain. O policial, cheio de problemas em casa, acaba levando a missão a sério demais, pois descobre que está “caído” pela bela Cécile.

Enquanto isso, Alain, auxiliado pela fiel secretária Claire (Mairesse), também alimenta suspeitas quanto ao comportamento de Cécile, que empresta seu chalé de montanha para ajudar a amiga Agnés, esta, por sua vez, dando cobertura ao criminoso Bruno (Belvaux), que foge da polícia. Como Alain acha que está doente e tem pouco tempo de vida, combina com o médico e amigo, Georges (Mazzinghi) que sua esposa não saberá de nada, caso falhe a operação a que deverá submeter-se em breve.

O filme consegue manter o ritmo ágil, tragicômico, de uma insuspeitada ansiedade pelo desfecho dos vários “mistérios” que aguçam a curiosidade, graças ao estilo compartimentado com que foram rodados, como se o resultado final fosse uma colagem de esquetes. Assim, Em Fuga e Acordo Quebrado são valorizados, na seriedade de suas tramas, pela narrativa leve e descontraída (tensa e dramática apenas na aparência) de Um Casal Admirável, pois ela possui o dom de explorar ângulos desconhecidos ou não revelados nos outros dois filmes.

Ao fazer essa exploração, Belvaux acaba não só por explicar os detalhes ocultos para o público, encaixando-os na lógica da narrativa geral e seqüenciada (que tomaria quase 6 horas de projeção, se eles fossem exibidos um após o outro, sem intervalo), como permite que o espectador forme uma visão de conjunto das vidas dessas pessoas, vidas aparentemente ordinárias num cotidiano de mesmice, o que só é realmente desvendado como algo digno de nota quando somos autorizados a penetrar na intimidade desses personagens.

Enfim, quem se aventurar a assistir a um dos filmes, ficará tentado a ver os demais. A quem quiser se arriscar, a experiência promete alguns resultados compensa-dores.

Na próxima edição: “Poseidon”.

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