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Ano 9 - 13 a 19 de Maio 2006
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Jogando o boné

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Data de Publicação: 1 de julho de 2006
Por: Roberto Rodrigues

Uma baixa no governo Lula: o ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, entregou o cargo ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, dando por encerrada sua participação no governo seis meses antes de terminar o mandato do petista. Embora negando razões políticas na sua decisão, anunciada na quarta-feira, ele não resistiu à pressão dos ruralistas porque não conseguia fazer o governo atender suas reivindicações. Durante os quase quatro anos, o ministro pediu demissão cinco vezes e só agora foi atendido.

Percebendo que perdera a base de apoio que vinha dos ruralistas, ele chegou à conclusão que não havia mais sustentação. Quando se sentia fortalecido não hesitava em partir para o confronto com os seus colegas do governo, como aconteceu durante a gestão de Antonio Palocci como ministro da Fazenda. Na terça-feira, jantando com o presidente Lula, apresentou o pedido de demissão em caráter irrevogável. Dessa vez, Lula não teve argumentos para convencêlo a continuar no cargo.

Mas o motivo mesmo da sua demissão foi a grande barreira que enfrentava para negociar, com a área econômica, incentivos e prorrogações de dívidas dos produtores rurais. Seu maior receio, no entanto, é que a sua gestão ficasse associada à crise enfrentada pela agricultura. Normalmente discreto, ao anunciar sua demissão, ele acabou dando uma pista para o motivo que o levou a deixar a Esplanada dos Ministérios: "A gente nunca pode ser ministro da Agricultura quando o setor está no máximo".

Isso porque, em 2003, a agricultura e a pecuária estavam em alta, até o ano seguinte, quando os agricultores começaram a reclamar do câmbio valorizado e das altas taxas de juros. Mas em 2005 a situação ficou ainda mais grave, em conseqüência da estiagem que causou grande prejuízo. Outro motivo relevante para o desfecho da quarta-feira foi que o Produto Interno Bruto registrou um péssimo desempenho da agricultura, não passando de 1,4% a alta.

Também os exportadores de produtos agropecuários vinham manifestando sua insatisfação diante do prejuízo que contabilizavam em conseqüência da valorização do real com relação ao dólar, tornando os preços dos seus produtos menos competitivos no exterior.

Para piorar ainda mais o cenário, o governo retardou a liberação de R$ 1 bilhão para a comercialização da produção. Esses recursos foram pedidos em fevereiro de 2005, e deveriam ser liberados nos dois meses seguintes, no máximo, mas saíram em parcelas: R$ 400 milhões em agosto e R$ 300 milhões em novembro. A conseqüência disso foi que os empresários rurais não puderam manejar a venda da produção, provocando uma pressão de baixa dos preços, seguida da redução dos preços dos produtos da cesta básica e a perda de rentabilidade do setor rural.

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