Conversa com o leitor
Data de Publicação: 1 de julho de 2006
O homem é bom, a sociedade é que o corrompe, conforme preconizava o filósofo Jean-Jacques Rousseau, ao produzir “O Mito do Bom Selvagem”? Ou será que o homem é mesmo uma fera, domada pela força coercitiva da organização social?
Vale indagar: a violência é uma manifestação exógena, motivada pelas circunstâncias, ou é o espectro de forças incontroláveis que pareciam adormecidas?
E mais: a banalização da violência, em seriados enlatados, transmitidos pela tevê para crianças e adoles-centes, incita-a, ou é um mecanismo de compensação psicológica a cidadãos pacatos e cumpridores dos seus deveres?
Quando se discute um tema como a violência, cada vez mais explosiva no Brasil, é preciso ressaltar que a polícia deveria ser mais preventiva, repressiva, mas, também, educacional. Ou seja, exercitando a função de formar a cidadania, reduzindo a violência, melhorando as relações entre as pessoas, além de conscientizá-las para exercer seus próprios direitos.
Seria oportuno, também, a formação de uma consciência quanto a importância do respeito aos direitos fundamentais do cidadão, voltando-se para a proteção da cidadania.
Um sistema preventivo para a criminalidade produziria, em um futuro não muito distante, ações muito profundas junto à população. O contrário a isso pode nos levar apenas a se defender apenas dos ladrões de galinhas ou compondo problemas familiares.
Lamentavelmente, neste momento de crise ética e moral que o país atravessa, com reflexos profundos na sociedade, os valores perdem o sentido maior. Ressalta-se mais a competência, a eficácia, a disputa, uma filosofia social implan-tada. Como em uma selva, ninguém é irmão - todos são concorrentes.
O preço disso tudo é muito alto, como pode se conferido pelas notícias que a mídia transmite a cada instante.
É perfeitamente previsível como tudo isso pode acabar.
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