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Ano 9 - 13 a 19 de Maio 2006

O QUE QUER DIZER ALCKMIN?

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Data de Publicação: 1 de julho de 2006
carloschagas@hotmail.com

Espinhos cresceram no ninho. Mais do que reeleito para o palácio da Liberdade, Aécio não pode esconder seu posicionamento para concorrer à presidência da República, em 2010. O problema é que os paulistas continuam a dominar o PSDB, como se fosse um condomínio reservado

Não se trata de agressão ou má vontade. No máximo, será uma irreverência.

Qual o significado, em árabe, do nome Alckmin?

Vale ilustrar a dúvida com uma histo-rinha. José Maria Alckimin, sem o "c" e com um "i" a mais do Geraldo, foi um dos mais matreiros políticos do Brasil. Dava nó em pingo d'água. Morreu pobre, depois de cinquenta anos de vida pública, apesar de seus adversários inventarem o diabo sobre ele, em especial quando ministro da Fa-zenda de Juscelino Kubitschek. Pertencia àquele grupo de políticos mineiros de presença invulgar na política nacional. Pe-dro Aleixo, Milton Campos, Oscar Correia, Bilac Pinto, Gustavo Capanema, Negrão de Lima, Juscelino e quantos mais?

Missão da Arábia Saudita visitava o Bra-sil, naqueles idos. Numa recepção no Ita-maraty, ainda no Rio, José Maria Alckmin afastou-se do grupo de ministros que con-versava, avisando que ia desfazer uma cu-riosidade de muitos anos. Aproximou-se dos sheiks, com um intérprete, conversou alguns minutos e voltou radiante.

"Eu não disse a vocês que sou um predes-tinado? Perguntei aos árabes o que significa Alckimin, na língua deles, e me confirma-ram que significa "o grande líder", "o grande chefe". Não poderia ser diferente."

Um dos presentes desconfiou, deixou passar algum tempo e, antes que a festa ter-minasse, fez o mesmo percurso e a mesma pergunta. Voltou às gargalhadas. Os árabes disseram que Alckimin significava, na ver-dade, "o grande mentiroso"...

Não há relação alguma nem nada contra Geraldo, candidato que desperta a admira-ção de todos nós pela persistência com que rema contra a maré. Mas não será no mínimo curioso verificar a relação entre o seu sobre-nome e a certeza com que assegura que vai ser eleito?

HOMENAGEM MERECIDA

Portugal parou, quando o mundo político e o mundo intelectual se reuniram para as-sistir as Universidades Lusíadas homenagea-rem o embaixador do Brasil, Paes de Andra-de, com o título de Doutor Honoris Causae em Relações Internacionais. Do presidente da República ao primeiro-ministro, dos líderes da oposição ao corpo diplomático, estarão todos reunidos para conceder ao represen-tante do Brasil em Lisboa um laurel que nenhum de seus antecessores recebeu até hoje.

Paes é autor da "História Constitucional do Brasil", livro adotado não apenas pelo cur-so Rio Branco, do nosso ministério das Rela-ções Exteriores, mas nas principais univer-sidades de Portugal, a começar por Coimbra e Lisboa. Sem falar da Espanha, França e Alemanha, em cujas universidades já foi agraciado.

A gente se pergunta se não estaria na hora do embaixador voltar, já que é o presidente de honra do PMDB, tendo ocupado a presi-dência da Câmara dos Deputados e, no go-verno José Sarney, exercido por treze vezes a presidência da República. Não havia vice-presidente e o presidente da Câ-mara era o primeiro na linha suces-sória.

A indagação é porque Paes de An-drade não retorna para ser eleito pela décima vez a uma cadeira na Câmara dos Deputados, mas sua decisão pa-rece definitiva: a vez é dos mais jo-vens, ele descobriu um mundo novo no Velho Mundo. No caso, o magisté-rio, ainda que por enquanto repartido com a diplomacia.

AÉCIO NO PMDB?

Crescem na direção do PMDB os esforços para que desde já se crie o clima necessário à volta do governa-dor Aécio neves às suas origens. Por-que ele começou na política seguindo o avô, Tancredo Neves, um dos fun-dadores do partido. Pelo PMDB ele-geu-se deputado e apenas mais tarde mudou-se para os tucanos.

A verdade, agora, é que espinhos cresceram no ninho. Mais do que re-eleito para o palácio da Liberdade, Aécio não pode esconder seu posicio-namento para concorrer à presidência da República, em 2010. O problema é que os paulistas continuam a domi-nar o PSDB, como se fosse um con-domínio reservado. Como José Serra encontra-se a um passo de conquistar o palácio dos Bandeirantes, fica evi-dente que será o candidato preferido da cúpula do partido.

No PMDB, o governador mineiro não teria competidores e seria recebi-do de braços abertos. Jovem, com re-conhecida capacidade administrati-va, herdeiro de estadistas e, acima de tudo, mineiro, depois de dezesseis anos de domínio paulista no país, sua candidatura disporá de todos os in-gredientes para o sucesso.

É claro que o futuro a Deus perten-ce,mas se ELE já é brasileiro, tudo indica que em mais quatro anos estará falando "uai"...

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