Pensando bem...
Data de Publicação: 29 de julho de 2006

Pesquisa do Ibope/TV Globo mostra que Lula caiu para 44% e Alckmin subiu para 27%, mas, mesmo assim, ele ganharia no primeiro turno. Porém, até o dia primeiro de outubro, o petista terá que administrar muito bem problemas administrativos e situações políticas embaraçosas que podem prejudicar sua condição de candidato favorito.
Sentado na poltrona principal do Palácio do Planalto, ele terá o ônus com o que ocorrer na administração pública a partir do crescimento das despesas da União, que aumentaram, no primeiro semestre deste ano eleitoral, em ritmo mais acelerado do que as receitas. O Ministério da Fazenda já acionou o painel de alarme: os gastos do governo cresceram 14% em relação a 2005 - foram desembolsados R$ 177 bilhões para pagar reajustes do salário-mínimo do funcionalismo bem como aumentos de outras categorias, mais subsídios e benefícios sociais.
Todos esses gastos continuarão a existir no próximo governo. Embora o governo garanta que as despesas estejam no limite previsto, muitos analistas apostam que o aumento das despesas permanentes pode comprovar o esforço fiscal no futuro.
Caso seja eleito, Lula terá em suas mãos uma bomba que ele próprio acendeu o pavio: a tendência, daqui por diante, será o esforço fiscal obtido perder cada vez mais musculatura.
Uma demonstração disso é que o superávit primário (receitas menos despesas, exceto o juro da dívida pública), de janeiro a junho, alcançou R$ 38,349 bilhões, o que corresponde a 3,8% do PIB (soma das riquezas produzidas no país no ano). O ano passado, no primeiro semestre, por exemplo, o superávit ficou em 4,18% do produto, porque a redução do ajuste fiscal foi provocada pelo descompasso entre a expansão das receitas (11%). Com a pressão sobre as contas públicas, principalmente os gastos com pessoal e encargos sociais além com as despesas com benefícios da Previdência.
Em um eventual segundo governo, Lula poderá, nos primeiros meses do próximo mandato, enfrentar turbulência no ajuste de contas, porque a União estará gastando mais do que arrecada. O resultado disso é perfeitamente previsível, agravando com os complicadores políticos ao ponto de alguns analistas políticos já esboçarem previsões pessimistas em um eventual pedido de impeachment de Lula.
Na quarta-feira, por exemplo, o diretor do jornal "Tribuna da Imprensa", Helio Fernandes, levantou essa hipótese na primeira página, ressaltando em artigo que pesquisa não é eleição, mas diante do seu favoritismo pode surgir uma ofensiva para se tentar obter resultados eleitorais. "O impeachment é uma ameaça de hoje que pode ser a realidade de amanhã, o que não me surpreende. Venho escrevendo há muito que o problema de Lula não é de 2006 e sim de 2007, a partir da segunda posse (...) A não ser que Lula compreenda que governar não é pagar juros absurdos, acumular superávits primários e fazer discursos nos quais só ele mesmo acredita. Se Lula se lembrar que é a primeira alternância do poder na história, por aí pode haver salvação. Se "governar" para a elite branca e bancária, que tumulto. E que tumulto".
Mas não é momento para triunfalismo do presidente porque o candidato Geraldo Alckmin (PSDB) cresceu entre 8 e 9% em um mês e meio, saltando dos 18% a 19%, que tinha na primeira semana de junho, para 27% na simulação de primeiro turno, enquanto o presidente Luiz Inácio da Silva caiu 4 pontos percentuais, de 48% para 44%, no mesmo período, de acordo com a pesquisa Ibope/TV Globo. Apesar de Lula vencer com certa folga no primeiro turno, a diferença entre os dois principais candidatos presidenciais ficou muito reduzida na hipótese de um segundo turno.
Outro problema que terá de frente no meio da campanha, além dos mensaleiros, dinheiro na cueca e tudo o mais, será o escândalo da quadrilha de sanguessugas, com a participação de petistas e antigos aliados da sua base parlamentar no Congresso. Agora, chegou mais próximo do Palácio do Planalto: o deputado Saraiva Felipe (PMDB-MG), ex-ministro da Saúde do seu governo, está entre os 116 congressistas e ex-congressistas que são alvos de investigação da CPI dos Sanguessugas.
Pode ser que, no decorrer da campanha, o presidente ocupe a maior parte do tempo tendo que se defender das atuais denúncias e de outras que os adversários garantem ter para usar na hora certa.
E pensando bem, ele está certo quando combate o já-ganhou dos aliados mais otimistas.
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