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Ano 10 - 29/07 a 04 de Agosto 2006
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Data de Publicação: 29 de julho de 2006
Agora, sim, a disputa pela poltrona principal do terceiro andar do Palácio do Planalto começou e os principais candidatos estão estocando munição para usar nos próximos dias. Depois que Heloísa Helena, do PSOL, rompeu as regras mais elementares de convivência política para tratar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva com expressões comuns em assembléias sindicais, o cenário agora é de bate-rebate.

Poucas horas depois de o candidato tucano, Geraldo Alckmin, afirmar que a origem dos sanguessugas está dentro do governo, coincidência ou não, a Controladoria Geral da União divulgava informações minuciosas demonstrando que prefeituras tucanas e pefelistas protagonizaram a maioria dos convênios sob forte suspeição de irregularidades com a Planam, entre 2000 e 2004.

Não pode ter sido mera coincidência, porque o anúncio foi feito com toda uma liturgia preparada previamente. Por exemplo, o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, que, sem dúvida nenhuma, é, hoje, um dos principais conselheiros políticos do presidente Lula, convocou para a quarta-feira uma entrevista coletiva, tendo ao seu lado o colega Jorge Hage, da CGU, quando, diante de dezenas de repórteres, se desdobrou para demonstrar que o esquema dos sanguessugas foi descoberto por órgãos do atual governo, como a CGU e a Polícia Federal.

Aos jornalistas, foram fornecidos dados impressionantes: de um total de 3.048 convênios firmados por municípios com o Ministério da Saúde para compra de ambulâncias, entre 2004 e 2004, a Planam ganhou licitações em 891. A estocada veio logo em seguida: dos R$ 79 milhões liberados, com “fortíssimos indícios de fraude, 129 foram realizados por prefeituras do PSDB, enquanto os pefelistas, 107 convênios”.

Surpreso com a ofensiva governista, instantes depois, Alckmin, quando lhe perguntaram sobre um possível desgaste para o ex-prefeito José Serra, pelo fato de ele ter sido ministro da Saúde na gestão de Fernando Henrique Cardoso, ele procurou minimizar o fato: “Não vi detalhes, de que forma apareceu o nome do José Serra, é preciso muito cuidado com essa coisa. Mas que seja investigado tudo, porque é bom para todos”.

A reação de Heloísa Helena foi no mesmo tom usual: “Se o esquema acontecia no governo passado e agora no governo Lula continuou acontecendo, com requinte de vigarice inaceitável, precisamos dizer ao povo brasileiro”.

É apenas o começo da guerra.





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