Cinema
Data de Publicação: 29 de julho de 2006
BUENOS AIRES 100 KM(Buenos Aires 100 Km). Argentina/França/Espanha, 2004. Direção/roteiro: Pablo José Meza. Elenco: Juan Ignácio Roca, Emiliano Fernández, Alan Ardel, Hernan Wainstein, Juan Pablo Mazzini. * * * ½
Co-produção argentina, feita com baixo orçamento e um elenco predominantemente juvenil, dirigida por um estreante-por-trás-das-câmeras. Cinco rapazes que moram numa pequena cidade do interior da Argentina, distante 100 km da capital, formam o interessante elenco desta despretensiosa história a respeito de amizade, lealdade, amor, respeito, preconceitos, sonhos, esperanças, desalentos.
Eles são amigos inseparáveis, apesar de brigarem e trocarem palavrões entre si. Conversam sobre a pequenez da cidade (eles a chamam de pueblo) onde moram com seus pais. Cada um deles tem uma história de vida aparente e outra oculta, que em princípio não compartilham com ninguém, nem mesmo entre eles. Mas, numa cidadezinha provinciana, nenhum segredo permanece oculto por muito tempo. Logo alguns deles descobrem que são adotados, algo que os outros (os “não adotivos”?) já sabiam, mas não ousavam verbalizar.
Apesar da vida aparentemente confortável que levam, cada um deles tem um drama pessoal. Esteban quer ser contista, de modo que reluta em estudar desenho técnico, enquanto escreve uma “novela” que leva o título do filme. Alejo tem uma mãe infiel ao marido, enquanto Guido apanha do pai (um feirante) e é o mais sacrificado dos filhos. Matias é continuamente obrigado pelos pais a dormir fora de casa. E até Damián, o “mauricinho” da turma, tem seus motivos para revoltar-se. Une-os o gosto pelas “peladas” de várzea, o namorico inocente com as meninas do povoado e o papo jogado fora nas horas de folga. Direto ao ponto, mas poético.
TRANSAMÉRICA(Transamerica). EUA, 2005. Direção: Duncan Tucker. Elenco: Felicity Huffman, Kevin Zegers, Fionnula Flanagan, Graham Greene, Burt Young. * * * * ½
Corajoso, sensível, revelador, humano, e contando com um desempenho simplesmente arrasador de Felicity Huffman, Transamérica trata de um tema delicado – a transsexualidade – de uma forma madura, adulta, sem preconceitos, deixando o espectador livre para exercer ele próprio os seus julgamentos pessoais a respeito do assunto. Mas, com a presença cênica de Felicity, não é fácil fazer julgamentos. Ela está fantástica, e, embora sua química com o jovem Zegers seja excelente, qualquer ator resultaria ofuscado pelo brilho de seu desempenho.
Felicity é Bree, a mulher que vive dentro do homem “biológico” Stanley. Este aguarda uma operação transsexual autorizada (supressão de todo o aparato genital/reprodutor masculino externo) para transformar-se na mulher que, psicologicamente, ele já é há muitos anos. Com o apoio de sua terapeuta, parece que Bree finalmente vai realizar o sonho de uma vida. quando recebe a notícia de que um filho seu, Toby, está saindo de um reformatório em Nova Iorque. Toby é filho de Stanley, mas é Bree quem vai ter que assumir o peso emocional desse relacionamento.
Boa parte do filme é puro road movie, com Toby ignorando por completo quem é Bree, que se passa por uma missionária cristã. A verdade aparece aos poucos, e assume ares tragicômicos quando Bree visita seus pais na Califórnia. A mãe é preconceituosa, enquanto o pai (o veterano Young) é tolerante e compreensivo. Bree não quer mudar o jeito de ser de Toby, que usa drogas e era garoto de programa antes do reformatório, mas deseja que ele a aceite como ela é, sem questionamentos a respeito de sua opção de vida. Felicity ganhou um Globo de Ouro pelo seu papel. O filme ganhou 16 prêmios, de um total de 24 indicações. Confira.
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