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Ano 9 - 13 a 19 de Maio 2006
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O beijo da morte

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Data de Publicação: 22 de julho de 2006

Os advogados de Suzane von Richthofen e dos irmãos Daniel e Cristian Cravinhos, réus confessos do assassinato de Manfred e Marísia von Richthofen, pais da jovem - em outubro de 2002 -, imaginavam que tinham estruturado toda a defesa que, se não os livrasse da prisão, pelo menos lhes asseguraria uma pena atenuada. O julgamento, iniciado na segunda-feira, com um depoimento de duas horas de Daniel, o ex-namorado de Suzane, levantando uma tese que parecia original: seu irmão, Cristian, não teve participação alguma na execução do casal.

Daniel, em depoimento anterior e também na reconstituição do crime, aparecia como quem desferiu os golpes de barras de ferro em Manfred, enquanto a Cristian coubera a execução de Marísia. Mas, surpreendentemente, na segunda-feira mudou a versão. Disse que Cristian, em vez de golpear Marísia, ficou paralisado, sem qualquer ação. Por isso, ele mesmo, depois de matar Manfred, correu para matar Marísia, que se mexia na cama em que dormia no andar superior do amplo sobrado da família Richthofen, em Campo Belo, Zona Sul de São Paulo. Depois, acrescentou, ajoelhou-se e começou a “orar”.

No júri, que ocorreu três anos, oito meses e 17 dias após o crime, Daniel acusou Suzane de ser a autora intelectual, porque era frequentemente agredida pelos pais “verbal e fisicamente”, chegando a revelar que o pai tentava “tocar em suas partes íntimas”, além que Marísia tinha conhecimento de uma amante do pai, e que manteria um caso homossexual, de conhecimento de Manfred.

Já Suzane, ao entrar em cena, atacou a família Cravinhos, e, logo no começo, como uma atriz que ensaiou bem o script, avisou: “Vou contar minha história, minha vida”. Durante quatro horas, na terça-feira, ela repetiu 15 vezes a palavra “obedeci”, para deixar bem claro que apenas obedecia ordens de Daniel. Ou seja, manipulava uma imagem de refém para sensibilizar o corpo de jurados.

Quanto ao planejamento e a autoria do duplo homicídio, contou que, três meses antes, Daniel desenvolvera o hábito de comentar com ela como a vida seria melhor sem os seus pais. E até acrescentou: “Um dia, a gente estava na beira da piscina e ia passando um avião. Daniel olhou para ele e me pediu para imaginar como a gente seria muito mais feliz se o avião caísse e os meus pais morressem”. Isso, conforme ela, quando estavam sob efeito de maconha.

Ela se empenhou, teatralmente, em se livrar da imagem de ser uma pessoa fria e calculista, garantindo que a idéia do crime surgiu no dia 28 de outubro de 2002, quando o namorado disse-lhe o seguinte: “Chegou a hora de seus pais viajarem definitivamente”. Sua reação teria sido de pânico e, depois de chorar muito, Daniel concordara: “Calma, não é nada, esquece”.

Para a surpresa de Suzane, entrou em cena, logo depois, Andreas von Richthofen, reforçando a imagem de manipuladora da irmã. Na terça-feira, ele demoliu sua imagem, ao afirmar que a irmã tentava chantageá-lo emocionalmente, além de acusá-la de mentir quando afirmou que abrira mão da herança familiar. Andréas negou que a irmã fosse molestada sexualmente pelo pai e deu a entender que a considerava culpada pelo crime, acrescentando que “pode-se esperar qualquer coisa de uma pessoa como essa”. E mais: não acreditava no arrependimento dela.

Ele desmentiu, também, Suzane ao afirmar que ela não aparentava estar drogada na noite do crime.

Isso teve o efeito de um beijo da morte, antecipando a decisão dos jurados, depois de quatro dias, para que fosse anunciado o veredicto.

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