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Ano 9 - 13 a 19 de Maio 2006

NÃO SE EMENDAM

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Data de Publicação: 22 de julho de 2006
Vamos ficar no exemplo do Rio de Janeiro, sabendo que a repetição enfadonha acontece em quase todos os demais estados. As esquerdas não se emendam. Dividem-se sempre, e, divididas, não chegam a lugar algum. Além dos candidatos de centro ou de direita, Sergio Cabral Filho (PMDB), Eduardo Paes (PSDB) e Marcelo Crivela (PRB), nada menos do que quatro pretendentes têm as mesmas origens. Porventura reunidos, o escolhido chegaria no mínimo ao segundo turno, isso se já não estivesse ocupando a pole-position, qualquer que fosse:

Carlos Lupi (PDT), Vladimir Palmeira (PT), Milton Temer (Psol) e Denise Frossard (PPS), apesar de características distintas, exprimem o mesmo eleitorado e o mesmo sentimento oposicionista do carioca transformado em fluminense. Até deixam em sinuca o cidadão que, no passado recente, foi responsável por duas eleições de Leonel Brizola e uma de Marcelo Alencar. Importa menos quem deveria ser o candidato, mas se tivessem um pouco mais de espírito público e um pouco menos de vaidade, formariam uma coligação próxima do palácio Guanabara.

Multiplique-se o quadro pelo país inteiro e até com lembranças de eleições presidenciais. Em 1989, por exemplo, estavam Luiz Inácio da Silva, Leonel Brizola, Mário Covas, Ulysses Guimarães, Roberto Freire e outros, pelas esquerdas. Resultado: venceu Fernando Collor.

As esquerdas possuem como característica a incapacidade de unir-se. Mostram-se mais irredutíveis nas disputas entre elas do que diante do adversário real, do outro lado. Resultado: só por milagre ganharão eleições...

A SOMBRA DO SEGUNDO TURNO

Imaginando que Geraldo Alckmin chegará ao segundo turno na disputa com o presidente Lula, tucanos e liberais já cuidam de alimentar a hipótese através de gestos de boa vontade para com os dois candidatos alternativos, Heloísa Helena e Cristóvam Buarque. Assim como quem não quer nada, PSDB e PFL começam a elogiar as qualidades de guerreira da candidata do PSol, sustentando que seria invulgar ministra da Ação Social em qualquer governo, assim como o candidato do PDT foi e poderá tornar-se outra vez o melhor ministro da Educação que o país já teve, desde Gustavo Capanema.

É claro que nenhuma proposta concreta será feita, nem agora e provavelmente nem depois, mas os simples elogios dão o tom da orquestra. Geraldo Alckmin, sempre tão disposto a descer tacape e borduna no lombo do presidente Lula, em nenhum momento referiu-se de forma desairosa aos outros dois concorrentes. Pelo contrário, não perde oportunidade em respeitá-los, mesmo recebendo de Heloísa e de Cristóvam todo tipo de farpas.

Fica evidente que, derrotados, ambos fluirão para uma frente anti-Lula, caso aconteça mesmo o segundo turno. Não há hipótese de apoiarem a reeleição. Heloísa Helena foi expulsa do PT por crime de opinião, insurgindo-se no Senado contra reformas neoliberais propostas pelo atual governo. Jamais esquecerá a humilhação, ainda mais porque ficou com o programa e a pregação do PT, contra a metamorfose acontecida no palácio do Planalto. Quanto a Cristóvam Buarque, pior ainda. Desenvolvia administração revolucionária no ministério da Educação, despertando ciúmes não apenas em José Dirceu, mas, provavelmente, no próprio presidente da República. Foi demitido pelo telefone, quando se encontrava em missão específica em Portugal. Se a opinião de ambos influenciar pessoas, depois da derrota, se não se posicionarem declaradamente em favor de Alckmin, estarão na primeira linha dos críticos do Lula. Também, bem feito para os outrora arrogantes membros da quadrilha denunciada pelo Procurador Geral da República.

A TERCEIRA ONDA

Admitindo-se estar arrefecendo a segunda onda de animalidade que assola São Paulo, a pergunta que se faz é sobre quando eclodirá a terceira. Existem temores de que coincida com as eleições de outubro, às suas vésperas. O crime organizado, comprova-se a cada dia, preocupa-se em desmoralizar as instituições, estabelecendo o pavor nas ruas para que a população se conscientize a respeito de quem efetivamente manda no estado. O pretexto é de que seus chefes estão sofrendo constrangimentos nos estabelecimentos penais, sendo transferidos para penitenciárias longínquas e de segurança máxima. Aliás, um pretexto esfarrapado, porque o poder público paulista treme de medo diante das bissextas transferências.

Não se tire dessas conclusões a ilação de que o crime organizado está a serviço deste ou daquele partido político, desta ou daquela candidatura presidencial. É bobagem, ao menos que se comprove detalhadamente, essa história de haver entendimento entre o PT e o PCC. Na verdade, Marcola e seus seguidores querem mesmo a desmoralização de todos.

Imagine-se, como certos setores da segurança pública andam imaginando, que no dia da eleição algumas seções eleitorais venham a sofrer atentados. Que votar, além de um sacrifício, torne-se um risco de vida. Muita gente vai preferir pagar a irrisória multa pela abstenção do enfrentar filas onde coquetéis molotov possam explodir ou balas não propriamente perdidas possam atingir eleitores...

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