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Ano 9 - 13 a 19 de Maio 2006

Os podres poderes são infra-vermelhos

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Data de Publicação: 22 de julho de 2006
O lúmpem, a escória que alimenta o PCC e similares, floresce nos desertos institucionais, nos territórios da lei do cão, onde não existe República brasileira, nem Previdência, nem futuro, nem cidadania. Também floresce nos recantos da prosperidade, no caldo de cultura da impunidade e do suborno dos podres poderes

“Irei ao delírio do meu delírio”, cantava o poeta Federico Garcia Lorca na Espanha fascista do generalíssimo Francisco Franco, década de 1940. No Brasil democrático de hoje, sob a batuta do Cordão Encarnado, em meio à guerrilha urbana, suburbana, rural e rurbana, o delírio do delírio vai dos “podres poderes” oficiais, dos vazios institucionais ao lúmpem delinqüente e criminoso do PCC.

O poeta-profeta Caetano Veloso cantou a pedra: “Enquanto os homens exercem seus podres poderes/ morrer e matar de fome, de raiva e de sede/ são tantas vezes gestos naturais”.

“Será que nunca faremos senão confirmar/ a incompetência da América Católica/ que sempre precisará de ridículos tiranos?/ Será será que será que será que será? Será que essa minha estúpida retórica/ terá que soar, terá que se ouvir por mais mil anos?”

Os podres poderes são infra-vermelhos e furta-cores. Seus raios invisíveis e mortíferos vão das elites corruptas “revolucionárias” ao crime avulso e ao crime organizado. Sem consciência política, o lúmpem, a escória, não estava no gibi. Hoje é fenômeno de transgressões sociais e institucionais. Nem 100 milhões de reais, nem centos milhões de reais serão suficientes para debelar o crime organizado e desorganizado no Brasil. A Pátria da impunidade está doente por dentro das tripas e do coração. É doença sistêmica. Os furúnculos rebentam em qualquer lugar.

O lúmpem que alimenta o PCC e similares floresce nos desertos institucionais, nos territórios da lei do cão, onde não existe República brasileira, nem governo, nem Previdência, nem futuro, nem cidadania. Mas, a mão-de-obra “qualificada” floresce também nos recantos da prosperidade, no caldo de cultura da impunidade e do suborno aos “podres poderes”, nas mãos de advogados da delinqüência, dos fraudadores, dos comerciantes e industriais da delinqüência, dos agentes corruptos do Estado e da lei. Estes possuem CPF, Previdência, seguro-saúde, casa, comida e roupas de grife e dinheiro na caixinha proveniente de traficâncias ou para prover traficâncias. Mas, nem tudo é ação do crime organizado. Na hora das convulsões sociais, vândalos, depredadores e bandidos avulsos agem em nome da iniciativa privada.

É fácil colocar tanques nas ruas, prender os suspeitos de sempre, apreender celulares, confinar mandantes do crime. Mas, como serão supridos os desertos institucionais onde não existe governo, onde impera a lei do cão, da impunidade e do suborno, onde a República brasileira ainda não foi institucionalizada. O lúmpem não tem Pátria nem tem cidadania. Os profissionais “liberais” do crime são mercenários à moda dos piratas e corsários do tempo das navegações medievais.

O PCC no Brasil e as Farc colombianas são facções criminosas e clandestinas. A diferença é que o PCC evoluiu como fenômeno no lúmpem delinqüente e as Farc tem o DNA de origem “revolucionária” marxista. A esquerda infra-vermelha verde-amarela reluta em admitir a evidência de que as Farc são uma organização de terroristas, traficantes e seqüestradores. Ainda são tratados como “guerrilheiros na luta pela libertação contra a tirania imperialista”. MST é um movimento com DNA revolucionário e com fachada reformista. Realiza a nobre missão de recolher desvalidos sem emprego e sem terra que se contentam com uma cesta básica, enquanto os caboclos mamadores mamam subvenções, milionários usam os desvalidos apenas como massa de manobra.

As Farc e o PCC seqüestram, fazem o tráfico de drogas e de armas. Nesse contexto, as esquerdas infra-vermelhas nutrem afinidades afetivas e eletivas com as Farc. Por extensão, quem beija a pedra das Farc também beija as mãos do lúmpem delinqüente do PCC. A realidade é arrepiante e delirante.

Os podres poderes da corrupção “revolucionária”, da marginália e do lúmpem beijam-se as mãos e entrelaçam seus corações vermelhos infra-vermelhos e furta-cores.

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