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Ano 9 - 13 a 19 de Maio 2006
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Gosto de chuchu

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Data de Publicação: 22 de julho de 2006
Quando o tucano Geraldo Alckmin foi escolhido para disputar o Palácio do Planalto, o presidente Lula até brindou com amigos, na Granja do Torto. Aquele seria o candidato que pavimentaria sua reeleição, sem provocar solavancos, como José Serra certamente iria se esmerar em produzir durante uma campanha, principalmente na hora de um confronto na forma de debate.

Lula, na ocasião, até ressaltou que “picolé de chuchu”, mesmo sem ter gosto, era o seu preferido quando, garoto, engraxava sapatos em Santos, onde morou na primeira escala da família depois de deixar Garanhuns, no interior de Pernambuco.

Por isso mesmo, na terça-feira, não se preocupou nem um pouco ao tomar conhecimento da pesquisa feita pelo Datafolha, revelando a possibilidade de segundo turno na corrida presidencial. Mesmo aparecendo com 52% dos votos válidos, a diferença sobre a soma dos demais candidatos caiu para quatro pontos percentuais. Ele manteve a liderança, com 44% das intenções dos votos válidos, enquanto Geraldo Alckmin está com 28%.

De acordo com a pesquisa, os dois principais candidatos têm uma oscilação negativa, na margem de erro (dois pontos).

Ocorre que o picolé de chuchu pode ficar amargo com o surpreendente crescimento de Heloísa Helena (PSOL), que deu um salto de 6% para 10%. O efeito imediato disso é que ficou reduzida a vantagem de Lula nos votos válidos, principalmente porque ela ganha espaço na região sul, conquistando mais que o dobro das suas intenções de voto na última pesquisa feita pelo Datafolha. De 6% para 13%.

Outro fator que pode ser complicador para Lula é que ele continua sendo líder em rejeição entre os eleitores, com 32%, seguido de um empate técnico entre Alckmin (22%) e Heloísa Helena (21%).

Aquilo que Lula mais temia, em uma eventual candidatura de José Serra, o segundo turno, agora pode ocorrer, de acordo com a pesquisa. Isso, porque Lula ficou estável: oscila um ponto para baixo e tem 50%, contra 40% de Alckmin, ou seja, o mesmo índice do tucano no último levantamento.

O crescimento de Heloísa Helena pode ser explicado pela sua exposição nos meios de comunicação nas últimas semanas. Além disso, a simpatia que o eleitor demonstra à sua candidatura tem sido cada vez mais expressiva. Tornando ainda mais sombrio o cenário para Lula, os números revelam que, em junho, Alckmin havia ultrapassado-o no Sul (37% a 30%), enquanto a candidatura da senadora cresceu 7% para 11% no Norte e Centro-Oeste. Já no Sudoeste a ascensão da senadora foi de quatro pontos percentuais – de 7% para 11%.

Se, realmente, gostava de picolé de chuchu quando era criança, é bom que o presidente Lula vá se preparando, porque, daqui por diante, poderá vir com um novo ingrediente, que ele nem sequer imaginava.

Nome e sobrenome: Heloísa Helena, que em passado recente era sua companheira no PT.

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