Cinema
Data de Publicação: 22 de julho de 2006
BUENOS AIRES 100 KM(Buenos Aires 100 Km). Argentina/França/Espanha, 2004. Direção/roteiro: Pablo José Meza. Elenco: Juan Ignácio Roca, Emiliano Fernández, Alan Ardel, Hernan Wainstein, Juan Pablo Mazzini. * * * ½ Co-produção argentina, feita com baixo orçamento e um elenco predominantemente juvenil, dirigida por um estreante-por-trás-das-câmeras. Cinco rapazes que moram numa pequena cidade do interior da Argentina, distante 100 km da capital, formam o interessante elenco desta despretensiosa história a respeito de amizade, lealdade, amor, respeito, preconceitos, sonhos, esperanças, desalentos.
Eles são amigos inseparáveis, apesar de brigarem e trocarem palavrões entre si. Conversam sobre a pequenez da cidade (eles a chamam de pueblo) onde moram com seus pais. Cada um deles tem uma história de vida aparente e outra oculta, que em princípio não compartilham com ninguém, nem mesmo entre eles. Mas, numa cidadezinha provinciana, nenhum segredo permanece oculto por muito tempo. Logo alguns deles descobrem que são adotados, algo que os outros (os “não adotivos”?) já sabiam, mas não ousavam verbalizar.
Apesar da vida aparentemente confortável que levam, cada um deles tem um drama pessoal. Esteban quer ser contista, de modo que reluta em estudar desenho técnico, enquanto escreve uma “novela” que leva o título do filme. Alejo tem uma mãe infiel ao marido, enquanto Guido apanha do pai (um feirante) e é o mais sacrificado dos filhos. Matias é continuamente obrigado pelos pais a dormir fora de casa. E até Damián, o “mauricinho” da turma, tem seus motivos para revoltar-se. Une-os o gosto pelas “peladas” de várzea, o namorico inocente com as meninas do povoado e o papo jogado fora nas horas de folga. Sensível e tocante.
SUPERMAN - O RETORNO
(Superman Returns). EUA/Austrália, 2006. Direção: Bryan Singer. Elenco: Brandon Routh, Kate Bosworth, Frank Langella, Kevin Spacey, James Marsden. * * * Diretor do sutil, inteligente e intrigante Os Suspeitos (com Kevin Spacey no elenco), e dos dois primeiros X-Men (ele recusou dirigir o terceiro filme da série para assumir este Superman, e tem a seqüência do Homem de Aço já assegurada para 2009), Singer faz o melhor que pode nesta história que pretende ser a continuação da saga do super-herói.
Aliás, todos os elementos cênicos e técnicos são inteligentemente operados para serem precisamente aquilo que esperamos que sejam: a versão cinematográfica, de uma história em quadrinhos que vem da década de 1930, e que sempre empolgou os seus leitores, americanos ou não, como o portfólio das aventuras de um herói que possui superpoderes e que, como encarnação suprema do Bem, os usa exclusivamente para combater o Mal e defender os fracos e oprimidos.
É esse maniqueísmo ingênuo que tem feito a fama de Superman se estender por três quartos de século. É o sonho americano da democracia, da justiça, da igualdade, da paz social, se espalhando pelos cinco continentes. Os heróis da Marvel não têm dramas de consciência, por isso são eternos no imaginário popular. Aqui, Superman retorna depois de cinco anos de ausência e descobre Lois Lane casada e com um filho. E, observe, Clark Kent se parece bastante com o falecido Christopher Reeve, o protagonista dos quatro primeiros episódios. No mais, quem rouba mesmo a cena é o magistral e impagável Kevin Spacey, como o vilão Lex Luthor.
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