Observatório Geral
Data de Publicação: 15 de julho de 2006
INDIGNAÇÃO Faz tempo que vivemos indignados com o serviço público nacional. Aliás, com a falta dos serviços pelos quais pagamos tanto. Descontados em folha ou pagos em infindáveis DARFS, diariamente contribuímos para o sistema de saúde que nos atende mal, para segurança pública que não nos protege, para as escolas públicas que não educam nossos filhos. Tudo isso, sem falar da má gestão das contribuições que nos custam tanto ou dos desvios escandalosos noticiados, todos os dias na mídia.
ASSINEI A CÉDULA No último domingo, pude colocar minha indignação para fora. Num gesto pequeno, mas de grande significado, assinei a cédula da campanha “Quero Mais Brasil”, movimento representado por mais de 250 associações de classe e que convoca a sociedade brasileira a pedir mais transparência nos gastos públicos e mais eficiência dos governos. O “Quero Mais Brasil” chega em boa hora para nos alertar que, mais do que votar, está nas nossas mãos exigir mais competência e responsabilidade daqueles que vamos eleger, nossos representantes, no próximo mês de outubro.
TUDO QUE COMPRAMOS TEM IMPOSTO EMBUTIDO Cálculos do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário mostram como os impostos estão presentes em cada produto que compramos e serviços que usamos, achatando ainda mais nosso poder de compra. Não é apenas o Imposto de Renda que pesa no bolso, nem tampouco o IPTU ou IPVA que, cada ano, obrigam a classe média a apertar o cinto. Tudo que compramos, do arroz ao feijão, da gasolina ao brinquedo, tem embutido impostos estaduais, municipais ou federais, sob a forma de ICMS, IPI, PIS, Cofins, CSLL e CPMF. Até o FGTS e o ISS também encarecem os serviços que usamos dia-a-dia.
PARA QUÊ TANTO IMPOSTO? Alguns valem até 56,99% do valor do produto, como é o caso dos fornos de microondas, ou 40,50%, no caso do papel higiênico. O café nosso de cada dia tem 36,52% de imposto embutido e o óleo que usamos para cozinhar, 37,18%. Até o macarrão que alimenta a nossa família tem 35,20% de imposto incluído no preço.
Esses são apenas alguns exemplos da fome tributária nos nossos bolsos. Um tributo que vale 38% do nosso PIB, percentual equivalente ao dos países mais desenvolvidos do mundo. Contudo, numa economia emergente como a nossa, tantos impostos resultam em baixa competitividade dos nossos produtos no mercado externo e crescimento econômico abaixo da média.
FOME TRIBUTÁRIA NOS NOSSOS BOLSOS Você sabia que nós brasileiros trabalhamos quatro meses e 25 dias só para pagar impostos? E que boa parte da população trabalha mais 113 dias por ano, para arcar com os custos de planos de saúde e educação privada, entre outros serviços que deveriam ser bancados pelo Estado? Em 2005 o Brasil arrecadou R$ 725 bilhões em impostos e gastou R$ 380 bilhões com o funcionamento da máquina administrativa, R$ 232 bilhões com a Previdência Social, R$ 152 bilhões com os juros da dívida e R$ 19 bilhões com investimentos públicos. O resultado dessa má gestão é um déficit de R$ 58 bilhões além da baixa qualidade dos serviços oferecidos.
QUERO MAIS BRASIL Se pagar impostos é um dever, fiscalizar o uso desses recursos é um direito que precisa ser colocado em prática. E o movimento “Quero Mais Brasil” nasceu para pedir mais transparência na aplicação dos tributos que pagamos, mais eficiência com o gasto público e governos mais qualificados. Essas e outras reivindicações estão expressas nas cédulas que eu e minha mãe tivemos a alegria de assinar e depositar na urna verde e amarela que estava na porta de entrada da Tok Stok. Uma campanha que vale a pena. Vale principalmente, para melhorar nossas escolas, para pedir melhores salários para os nossos professores, para garantir a boa educação das nossas crianças e por um Brasil mais descente para todos nós. Participe você também. www.queromaisbrasil.com.br.
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