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Ano 9 - 13 a 19 de Maio 2006
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Cinema

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Data de Publicação: 15 de julho de 2006
Bubble
EUA, 2005. Direção: Steven
Soderbergh. Elenco: Debbie Doebereiner,
Dustin Ashley, Misty Wilkins

Descrito como “mais um experimento de Steven Soderbergh”, este filme, talvez pela presença do diretor, causa algumas inevitáveis inquietações. O experimentalismo está presente de forma tão ostensiva que se chega a pensar no famoso “Dogma 95”, um código de filmagem surgido na Suécia, segundo o qual maquilagem, iluminação, recursos cênicos, aparatos técnicos, deveriam ser abolidos na realização de qualquer película. Mas os americanos, é óbvio, não rezam por essa cartilha.

Mesmo assim, saltam aos olhos alguns despojamentos que mostram que os recursos cênicos tradicionais foram deixados de lado. Para começar, todo o elenco é amador, sem exceções; não há atores profissionais. A trama, simplista e simplória, retrata a vida modorrenta das pessoas numa cidadezinha do estado de Ohio, no Meio-Oeste americano. O dia-a-dia de três pessoas, Kyle (Ashley), Martha (Doebereiner) e Rose (Wilkins), numa fábrica de bonecas, é algo que beira o deprimente.

A trilha sonora pontua em certos momentos essa depressividade com solos de guitarra dissonantes, altos, desconectados, causando um misto de irritação e desconforto no espectador. O ramerrão dessa vidinha medíocre, que inclui o pai idoso de Martha, a mãe desatenta de Kyle e o namoro chocho deste com Rose, é quebrado por um assassinato “esquisito”, revelador de algo nas entrelinhas dessas “vidas secas”. Algo como uma “amnésia parcial recente pós-traumática” É como aquela propaganda de banco: nem parece filme americano. No meio de tudo, as imagens, acredite, chocantes, incômodas, de pés, mãos e cabeças sem olhos de bonecas saindo das máquinas de moldagem direto para as mesas.

The Libertine
Reino Unido, 2004.
Direção: Laurence Dunmore. Elenco:
Johnny Depp, Samantha Morton,
John Malkovich, Rosamund Pike

Ninguém seria melhor talhado para este papel do que o eternamente transgressor Johnny Depp. Com exceção de Tempo Esgotado, não consigo me lembrar de nenhum filme, pelos menos daqueles a que assisti (e foram muitos), em que ele tenha feito um papel “normal” ou um personagem “normal”. Decididamente, “normais” somos nós. A filmografia de Depp já soma 46 trabalhos, o que não é pouco para quem tem 43 anos de idade. É mais de um filme por ano, desde o nascimento.

Pois bem. Aqui, ele faz John Wilmot, 2º Conde de Rochester, um protegido do Rei Charles II da Inglaterra (Malkovich, em pesada maquilagem, irreconhecível, a não ser pela voz). Wilmot é uma espécie de Marquês de Sade prematuro (inclusive na morte, aos 33 anos, de sífilis) do outro lado da Mancha, bissexual, rebelde, mulherengo, beberrão, autor de uma poesia erótico-pornográfica que chocava os seus contemporâneos. Seu talento artístico só foi reconhecido post mortem.

A fotografia é excelente, em forte granulação e com cores esmaecidas, criando um clima de época. Filmes de época estão de volta, como prova o recente Orgulho e Preconceito. Uma das melhores cenas é aquela em que Wilmot se arvora em teatrólogo e dirige a atriz Lizzie Barry (Morton, a sensitiva de Minority Report) até a exaustão, enquanto a câmera executa um interminável travelling circular em torno dos dois no palco, com memoráveis falas de um texto de Shakespeare entremeadas ao diálogo incisivo dos dois personagens, discutindo o seu próprio pas de deux.

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