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Ano 9 - 13 a 19 de Maio 2006

Conversa com o Leitor

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Data de Publicação: 15 de julho de 2006
A crise ética em que o país está atolado é muito mais séria, e, também, deprimente. Mais do que se podia imaginar. E tudo por causa da impunidade que prevalece, apesar de tantas e tantas denúncias de corrupção, além da falta de força do Estado para combater o crime organizado, cada vez mais ousado, debochando das autoridades institucionais.

Um Estado que não reage diante da desenvoltura dos corruptos e criminosos não tem musculatura moral para restabelecer os princípios éticos que devem servir de exemplo para as gerações que estão chegando. Pelo contrário, os jovens de ontem, os de hoje e os que virão amanhã, encontrarão um país submisso a toda essa excrescência moral em forma de mensaleiros e sanguessugas.

Pior ainda é glamourização dos canalhas, como se viu na novela “Belíssima”, que eletrizou 80 milhões de brasileiros durante dias e dias, cujo último capítulo foi ao ar na sexta-feira da semana passada.

Pesquisa, encomendada pela própria Rede Globo, para avaliação da preferência do público, apurou que o personagem canalha Alberto, a canastrona Bia Falcão e o escroque André foram os personagens mais admirados pela maioria dos telespectadores.

Um folhetim eletrônico como esse pode consolidar a opinião da população que a cultura da esperteza desses espertalhões sem escrúpulos é que deve prevalecer no país. Ou, até mesmo, que a vida pública pode ser a porta de entrada mais garantida de se construir fortunas sem qualquer esforço.

Enquanto não se assistir bandidos de colarinho branco sendo algemados, entrando em camburão e trancados atrás das grades, confiscando tudo o que roubaram, além de suspensos seus direitos políticos, vamos, sim, continuar nos deprimindo diante de casos e mais casos, cada um mais escabroso, que vão se amontoando sem que nada aconteça com as Bias Falcão, os Andrés ou Albertos, que atuam para dilapidar o dinheiro público.

O Brasil só vai mudar quando a própria mídia deixar de glamourizar o banditismo e passar a transmitir em folhetins com dezenas de milhões de audiência a mensagem de que um país decente costuma abolir o primeiro artigo da lei da esperteza.

Aquela, que parece irrevogável e estabelece que o negócio mesmo é levar vantagem em tudo.

E que a ética e a moral explodam.

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