EMAGRECER - Uma obsessão dos jovens
Data de Publicação: 15 de julho de 2006
Quase sempre, eles e elas são lindos. Não há o que tirar, nem acrescentar. Mesmo assim, a maioria dos adolescentes está insatisfeita com o corpo que tem. Todos, praticamente, querem perder peso, custe o que custar. Essa idéia fixa em raízes na própria sociedade, que supervaloriza a forma física. E pertuba sobretudo as mulheres, as mais cobradas. Mas pode ser perigosaExistem muitas explicações para a mania de emagrecer, que leva um número cada vez maior de jovens a embarcar em dietas radicais, por conta própria. A mais óbvia é a pressão externa: como resistir aos apelos da publicidade, que só mostra modelos magérrimos? Se, para os adultos, isso já é bastante difícil, para os adolescentes, que superva-lorizam a opinião do grupo, fica ainda mais complicado.
A carioca Letícia Giannini, 20 anos, 54kg muito bem distribuídos em 1,64m, chegou a procurar os Vigilantes do Peso, que a dissuadiram de seguir uma dieta de baixas calorias. Em meio às gordinhas, ela confessa que se sentiu um pouco sem jeito, mas se justifica: "A gente fica com o corpo de fora quase todo o tempo, na piscina. Além disso, a moda atual não esconde nada. Pelo contrário", constata. Letícia diz que um dos maiores problemas são os namorados: "Eles só querem saber de quem é bem magrinha".
Rodrigo Maleotti, 23 anos, confirma a cobrança masculina: "Tenho um amigo que receita anabolizantes e paga academia de ginástica para todas as namoradas", revela. Rodrigo também é obcecado por emagrecer. Disposto a perder de seis a sete quilos, reduziu o jantar a uma fruta ou um copo de leite. Ele acha que a insatisfação com o corpo é geral entre os jovens: "No meu caso, sei que o problema não é tanto a gordura, mas o fato de ter o quadril e a cintura largos, um traço de família. Mesmo assim, continuo tentando."
A psicóloga Gilda d'Orsy, do Cen-tro de Estudos da Família, Adolescência e Infância, lembra que ainda existe um agravante, que é a supervalorização da beleza, em detrimento dos valores intelectuais. E ressalta: "Antigamente, os jovens queriam estudar e se dedicar a uma profissão. Hoje, a maior preocupação é ganhar dinheiro rápido. Isso tem sido possível, basicamente, nas áreas de esporte, televisão e moda. Todas voltadas para o culto à forma física".
Quando se trata de meninas de 12, 13 ou 14 anos, existe um outro fator que não pode ser desprezado: é o estranhamento do próprio corpo. De repente, elas se vêem com seios, quadris e coxas volumosos, uma imagem com a qual ainda não se identificam direito. E se acham gordas. "Fazer dieta pode ser uma maneira de ,7, tentar controlar o processo de transformações por que elas estão passando", diz Gilda. Por outro lado, a menina que é magra, mas se acha acima do seu peso ideal e opta por roupas mais soltinhas, pode ter outras razões para isso.
A psicóloga explica: "Ela ainda não sabe lidar com a própria sexualidade. Por isso, prefere esconder o corpo até se sentir mais segura para fazer o jogo da sedução. Isso explica, por exemplo, por que as adolescentes usam shortinho com um casaco de moletom amarrado sobre a cintura, cobrindo os quadris."
A ditadura lightPassada a adolescência e, com ela, as inseguranças típicas da idade, jovens e adultos enfrentam a cobrança da sociedade. Num restaurante, entre uma bela feijoada e um discreto grelhado, sempre se considera melhor optar pelo segundo. No entanto, como lembra Gilda d'Orsy, a mesa farta e até a obesidade já foram sinais de poder econômico e social: "Hoje, ao contrário, quanto mais esclarecida é a pessoa, mais ela procura uma dieta rica em legumes, verduras e carnes magras. Não há dúvida de que isso é saudável, mas há um certo exagero. Os gordinhos não têm muita vez."
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