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Ano 10 - 28/10 a 03 de Novembro 2006

Observatório Geral

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Data de Publicação: 6 de outubro de 2006
UM LEGACY CORTOU O ESPAÇO AÉREO NACIONAL EM ALTURA ILEGAL, E FEZ DESABAR UM TRANQÜILO BOEING 737-800 E OS SONHOS DE 155 PESSOAS.

DE QUEBRA, MACULOU O NOME DE UMA DAS MAIS ADMIRÁVEIS COMPANHIAS AÉREAS NACIONAIS; A GOL. ORGULHO DOS BRASILIENSES E DOS BRASILEIROS.

NA POLÍTICA, PRECISAMOS TORCER PARA QUE NENHUM “LEGACY” VENHA PERTURBAR AINDA MAIS A CONTURBADA CENA NACIONAL E DERRUBAR OS SONHOS DE UM BRASIL MAIS DESCENTE.


LEGACY ILEGAL

Um Legacy 600 da EMBRAER, comprado e pilotado por norte-americanos, cortou o espaço aéreo nacional em altura ilegal. Fez desabar um tranqüilo Boeing 737-800 e os sonhos de 155 pessoas. De quebra, maculou o nome de uma das mais admiráveis companhias aéreas nacionais; a Gol. Orgulho dos brasilienses e dos brasileiros. Joe Shark, jornalista americano que estava a bordo do jatinho equivocado, revela em seu site, a sua preocupação com a detenção, em solo brasileiro, dos seus conterrâneos, os pilotos americanos, responsáveis pela manobra irregular que causou a destruição de 155 vidas. Enquanto isso, os parentes, amigos e cidadãos brasileiros choram comovidos, a morte injusta de 155 corações e mentes que navegavam os céus nacionais, certos de poder desembarcar seguros nos destinos planejados.

IMPRUDÊNCIA ESTRANGEIRA

As manchetes dos jornais são contundentes em apontar as falhas dos pilotos do Legacy. Evidências indicam que Joseph Lepore e o co-piloto Jan Paul Paladino, além de não cumprirem o plano de vôo preparado, não mantiveram ligado o equipamento “transponder”, o que fez cegar o radar e dificultar o trabalho dos Cindacta 1 e 4. Fontes da Agência Nacional de Aviação (ANAC) e do Alto Comando da Aeronáutica revelaram que os registros dos procedimentos de vôos comprovam a imprudência do piloto norte – americano e falhas do operador de Brasília, que deveria ter usado um outro avião como ponte, para tentar entrar em contato com o jatinho que voava em altitude irregular.

CORAÇÃO APERTADO E OLHOS ABERTOS

Foi nesse cenário de dor e perplexidade que fomos às urnas no último domingo. Com o coração apertado e os olhos bem abertos, nós brasileiros definimos um segundo turno para presidente, avalizamos 17 governadores em primeiro turno e deixamos outros 10 estados para uma avaliação mais profunda. A Câmara Federal teve uma renovação de 45,6% e o Senado aguarda a definição do segundo turno, em alguns estados, onde os candidatos são senadores. Na disputa partidária para o Congresso, quatorze legendas com representação na Câmara, não conseguiram cumprir a cláusula de barreira. Apenas sete siglas puderam manter seus espaços; o PT, com 15,58%; o PMDB, com 15,12%; o PSDB, com 14,13%; o PFL, com 11,34%; o PP, com 7,42%; o PSB, com 6,38%; o PDT, com 5,4%.

PMDB DOMINA A CÂMARA E PFL O SENADO

Na Câmara, a maior bancada é do PMDB, com 89 parlamentares, seguida do PT, com 83 e o PSDB e PFL, com 65 parlamentares, cada uma. No Senado a hegemonia é do PFL, com 18 senadores. Coube ao PMDB o segundo lugar, com 16 cadeiras, seguido do PSDB com 15 e o PT com 11. Entre os estados brasileiros, o PSDB conquistou 5 governos, o PT 4, o PMDB 4. O PFL, o PSB, o PDT e PPS alcançaram, cada um, uma cadeira de governador. O mapa das alianças no segundo turno, para presidente, aponta para a união dos governadores eleitos nos estados da Bahia, Sergipe, Ceará, Piauí, Acre, Amapá, Amazonas e Tocantins, em torno da candidatura de Lula. Ao lado de Geraldo Alkmim, estão alinhadas as forças eleitas nos estados de Minas Gerais, São Paulo, Distrito Federal, Roraima, Alagoas, Rondônia e Mato Grosso do Sul. Os governadores eleitos nos estados de Mato Grosso e Espírito Santo ainda estão indefinidos. Os estados alinhados com Lula somam 21,2 milhões de eleitores. Os que vão acompanhar Alkmim constituem 48 milhões.

ALIANÇAS E SONHOS

No Rio de Janeiro, a ala B do PMDB - Michel Temer, Garotinho e Rosinha - leva seu apoio à candidatura de Geraldo Alkmim. Da Bahia, Jacques Wagner, veio até Brasília, para ajudar a montar a “caravana dos eleitos” em apoio à candidatura de Lula. O PDT confirmou que vai reforçar a campanha de Alkmim. Enquanto isso, o lado lulista do PMDB – leia-se Renan Calheiros e José Sarney – cobra mais empenho do PT e da Polícia Federal para destrinchar o caso dossiê. Nos jornais abundam análises e hipóteses traçadas ao sabor dos números, performances e percentuais alcançados nas urnas no último dia 1 de outubro. Neste céu turbulento da política, o país ruma para o segundo turno rachado entre dois candidatos, dois discursos e muitos escândalos. Precisamos torcer para que nenhum “Legacy” venha perturbar ainda mais a conturbada cena política nacional e derrubar os sonhos de um Brasil mais descente, mais ético e mais responsável que todos os brasileiros desejam e merecem.

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