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Ano 10 - 28/10 a 03 de Novembro 2006
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O ato do Athos, o Bulcão

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Data de Publicação: 7 de outubro de 2006
Por: Luis Turiba

Athos Bulcão reaparece em público como um Dom Bosco indicando o caminho do sonho, da luz e do amor. A voz é intervalada, profética e trêmula; os olhos são faróis atentos à vida; as mãos seguram firmes em mãos que lhe são estendidas; e na cabeça, como que guardando boas idéias e grandes memórias, aquele boné de italiano de quem sabe quase tudo da existência humana, suas artes e artimanhas.

A reinauguração do histórico e lendário Brasília Palace Hotel, ocorrida no último dia 21, dois dias depois do cinqüentenário da fundação da Novacap, não poderia ter melhor padrinho que Athos Bulcão.

Autor do painel central do hotel, uma obra luminosa que tem um riscos de Picasso e um certo quê de Miró, Athos é também ator da cena, aluno dessa escola.

Athos deixou o hospital Sarah, onde está morando e se cuidando, para rever Brasília, sua grande e fiel amada. Criador e criatura se reencontraram ao som de violinos e chorinhos. Memórias de um tempo ainda vivo e pulsante na cabeça de todos nós, pioneiros ou não. Uma jogada de mestre da empresa Paulo Octávio.


Marcelo Carvalho, diretor das Organizações Paulo Octavio, Wilma Pereira, Affonso Heliodoro e Athos Bulcão, durante a cerimônia de reinauguração do Brasília Palace Hotel


Athos está a cada dia mais parecido com seus azulejos geométricos, assim como Volpi ficou igual a suas bandeirinhas; Di Cavalcanti lembra sua mulatas arredondadas; Picasso foi ficando parecido com suas pinturas cubistas. Athos é a cara de Brasília, seu traço espacial, suas paredes secas e cortadas de luz. Athos é a Brasília futurista do passado e a pós-moderna do presente.

Athos é um caso a parte, particularíssimo. É o que temos de melhor. É o nosso olhar urbano, Niemeyer, Lúcio Costa, Dona Sarah e Israel Pinheiro. É o candango dos candangos em forma de anjo. É a nossa canção de Tom Jobim com Vinicius de Moraes.

Athos é tudo isso de bom, menos JK. Juscelino é diferente, está acima (como no Memorial), é o pai de Athos e de todos os demais que ergueram com arte esta pululante maquete onde sonhamos e vivemos. JK é um fiel seguidor do modernismo de 22; é o toque da bossa-nova de João Gilberto de 58; o drible de Mané Garrincha na Suécia; a Poesia Concreta no Caderno B do Jotabê, e a nossa fábrica de DKV.

Sabem quem foi o primeiro hóspede oficial do Brasília Palace Hotel, em 1960? Raul Seixas, o maluco-beleza. Athos é também Raul Seixas, uma metamorfose ambulante esse nosso Bulcão.

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